Review – The Witness – A obra-prima de um gênio louco

16 de fevereiro de 2016

Em meio a diversas folhas de papel rabiscadas com traços no formato de labirintos e outros quebra-cabeças, relembro das minhas mais de 50 horas com The Witness. Me lembro do tanto que aquela ilha me desafiou mentalmente e de como ela me ensinou a enxergar as coisas de uma forma diferente. “Pensar fora da caixa”… quem diria que uma frase tão repetida em palestras motivacionais poderia ser explicada com perfeição em um game para a atual geração. The Witness é exatamente isto, um exercício mental brilhante que muda a sua forma de pensar.

O mais novo game de Jonathan Blow, criador do fantástico Braid é (até o momento) a sua obra-prima. Em visão de primeira pessoa, você acorda em uma ilha repleta de estranhas estruturas e formações naturais, todas interligadas por centenas de painéis com “puzzles” ou quebra-cabeças que devem ser resolvidos. Inicialmente os desafios são simples, envolvendo navegar um cursor por um labirinto, ou separar cores diferentes com uma linha. Estes se tornam mais complexos e absurdamente engenhosos a medida que novas áreas vão sendo exploradas.

sgp_the_witness_review_img_(15)

O que mais me conquistou logo de início em The Witness é a forma como o jogo jamais pega na sua mão. Não existem tutoriais, mensagens, dicas, menus, absolutamente nada. As mecânicas de cada puzzle são ensinadas utilizando elas próprias. Os primeiros painéis que você encontra são versões simplificadas daquele determinado quebra-cabeça e estes evoluem naturalmente de dificuldade a medida que você vai descobrindo a solução.

Todo o design do jogo (e da ilha) é feito para que você aprenda as regras de cada puzzle no seu ritmo. The Witness inclusive te permite (e até encoraja) a deixar certos desafios de lado, enquanto você ainda não sabe como funciona aquela nova regra. O game jamais duvida da sua inteligência e os puzzles de cada área, além de contarem com regras bastante diferentes, são constantemente mais difíceis e as vezes envolvem uma combinação de conhecimento adquirido.

Inicialmente alguns puzzles podem parecer complexos demais ou até injustos, mas sempre existe algo novo para aprender e que eventualmente irá te ajudar a solucionar o que parece impossível. O uso de lápis e papel chega a ser essencial e além do efeito nostálgico, dá uma imersão incrível ao jogo e logo você estará vendo The Witness em todos os lugares. Na sua casa, no seu caminho para o trabalho e inclusive quando fechar os olhos.

sgp_the_witness_review_img_(16)

Não é difícil supor que após a quinquagésima puzzle o jogo comece a ficar entendiante. Porém, a genialidade (e variedade) de cada quebra-cabeça é de espantar e o game consegue te deixar envolvido constantemente. Fica difícil até imaginar como isto saiu da cabeça de uma pessoa normal. Ao mesmo tempo fica difícil para mim listar todas estas engenhosidades aqui sem dar spoilers. Apenas direi que durante todo o jogo você irá usar quase todos os seus sentidos e elementos do cenário.

Falando em cenários, a ilha em si é talvez o principal destaque do jogo. Cada região é completamente distinta uma da outra, variando de desertos a montanhas com neve, de belas florestas coloridas a vilas em ruínas. Tudo parece tão orgânico e tão bem encaixado que chega a assustar. Galhos que parecem insetos, raízes que parecem artérias, reflexos e sombras que revelam bem mais do que você imagina. O jogo está sempre te ensinando a ver as coisas de outra forma, sempre te forçando a pensar fora da caixa e os milhares de exemplos nos cenários ajudam inclusive a treinar sua mente para novos puzzles.

sgp_the_witness_review_img_(10)

Sem dar muitos spoilers, é importante mencionar o quão diferente é o game em relação o que se espera da indústria. Não existe uma narrativa bem delineada, ou até mesmo um propósito. Os puzzles resolvidos apenas abrem novos caminhos, habilitam outros quebra-cabeças ou ativam uma luz que aponta para uma montanha do jogo. A intenção de The Witness é fazer com que o jogador descubra por si mesmo, por qual motivo está ali e qual a razão de continuar.

Para mim, o próprio prazer de ser desafiado mentalmente e de finalmente resolver o que parecia impossível, me levou constantemente para frente. Passei horas tentando ver se eu realmente tinha o tal do “potencial humano” mencionado inúmeras vezes nos diversos áudios que você encontra pela ilha. Estes contam com citações de filósofos, físicos, poetas, astronautas e ajudam a dar um certo contexto sobre o que o jogo espera de você, mesmo quando de forma sutil.

