Review – Unravel – Carisma feito de lã

22 de fevereiro de 2016

Sabemos muito bem que jogos independentes nem sempre ganham sua chance de brilhar. Por mais bem feitos que sejam, nem todos contam com a oportunidade de serem expostos a um maior público. Para nossa felicidade, este não foi o caso de Unravel, jogo desenvolvido pelo estúdio independente sueco Coldwood Interactive, e que foi mostrado ao mundo pela Electronic Arts, empresa responsável por sua publicação. Anunciado oficialmente na E3 2015, o jogo de plataforma e puzzles imediatamente conquistou o coração dos jogadores com gameplay criativo e belo visual.

A primeira coisa que se nota em Unravel é seu incrível visual. O jogo inicia com uma bela cena em computação gráfica, seguida pela apresentação de Yarny, o boneco feito de lã protagonista do game. O pequeno e carismático ser tem então a tarefa de reviver memórias de uma família enquanto obtém pequenos itens feitos de lã que representam uma lembrança. Ao longo de sua jornada, Yarny não fala uma palavra sequer, no entanto, o jogo consegue a difícil tarefa de passar claramente o que o pequeno boneco está sentindo usando apenas suas expressões realistas. As memórias são revividas através de porta retratos espalhados pela casa, que transportam o boneco para dentro de cenários variados.

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Ao explorar cada memória são mostrados belos momentos da família a qual Yarny está conectado. Sem a necessidade de uma fala no jogo, a história se torna subjetiva e sentimental, aberta à interpretações próprias de cada jogador. Yarny é o laço que amarra todas as memórias e emoções da família. Ele explora as boas lembranças, como também as más, em alguns momentos servindo até como crítica à aspectos sociais, como por exemplo à industrialização. Com a ausência de falas vem a necessidade de algo para complementar o silêncio, muito bem preenchido com uma trilha sonora que emociona, apesar de em alguns momentos se tornar enjoativa, talvez não por sua culpa, mas sim pela extensão de algumas fases.

Sem a necessidade de uma fala no jogo, a história se torna subjetiva e sentimental, aberta à interpretações próprias de cada jogador

Para toda esta exploração, o game traz um gameplay competente que envolve o estilo de plataforma e a solução de puzzles. Em ambos os aspectos o jogo se sai bem, exceto por alguns detalhes. Por ser feito de lã, Yarny conta com algumas habilidades bem interessantes utilizando seus próprios fios. Ele é capaz de lançar um fio para se pendurar e atravessar buracos, amarrar seus fios em dois pontos para criar uma espécie de trampolim e mais. O game ainda adiciona uma interessante dificuldade limitando o tamanho do fio do boneco, fazendo com o que o jogador pense bem em como solucionar o puzzle com menor uso de fio possível. Apesar disso, as regras nem sempre são certas, ás vezes o fio é mais limitado e ás vezes parece muito maior do que em diversos momentos. O próprio jogo parece quebrar sua regra.

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No entanto, é incrível ver as soluções para alguns puzzles, que usam formas muito criativas de interação com os cenários, como uso de latinhas de refrigerante, ou até uma pinha que sozinha não serve pra nada, mas quando rolada na neve se torna uma bola grande que pode ser escalada. Essa interatividade com o cenário é um dos pontos altos do game, e me impressionou em diversos momentos com formas inteligentes de usar o ambiente. Infelizmente essa criatividade não dura o jogo inteiro, e os puzzles acabam se tornando repetitivos, o que consequentemente pode tornar o game cansativo ao exigir as mesmas soluções para problemas levemente diferenciados. Por ser um jogo de plataforma, os controles são importantes e geralmente são bem responsivos, exceto em poucos momentos, mas que não chega a atrapalhar a experiência.

A interatividade com o cenário é um dos pontos altos do game, e me impressionou em diversos momentos com formas inteligentes de usar o ambiente

Unravel me conquistou principalmente pelo impressionante visual de seus cenários e a extrema atenção a pequenos detalhes em objetos e itens espalhados pelo ambiente. Como um jogo de plataforma ele é competente, e ainda mais como um jogo de puzzles. Sua duração deve variar de 5 a 7 horas, podendo se estender um pouco mais caso o jogador queira pegar os colecionáveis. A falta de inovações ao resolver puzzles após algum tempo de jogo atrapalha um pouco, porém a jornada continua sendo interessante, mesmo ainda com algumas partes frustrantes de plataforma. A forma como Yarny transmite emoções e sentimentos sem uma única fala é algo que deve ser aplaudido, pois são poucos os jogos que assim conseguem.

