SuperClássico: Uma breve análise da fantástica série Legacy of Kain

15 de setembro de 2014

Hoje iremos inaugurar uma nova coluna aqui na SuperGamePlay, chamada de SuperClássico. O propósito deste novo espaço é de fazer uma breve análise nostálgica de jogos que podem ter marcado nossa infância e/ou adolescência, comentando alguns de seus aspectos mais fortes e interessantes. Teremos aqui comentários e experiências próprias que passamos ao jogar alguns dos melhores jogos do passado, expressando assim uma opinião nossa. Dito isso, vamos começar já com um querido clássico de todos os fãs que a conhecem, a série de ação e aventura da Crystal Dynamics, Legacy of Kain.

Apesar de muitos associarem a série Legacy of Kain ao personagem Raziel, que é mais querido pelos fãs, ela na verdade engloba mais a história de Kain, o “inimigo” de Raziel durante os três jogos que os dois estão juntos. A série começou com Blood Omen: Legacy of Kain, game desenvolvido pela Silicon Knights e publicado pela Crystal Dynamics, ele foi lançado para o PS One em 1996, bem no início da vida do console da Sony. Ele ainda ganhou uma versão para PC em 1997. O jogo tinha como protagonista o vampiro Kain em sua busca por vingança.

Kain

Kain

Blood Omen é o único jogo da série que mostrava o protagonista por cima, com uma câmera semelhante a jogos clássicos do Super Nintendo, como Legend of Zelda: A Link to the Past e Chrono Trigger. E foi apenas em 1999 que a série se tornou mais conhecida, quando o grande clássico Legacy of Kain: Soul Reaver foi lançado para PS One, PC e para Dreamcast em 2000. Em Soul Reaver tínhamos um protagonista diferente, Raziel, um vampiro atirado por Kain no poço das almas, onde sofreu por uma eternidade e foi então revivido como um devorador de almas. Aqui, ao invés de precisar sugar o sangue de suas vítimas, como Kain em Blood Omen, o protagonista precisaria sugar almas de criaturas mortas.

Soul Reaver trouxe a visão em terceira pessoa para a série, e seguia os passos de Raziel enquanto este buscava por vingança contra Kain. Apesar de seguir cegamente as ordens de um ser superior, a entidade que o reviveu chamada de “Elder God”, Raziel vai descobrindo mistérios do reino de Nosgoth, cenário da série, enquanto segue matando seus “irmãos vampiros”, indo atrás de Kain e armado com a famosa Soul Reaver, espada que dá nome ao jogo, e é carregada por Raziel em sua forma espiritual. A forma física é usada por Kain. O jogo termina sem fim, com Kain fugindo por um portal do tempo, e Raziel o seguindo. E eis aqui onde a trama se complica, Legacy of Kain: Soul Reaver 2 é lançado em 2001 para PlayStation 2 e PC.

SoulReaver

Raziel

Soul Reaver 2 é onde realmente a série se intensifica, e mostra para o que veio. A trama é o ponto principal, que se torna bem complexa e interessante. Vários novos personagens importantes são apresentados, e o elemento de viagem no tempo é introduzido de forma fantástica. Ainda com o ex-vampiro Raziel, agora é preciso descobrir os mistérios por trás da história de Kain, tentando entender o verdadeiro motivo da desgraça que assola Nosgoth. Vale ressaltar a fantástica qualidade da dublagem, tanto em Soul Reaver, que inclusive recebeu uma ótima versão dublada em português, quanto em Soul Reaver 2, que ajudava a tornar a experiência ainda mais memorável e crível.

Após um fantástico acerto com Soul Reaver 2, a série enfrenta uma decepção com um novo jogo: Blood Omen 2, game que marca a volta de Kain ao papel de protagonista, mas que decepciona por sua qualidade inferior. O game foi lançado em 2002, apenas um ano após Soul Reaver 2, tendo ganhado versões para PlayStation 2, PC, Xbox e GameCube. Na trama, Kain luta contra uma raça inimiga chamada de Hylden, e vai em busca do controle de Nosgoth. Mas felizmente, após um capítulo não tão bom, chega em 2003 a última parte da história até então, Legacy of Kain: Defiance, lançado para PS2, PC e Xbox.

Defiance é, até o momento, o último jogo da série, e traz mais dos elementos presentes no ótimo Soul Reaver 2, já que traz de volta Raziel ao papel de protagonista, mas papel esse compartilhado também com Kain. No jogo, ambos continuam tentando resolver seus problemas, mas acabam chegando a um consenso, e enxergando o verdadeiro inimigo. O jogo alterna entre os dois personagens, enquanto desvendam mistérios da história do reino de Nosgoth pertinentes à sua própria existência. Mais uma vez com destaque para a dublagem, os momentos memoráveis, e um final de realmente se emocionar (confira o vídeo ao final do post, mas fica o alerta de SPOILERS, o vídeo é a cena final de Legacy of Kain: Defiance).

Raziel com a forma espiritual da espada Soul Reaver, e Kain com a forma física

Apesar de Legacy of Kain: Defiance ser o último jogo da série até o momento, não houve um final propriamente dito, e por isso, com uma série que foi extremamente marcante para seus fãs, aguardamos esperançosos por um novo capítulo. Infelizmente, nada parece estar nos planos da Crystal Dynamics, desenvolvedora da série, mas resta-nos agarrar ao último suspiro de esperança que veio na forma do jogo gratuito Nosgoth. Mesmo sendo apenas um jogo multiplayer que se passa no universo da série, é bom saber que o universo desperta interesse para o desenvolvimento de um jogo.

A série Legacy of Kain foi certamente uma das mais marcantes de minha adolescência, pelos seus personagens complexos e interessantes, cenas memoráveis e diálogos épicos. Apesar de hoje contar com gameplay defasado, ainda compensa muito por sua trama complexa e envolvente. Àqueles que se interessaram, eu recomendaria ignorar Blood Omen e Blood Omen 2, já que o primeiro é muito antigo, e o segundo não tão bom, e focar em Soul Reaver, Soul Reaver 2 e Defiance. Todos os jogos estão constantemente em promoção no GOG.com, e até no Steam, no pacote completo Legacy of Kain.

“And I, am not your enemy, not your destroyer… I am, as before, your right hand. Your sword.”

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.