Review – Tales from the Borderlands – Episódio 1: Zer0 Sum

O anúncio de um game que iria unir a narrativa da Telltale Games com o insano universo de Borderlands parecia bem inusitado. No entanto, ao poder ver e jogar o primeiro episódio dessa nova série, percebi o quanto a união desses dois mundos pode dar certo. Tales from the Borderlands é o resultado da colaboração entre a Telltale Games e a Gearbox Software, desenvolvedora da ótima série Borderlands, resultado este que deve agradar fãs de ambas as empresas.

Dividido em cinco episódios, como já de costume em jogos da Telltale, Tales from the Borderlands teve seu primeiro episódio, chamado de “Zer0 Sum”, lançado em 25 de Novembro. A introdução dessa nova aventura nos apresenta os dois protagonistas, Rhys e Fiona, ambos controlados pelo jogador, e que são alternados em momentos determinados pela própria narrativa. Rhys é um executivo que tenta subir na hierarquia da infame corporação Hyperion, odiada por praticamente todos que não trabalham lá. Já Fiona é uma trapaceira que leva a vida tentando passar a perna em outros.

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E como se poderia imaginar, há um conflito claro entre os dois, com Fiona, que nasceu e cresceu no planeta Pandora, odiando Rhys por sua afiliação à Hyperion, empresa da qual vive da exploração do planeta. E Rhys, por sua vez, não se dá muito bem com a protagonista por causa de sua “profissão”, tentando levar a melhor sobre outras pessoas, e assim atrapalhando seus objetivos. A dinâmica da relação conflitante dos dois personagens é um ponto alto do jogo, porém, muito pouco ainda foi mostrado, afinal, é apenas o primeiro episódio. A história é mostrada na forma de retrospectos, com os dois personagens contando como chegaram na confusão em que se meteram. Os flashbacks são interessantes, pois acontecem da forma que os personagens contam, mas podem não ser como realmente aconteceu, o que gera momentos bem cômicos.

Rhys é um executivo que tenta subir na hierarquia da infame corporação Hyperion… Já Fiona é uma trapaceira que leva a vida tentando passar a perna em outros

Pelo fato de apresentar uma nova história no mesmo universo de Borderlands, conhecimento prévio da série pode tornar o jogo bem mais proveitoso, embora não seja obrigatório. Diversos elementos fazem referência aos jogos, como o principal vilão da série, Handsome Jack, que aqui é citado diversas vezes. A história e outros personagens do planeta Pandora também fazem aparições ou são mencionados, e o jogo não se preocupa nem um pouco em introduzir este mundo. O básico de conhecimento da série Borderlands já é suficiente para aproveitar o game ao máximo.

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No jogo, o principal elemento dos games da série Borderlands também é usado de forma bem interessante e diferente: ao invés de os personagens serem os chamados “vault hunters” (normalmente pessoas muito habilidosas em busca de um valioso tesouro alienígena), estes não possuem habilidades para tal profissão, mas acabam com o mesmo objetivo: obter uma chave do “vault” (cofre). O fato é até motivo de piada na história, que aliás, é recheada de partes hilárias. A atmosfera de Borderlands foi fielmente capturada aqui, com partes cômicas integradas à fantásticas e divertidas cenas de ação e loucuras.

A dinâmica da relação conflitante dos dois personagens é um ponto alto do jogo

Com um histórico de foco em narrativa, relacionamento entre personagens e decisões que definem a história, a Telltale se superou no primeiro episódio de Tales from the Borderlands com muita ação, o que torna mais fiel ao universo criado pela Gearbox. Um destaque especial para as cenas com o vault hunter fodão Zer0, um dos personagens principais de Borderlands 2, que faz aparições fantásticas durante o jogo. Já as escolhas que definem a história, comum nos jogos da Telltale, não há muito o que falar ainda, pois aparentemente a maioria das decisões feitas no primeiro episódio não refletem nele mesmo, possivelmente ficarão para os próximos.

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No entanto, o estilo já característico de decisões visto em outros jogos da Telltale está lá, com escolhas que alteram a forma que outros personagens se relacionam com os protagonistas, e que devem gerar resultados mais importantes nos próximos episódios. O sistema continua interessante, dando maior importância e peso aos diversos momentos de decisão que o jogador deve tomar, mesmo que o clima seja mais de comédia. Todos estes elementos estão aliados a uma ótima dublagem, que torna o jogo mais crível. Nomes como Troy Baker (Booker DeWitt em BioShock Infinite, Joel em The Last of Us) e Nolan North (Nathan Drake em Uncharted) são alguns dos exemplos no ótimo elenco de dublagem.

Pelo fato de apresentar uma nova história no mesmo universo de Borderlands, conhecimento prévio da série pode tornar o jogo bem mais proveitoso, embora não seja obrigatório

A lentidão e lag, problema antigo e comum em jogos da Telltale, como em The Walking Dead e The Wolf Among Us, parece não estar tão presente em Tales from the Borderlands. Nesses jogos citados era comum acontecer alguns leves e rápidos travamentos em diversos momentos do jogo, o que chegava a incomodar, mas praticamente não aconteceu aqui com a versão do PlayStation 4 do novo game da empresa. Parece que tais problemas foram finalmente minimizados drasticamente. Acredito ter acontecido apenas uma vez durante a minha sessão de quase 2 horas e meia de jogo.