  • Este review de Unravel foi feito no PC com uma cópia do game enviada para nós pela Electronic Arts.
Sabemos muito bem que jogos independentes nem sempre ganham sua chance de brilhar. Por mais bem feitos que sejam, nem todos contam com a oportunidade de serem expostos a um maior público. Para nossa felicidade, este não foi o caso de Unravel, jogo desenvolvido pelo estúdio independente sueco Coldwood Interactive, e que foi mostrado ao mundo pela Electronic Arts, empresa responsável por sua publicação. Anunciado oficialmente na E3 2015, o jogo de plataforma e puzzles imediatamente conquistou o coração dos jogadores com gameplay criativo e belo visual. A primeira coisa que se nota em Unravel é seu incrível visual. O jogo inicia com uma bela cena em computação gráfica, seguida pela apresentação de Yarny, o boneco feito de lã protagonista do game. O pequeno e carismático ser tem então a tarefa de reviver memórias de uma família enquanto obtém pequenos itens feitos de lã que representam uma lembrança. Ao longo de sua jornada, Yarny não fala uma palavra sequer, no entanto, o jogo consegue a difícil tarefa de passar claramente o que o pequeno boneco está sentindo usando apenas suas expressões realistas. As memórias são revividas através de porta retratos espalhados pela casa, que transportam o boneco para dentro de cenários variados. Ao explorar cada memória são mostrados belos momentos da família a qual Yarny está conectado. Sem a necessidade de uma fala no jogo, a história se torna subjetiva e sentimental, aberta à interpretações próprias de cada jogador. Yarny é o laço que amarra todas as memórias e emoções da família. Ele explora as boas lembranças, como também as más, em alguns momentos servindo até como crítica à aspectos sociais, como por exemplo à industrialização. Com a ausência de falas vem a necessidade de algo para complementar o silêncio, muito bem preenchido com uma trilha sonora que emociona, apesar de em alguns momentos se tornar enjoativa, talvez não por sua culpa, mas sim pela extensão de algumas fases. Sem a necessidade de uma fala no jogo, a história se torna subjetiva e sentimental, aberta à interpretações próprias de cada jogador Para toda esta exploração, o game traz um gameplay competente que envolve o estilo de plataforma e a solução de puzzles. Em ambos os aspectos o jogo se sai bem, exceto por alguns detalhes. Por ser feito de lã, Yarny conta com algumas habilidades bem interessantes utilizando seus próprios fios. Ele é capaz de lançar um fio para se pendurar e atravessar buracos, amarrar seus fios em dois pontos para criar uma espécie de trampolim e mais. O game ainda adiciona uma interessante dificuldade limitando o tamanho do fio do boneco, fazendo com o que o jogador pense bem em como solucionar o puzzle com menor uso de fio possível. Apesar disso, as regras nem sempre são certas, ás vezes o fio é mais limitado e ás vezes parece muito maior do que em diversos momentos. O próprio jogo parece quebrar sua regra. No entanto, é incrível ver as soluções para alguns puzzles, que…

7.8

Muito bom

Veredito Final

Não é sempre que temos a chance de experiências sentimentais em jogos, por isso quando esse tipo de jogo surge tento sempre jogar. Unravel é um destes, e apesar de não ser perfeito, é uma experiência marcante e comovente. O game alcança isso sem ao menos uma única fala no jogo, transmitindo as emoções do pequeno Yarny, um carismático boneco feito de lã, apenas por suas ótimas expressões realistas e trilha sonora. O gameplay consiste no uso de mecânicas de plataforma, que em sua grande parte funcionam, e na solução de puzzles. As soluções para os quebra-cabeças são bem criativas, porém podem se tornar cansativas após um tempo pelo uso semelhante. Outros grandes atrativos são a história aberta à interpretações e o belo visual do game, que conta com um nível de detalhes impressionante que só poderia ser notado por uma criatura tão pequena como Yarny. Soluções inteligentes e cenas memoráveis fazem de Unravel um belo e curto jogo que deve ser experimentado por fãs do estilo mais sentimental de games indies.

Nota

7.8

8

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.