The Witness está constantemente reforçando esta ideia de enxergar as coisas de forma diferente. Seja através das citações, de easter eggs nos cenários, de vídeos, de estátuas misteriosas ou através das brilhantes mecânicas de quebra-cabeça. Uma clara metáfora sobre como lidar com os problemas da vida. A ilha (ou a situação) em si é muitas vezes imutável. Você pode passar várias vezes no mesmo lugar e nunca perceber nada diferente, ou tentar uma solução dezenas de vezes para um mesmo problema. Porém, ao te forçar a pensar fora da caixa, o jogo te mostra que não é preciso que a ilha mude, mas sim você mesmo. Nisto reside o brilhantismo de um dos melhores jogos do ano até aqui.

  • Este review de The Witness foi feito no PlayStation 4 com uma cópia do game comprada por nós.
Em meio a diversas folhas de papel rabiscadas com traços no formato de labirintos e outros quebra-cabeças, relembro das minhas mais de 50 horas com The Witness. Me lembro do tanto que aquela ilha me desafiou mentalmente e de como ela me ensinou a enxergar as coisas de uma forma diferente. "Pensar fora da caixa"... quem diria que uma frase tão repetida em palestras motivacionais poderia ser explicada com perfeição em um game para a atual geração. The Witness é exatamente isto, um exercício mental brilhante que muda a sua forma de pensar. O mais novo game de Jonathan Blow, criador do fantástico Braid é (até o momento) a sua obra-prima. Em visão de primeira pessoa, você acorda em uma ilha repleta de estranhas estruturas e formações naturais, todas interligadas por centenas de painéis com "puzzles" ou quebra-cabeças que devem ser resolvidos. Inicialmente os desafios são simples, envolvendo navegar um cursor por um labirinto, ou separar cores diferentes com uma linha. Estes se tornam mais complexos e absurdamente engenhosos a medida que novas áreas vão sendo exploradas. O que mais me conquistou logo de início em The Witness é a forma como o jogo jamais pega na sua mão. Não existem tutoriais, mensagens, dicas, menus, absolutamente nada. As mecânicas de cada puzzle são ensinadas utilizando elas próprias. Os primeiros painéis que você encontra são versões simplificadas daquele determinado quebra-cabeça e estes evoluem naturalmente de dificuldade a medida que você vai descobrindo a solução. Todo o design do jogo (e da ilha) é feito para que você aprenda as regras de cada puzzle no seu ritmo. The Witness inclusive te permite (e até encoraja) a deixar certos desafios de lado, enquanto você ainda não sabe como funciona aquela nova regra. O game jamais duvida da sua inteligência e os puzzles de cada área, além de contarem com regras bastante diferentes, são constantemente mais difíceis e as vezes envolvem uma combinação de conhecimento adquirido. Inicialmente alguns puzzles podem parecer complexos demais ou até injustos, mas sempre existe algo novo para aprender e que eventualmente irá te ajudar a solucionar o que parece impossível. O uso de lápis e papel chega a ser essencial e além do efeito nostálgico, dá uma imersão incrível ao jogo e logo você estará vendo The Witness em todos os lugares. Na sua casa, no seu caminho para o trabalho e inclusive quando fechar os olhos. Não é difícil supor que após a quinquagésima puzzle o jogo comece a ficar entendiante. Porém, a genialidade (e variedade) de cada quebra-cabeça é de espantar e o game consegue te deixar envolvido constantemente. Fica difícil até imaginar como isto saiu da cabeça de uma pessoa normal. Ao mesmo tempo fica difícil para mim listar todas estas engenhosidades aqui sem dar spoilers. Apenas direi que durante todo o jogo você irá usar quase todos os seus sentidos e elementos do cenário. Falando em cenários, a ilha em si é talvez o principal destaque do jogo. Cada região é completamente distinta uma…

9.7

Fantástico!

Veredito Final

O mais novo game de Jonathan Blow, criador do fantástico Braid é a sua obra-prima. The Witness é um exercício mental brilhante que tem como principal objetivo mudar a sua forma de pensar. O game jamais segura na sua mão e nunca duvida da sua inteligência. Os próprios quebra-cabeças são utilizados para ensinar as engenhosas e brilhantes mecânicas de jogo, que só podem ter saído da mente de um (ou vários) gênios loucos. A ilha que dá palco para The Witness é um show a parte, com regiões belas, distintas e um design absurdamente inteligente, repleto de segredos e detalhes que revelam bem mais do que você imagina. The Witness é um dos melhores jogos do ano por te forçar a pensar fora da caixa e mostrar que as vezes é necessário ver as coisas por outro lado, uma bela metáfora para problemas bem mais reais.

Nota
10

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.