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“Zer0 Sum” é um ótimo início para a nova série da Telltale, que obtém sucesso ao capturar perfeitamente a essência da série Borderlands, além de oferecer uma dinâmica divertida entre os protagonistas e decisões que pesam mesmo com a temática mais despojada. O visual do jogo é um show a parte, e também representa muito bem a atmosfera da série Borderlands. A história já conta com bons momentos e mistérios que ficam para os próximos episódios. Os dois personagens principais são divertidos, apesar de que senti certa discrepância nas habilidades de cada um, sendo Rhys bem competente com seu olho “especial” e habilidades de hackeamento, enquanto Fiona pode parecer não muito hábil como trapaceira, apesar de ter vivido assim sua vida inteira. Tales from the Borderlands é uma representação muito fiel ao universo criado pela Gearbox, e uma divertida surpresa para este fim de ano recheado de grandes jogos.

  • Este review de Tales from the Borderlands foi feito no PlayStation 4, com uma cópia do game enviada para nós pela Telltale.
O anúncio de um game que iria unir a narrativa da Telltale Games com o insano universo de Borderlands parecia bem inusitado. No entanto, ao poder ver e jogar o primeiro episódio dessa nova série, percebi o quanto a união desses dois mundos pode dar certo. Tales from the Borderlands é o resultado da colaboração entre a Telltale Games e a Gearbox Software, desenvolvedora da ótima série Borderlands, resultado este que deve agradar fãs de ambas as empresas. Dividido em cinco episódios, como já de costume em jogos da Telltale, Tales from the Borderlands teve seu primeiro episódio, chamado de "Zer0 Sum", lançado em 25 de Novembro. A introdução dessa nova aventura nos apresenta os dois protagonistas, Rhys e Fiona, ambos controlados pelo jogador, e que são alternados em momentos determinados pela própria narrativa. Rhys é um executivo que tenta subir na hierarquia da infame corporação Hyperion, odiada por praticamente todos que não trabalham lá. Já Fiona é uma trapaceira que leva a vida tentando passar a perna em outros. E como se poderia imaginar, há um conflito claro entre os dois, com Fiona, que nasceu e cresceu no planeta Pandora, odiando Rhys por sua afiliação à Hyperion, empresa da qual vive da exploração do planeta. E Rhys, por sua vez, não se dá muito bem com a protagonista por causa de sua "profissão", tentando levar a melhor sobre outras pessoas, e assim atrapalhando seus objetivos. A dinâmica da relação conflitante dos dois personagens é um ponto alto do jogo, porém, muito pouco ainda foi mostrado, afinal, é apenas o primeiro episódio. A história é mostrada na forma de retrospectos, com os dois personagens contando como chegaram na confusão em que se meteram. Os flashbacks são interessantes, pois acontecem da forma que os personagens contam, mas podem não ser como realmente aconteceu, o que gera momentos bem cômicos. Rhys é um executivo que tenta subir na hierarquia da infame corporação Hyperion... Já Fiona é uma trapaceira que leva a vida tentando passar a perna em outros Pelo fato de apresentar uma nova história no mesmo universo de Borderlands, conhecimento prévio da série pode tornar o jogo bem mais proveitoso, embora não seja obrigatório. Diversos elementos fazem referência aos jogos, como o principal vilão da série, Handsome Jack, que aqui é citado diversas vezes. A história e outros personagens do planeta Pandora também fazem aparições ou são mencionados, e o jogo não se preocupa nem um pouco em introduzir este mundo. O básico de conhecimento da série Borderlands já é suficiente para aproveitar o game ao máximo. No jogo, o principal elemento dos games da série Borderlands também é usado de forma bem interessante e diferente: ao invés de os personagens serem os chamados "vault hunters" (normalmente pessoas muito habilidosas em busca de um valioso tesouro alienígena), estes não possuem habilidades para tal profissão, mas acabam com o mesmo objetivo: obter uma chave do "vault" (cofre). O fato é até motivo de piada na história, que aliás, é recheada de partes…

8.8

Excelente

Veredito Final

A Telltale faz uma combinação quase perfeita de sua estrutura clássica focada em narrativa, com o universo insano da série Borderlands. "Zer0 Sum" traz momentos fantásticos com diversas cenas de ação, personagens divertidos, ótima dublagem e muito humor inteligente. Para fãs de Borderlands, esta é uma ótima chance de ver mais histórias do mesmo universo, enquanto que é também um ótimo ponto de introdução para aqueles que não conhecem a franquia, embora um conhecimento mínimo possa tornar o jogo bem mais divertido. Em resumo, Tales from the Borderlands começa muito bem esta nova série, já criando grandes expectativas para seus próximos episódios.

Nota

8.8

9

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.