Review – The Witcher 3: Wild Hunt – Blood and Wine

11 de junho de 2016

A mais nova (e última) expansão de The Witcher 3: Wild Hunt é tudo o que foi prometido e muito mais. Blood and Wine complementa e conclui a história de Geralt de forma brilhante e adiciona dezenas de horas de conteúdo adicional, que se possuem algum defeito, é o de nos deixar querendo mais. Assim como a anterior, Hearts of Stone, a nova expansão funciona de forma praticamente avulsa ao game principal. Inclusive, jogadores tem a opção de começar diretamente nela com um personagem já evoluído, mas é preciso reforçar que Blood and Wine é muito mais bem aproveitada por aqueles que tenham terminado a obra-prima que é o jogo original e já conheçam este complexo universo de The Witcher.

Em Blood and Wine, nosso caçador de monstros favorito é convocado pela duquesa Anna Henrietta da região de Toussaint, para resolver o problema de uma “Fera” que tem atacado membros importantes da sua corte. Como de costume, Geralt passa a investigar os crimes e rastrear o monstro, descobrindo uma série de outras tramas pelo caminho que se interligam de uma forma ou de outra, revelando os complexos problemas políticos e familiares da região. Estes acabam se tornando uma ameaça para a duquesa e todo o reino de Toussaint.

O principal destaque de Blood and Wine é definitivamente a nova região, ainda intocada pela guerra que assola os reinos do norte. Toussaint é um conjunto de belíssimas paisagens, vegetação colorida, vinhedos, colinas verdes, castelos imponentes e uma população que tem preocupações bem menos graves do que o sofrido povo de Velen ou Novigrad. A mudança de cenário não só é positiva para nós jogadores (que passamos uma centena de horas com cenários destruídos pela guerra), como também funciona muito bem narrativamente para este capítulo final de The Witcher 3.

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Blood and Wine não traz somente uma nova região e um novo mistério para ser resolvido, mas também um conjunto de novos personagens que conseguem facilmente nos fazer esquecer por um momento do fantástico elenco principal do jogo. A duquesa Anna Henrietta me encantou imediatamente com sua seriedade e a inteligência de um verdadeiro líder, que transpira dedicação completa pelo seu reino em todos os momentos que ela estava presente na tela. Geralt também encontra um amigo do seu passado que nos auxilia em toda a jornada e que tem um carisma fora do comum.

The Witcher 3 se despede como uma obra-prima e é definitivamente o melhor RPG da atualidade. O game, suas expansões e a transparência e competência da CD Projekt Red se tornam não só um marco para a indústria, mas também um exemplo de trabalho para que todos possam seguir e alcançar.

Estou tentando evitar dar muitos spoilers, mas é preciso dizer que este companheiro, junto ao suposto vilão do jogo, me levaram a entender e a me importar profundamente com a complexidade e com as diferentes características de uma das raças de monstros caçadas por Geralt. O que era apenas uma entrada no bestiário, se torna a principal ferramenta de enredo de Blood and Wine, inclusive colaborando com parte do nome da expansão. Não é preciso dizer que outros personagens menores também são destaque, como uma estranha criatura que coleciona colheres, um cavaleiro apaixonado por uma bela mulher que ele mal conhece e um soldado extremamente dedicado a sua duquesa.

The Witcher 3 sempre foi brilhante em todos os seus quests paralelos e Blood and Wine não é diferente. Todos estes novos personagens e seus dramas, colaboram para tornar a expansão extremamente envolvente e principalmente divertida, com um ritmo impecável. Um torneio de cavaleiros coloca Geralt nas mais variadas situações de batalha e acaba sendo plano de fundo para um drama muito mais complexo; uma casa abandonada abriga uma criatura que todos pensavam não mais existir e nos obriga a tomar uma decisão difícil e rápida; um misterioso alquimista do passado deixa pistas sobre suas pesquisas que acaba por ajudar Geralt a liberar novas mutações. São tantos exemplos excelentes que fica difícil listá-los todos por aqui.

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Blood and Wine também é apoiado por novas mecânicas de jogo, que colaboram para tornar a experiência ainda mais rica. As tais mutações liberam uma nova árvore de habilidades especiais que complementam de forma bastante interessante o sistema de combate, inclusive liberando novos espaços para adicionar skills, algo tão necessário para aqueles que, assim como eu, estavam com pontos sobrando após Hearts of Stone.

Para aqueles que não fizeram uma boa parte das atividades do jogo original e talvez estão abaixo do nível recomendado (35), Blood and Wine pode se tornar uma expansão bem desafiadora, principalmente com os brilhantes e diversificados combates contra chefes. Porém, para aqueles que já estão em um nível mais elevado, a adição do novo sistema acaba tornando o combate ainda mais fácil, mesmo em dificuldades mais elevadas.

Felizmente, Blood and Wine conta com tantas outras atividades paralelas envolventes e divertidas que a “facilidade” do combate acaba ficando em segundo plano. Um novo deck de Gwent traz inúmeras novas cartas para colecionar e um novo torneio para competir; novos níveis de todas as armaduras de bruxo abrem mais de uma dezena de atividades para coletá-las e criá-las; completar outras tarefas liberam tintas das mais variadas cores para colorir as armaduras, e muito mais. Talvez a mais relevante destas atividades é o seu próprio vinhedo, que Geralt recebe da duquesa logo no começo do jogo.

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Esta moradia pode ser evoluída e conta com inúmeros recursos para ajudar Geralt em suas aventuras, como uma mesa de alquimia, pedra de amolar, um pomar com plantas exóticas, uma nova cama que provê diversos bônus de combate, um novo estábulo para o Carpeado que aumenta o vigor, e muito mais. O vinhedo também pode ser customizado com seus troféus, inúmeros quadros, e até suas armaduras e armas podem ser expostas. Este novo elemento, além de funcional, nos permite relembrar conquistas do passado e ao mesmo tempo provê um local de descanso para o nosso herói (e para nós jogadores) após mais de uma centena de horas salvando o mundo.

Assim como o jogo original inicialmente, encontrei pequenos bugs em Blood and Wine. Nenhum deles chegou a ser grave ao ponto de impedir a progressão, mas algumas vezes me tiraram da imersão em determinados quests. Dado o histórico da CD Projekt Red estes devem ser corrigidos rapidamente no próximo patch. A performance do inventário no PlayStation 4 (principalmente com o mesmo abarrotado de itens colecionados aos longo de 150 horas de jogo) continua terrível, problema este que notei ser praticamente inexistente no PC, após algumas horas de jogo na plataforma.

Porém, se Blood and Wine tem um defeito grave, é o fato de nos deixar deprimidos com o fim das aventuras de Geralt. O último capítulo da saga de The Witcher é simplesmente brilhante e deixa nosso herói em uma situação positiva e finalmente em paz. The Witcher 3 se despede como uma obra-prima e é definitivamente o melhor RPG da atualidade. O game, suas expansões e a transparência e competência da CD Projekt Red se tornam não só um marco para a indústria, mas também um exemplo de trabalho para que todos possam seguir e alcançar.

  • Este review de Blood and Wine foi feito no PlayStation 4 com uma cópia do game enviada para nós pela CD Projekt Red.
  • Blood and Wine é uma expansão de The Witcher 3: Wild Hunt que exige o jogo original. Confira nossa análise do jogo base.
A mais nova (e última) expansão de The Witcher 3: Wild Hunt é tudo o que foi prometido e muito mais. Blood and Wine complementa e conclui a história de Geralt de forma brilhante e adiciona dezenas de horas de conteúdo adicional, que se possuem algum defeito, é o de nos deixar querendo mais. Assim como a anterior, Hearts of Stone, a nova expansão funciona de forma praticamente avulsa ao game principal. Inclusive, jogadores tem a opção de começar diretamente nela com um personagem já evoluído, mas é preciso reforçar que Blood and Wine é muito mais bem aproveitada por aqueles que tenham terminado a obra-prima que é o jogo original e já conheçam este complexo universo de The Witcher. Em Blood and Wine, nosso caçador de monstros favorito é convocado pela duquesa Anna Henrietta da região de Toussaint, para resolver o problema de uma "Fera" que tem atacado membros importantes da sua corte. Como de costume, Geralt passa a investigar os crimes e rastrear o monstro, descobrindo uma série de outras tramas pelo caminho que se interligam de uma forma ou de outra, revelando os complexos problemas políticos e familiares da região. Estes acabam se tornando uma ameaça para a duquesa e todo o reino de Toussaint. O principal destaque de Blood and Wine é definitivamente a nova região, ainda intocada pela guerra que assola os reinos do norte. Toussaint é um conjunto de belíssimas paisagens, vegetação colorida, vinhedos, colinas verdes, castelos imponentes e uma população que tem preocupações bem menos graves do que o sofrido povo de Velen ou Novigrad. A mudança de cenário não só é positiva para nós jogadores (que passamos uma centena de horas com cenários destruídos pela guerra), como também funciona muito bem narrativamente para este capítulo final de The Witcher 3. Blood and Wine não traz somente uma nova região e um novo mistério para ser resolvido, mas também um conjunto de novos personagens que conseguem facilmente nos fazer esquecer por um momento do fantástico elenco principal do jogo. A duquesa Anna Henrietta me encantou imediatamente com sua seriedade e a inteligência de um verdadeiro líder, que transpira dedicação completa pelo seu reino em todos os momentos que ela estava presente na tela. Geralt também encontra um amigo do seu passado que nos auxilia em toda a jornada e que tem um carisma fora do comum. The Witcher 3 se despede como uma obra-prima e é definitivamente o melhor RPG da atualidade. O game, suas expansões e a transparência e competência da CD Projekt Red se tornam não só um marco para a indústria, mas também um exemplo de trabalho para que todos possam seguir e alcançar. Estou tentando evitar dar muitos spoilers, mas é preciso dizer que este companheiro, junto ao suposto vilão do jogo, me levaram a entender e a me importar profundamente com a complexidade e com as diferentes características de uma das raças de monstros caçadas por Geralt. O que era apenas uma entrada no bestiário, se torna a principal ferramenta de enredo de Blood and Wine, inclusive colaborando com parte do nome da expansão. Não é preciso dizer que outros personagens menores…

9.5

Fantástico!

Veredito Final

Blood and Wine conclui a história de The Witcher 3 de forma brilhante e adiciona dezenas de novas horas adicionais ao que já era uma obra-prima. A nova região de Toussaint é belíssima, um prazer de ser explorada e traz novas cores e nova vida para as aventuras de Geralt. Os novos e carismáticos personagens nos fazem até esquecer por um momento de Ciri, Triss, Yennefer e outros. A expansão ainda inclui novas mecânicas de jogo (como mutações e uma moradia) que complementam com extrema qualidade o combate e a nova narrativa. The Witcher 3 se despede como o melhor RPG da atualidade e Blood and Wine é um final digno para esta fantástica conquista da CD Projekt Red.

Nota
10

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.