Review – Star Ocean: Integrity and Faithlessness – JRPG genérico

14 de julho de 2016

Sendo um novato em jogos da franquia, comecei Star Ocean: Integrity and Faithlessness imaginando todo um universo muito bem estabelecido com uma história ampla e bem trabalhada, já que a série é bem difundida e adorada pelos fãs. Porém o que acabei descobrindo é que o novo game não conta com o brilho, charme ou carisma que eu imaginava que teria, oferecendo uma experiência comum e sem empolgação. Integrity and Faithlessness é o quinto game da franquia, que chega seis anos após Star Ocean: The Last Hope, jogo bem conceituado lançado para PlayStation 3 e Xbox 360.

Integrity and Faithlessness por sua vez chega ao Ocidente com versão apenas para PlayStation 4, apesar de no Japão ter sido lançado também para o PlayStation 3. Nele controlamos o jovem Fidel Camuze, que vive sua pacata vida na cidade costeira de Sthal. Assim como todos na cidade, o jovem vive sem saber do quão grandioso é o universo, desconhecendo que existem outros mundos e galáxias. No entanto, poucas horas de jogo adentro, o personagem e seus amigos são inseridos em uma trama que percorre todo o universo, em uma missão que envolve uma misteriosa e poderosa garotinha.

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O início do jogo é um de seus pontos fracos, tendo um ritmo demasiado lento e que não empolga fácil. O que é logo notável é a falta de carisma de Fidel e vários dos outros personagens que te acompanham. Talvez a divertida Mikki seja a mais carismática, já os outros membros da party nem tanto. A forma de conversa pode não ajudar nesse quesito, com os personagens mal movendo suas bocas para falar. O pior ainda são os casos em que conversas muito importantes acontecem no meio de batalhas, ou seja, são simplesmente impossíveis de acompanhar em meio à enorme confusão.

Devo ressaltar no entanto o ótimo sistema de batalha, este que é mais voltado para a ação, tornando-o empolgante e bonito de se ver. A barra do chamado “Reserve Rush” dá uma mecânica interessante ao jogo, permitindo que você a guarde para ganhar bônus variados dependendo da forma que você luta (foco em defesa, ataque fraco, ataque forte), ou usar a barra para um ataque especial devastador contra os inimigos. O grande problema das batalhas ficam por conta da confusão com a quantidade de personagens e monstros. Para ser bem efetivo durante o combate é necessário ver o tipo de ataque dos inimigos, como o ataque forte que brilha com uma aura azul. Porém com 6 personagens da party mais 3 inimigos por exemplo, fica difícil identificar a quem pertence determinada aura azul, já que todos usam seus ataques ao mesmo tempo.

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A possibilidade de trocar de personagem durante a batalha a qualquer momento é excelente, permitindo criar estratégias contra inimigos mais difíceis, como trocar para Mikki para controlar completamente seus poderes de cura. O sistema de evolução dos personagens também é interessante, utilizando de habilidades aprendidas com livros e os chamados “roles”, ou papéis, que concedem certos bônus para os personagens, como por exemplo +5% de ataque, ou +10% do poder de cura. Essas roles podem ser melhoradas subindo de nível simplesmente as usando, ou gastando os pontos de habilidade obtidos.

Em termos visuais o jogo tem partes bonitas, porém os gráficos parecem ter sido segurados, talvez pela questão de existir a versão para PS3 lançada no Japão. Apesar disso, é legal notar os detalhes nas roupas dos personagens, e também o ótimo design dos próprios personagens. As áreas de exploração são grandes, mas não dão a sensação de vida, com inimigos sempre nas mesmas posições e ás vezes bem distantes. As cidades talvez sejam os ambientes mais vivos, com diversos NPCs andando e lojas espalhadas. São nestas cidades que o jogador encontra os murais que oferecem uma infinidade de quests secundárias, que apesar da grande quantidade são simples e muitas vezes chatas de fazer.

Quests secundárias se resumem em coletas de itens, eliminação de um certo número de inimigos, buscar coisas e outros objetivos simples. Elas acabam ficando facilmente repetitivas, já que exigem que o jogador explore as mesmas áreas do mapa repetidas vezes, o que é ainda mais complicado já que em grande parte do jogo não há função de fast travel, recurso este liberado apenas em certos momentos. Outro ponto agravante é a escassez dos pontos em que se pode salvar o jogo. Assim como em RPGs antigos, o jogo só é salvo em pontos específicos. Ao morrer em batalha, é carregado o último save, já que não há o uso de checkpoints. E assim se torna necessário refazer todo o caminho até a luta perdida. Não preciso nem dizer o quanto isso é frustrante e ultrapassado, tornando qualquer missão secundária ainda mais chata de se fazer.

O jogo utiliza também um conceito chamado de “private actions”, ou ações privadas, que nada mais são do que diálogos com os outros personagens de sua party. Essas ações privadas funcionam de forma terrível e nem um pouco natural. Para executá-las, você deve entrar em um círculo marcado no mapa, quando os personagens irão todos se espalhar pela cidade. Você deve ir ao encontro deles em locais marcados no mapa, e ao chegar perto o diálogo é ativado. O grande problema é que muitas vezes existem várias conversas, o que exige que você entre no hotel da cidade, saia e entre no círculo novamente. Prepare-se para repetir este processo várias vezes até esgotar os diálogos privados de todos os personagens.

Talvez o grande problema de Integrity and Faithlessness seja em ter mantido vários conceitos antigos de RPGs japoneses, como personagens clichê, inimigos sempre nos mesmos locais, falta de checkpoints para salvar o progresso. É interessante ver que a história pode ser entendida mesmo sem conhecer nada da franquia, o que é bom para mim por exemplo, no entanto talvez isso também pode ter sido uma das falhas para tornar o jogo melhor. A falta de carisma dos personagens, a falha em demonstrar as motivações de cada um, as enormes áreas desoladas e os demais defeitos do jogo conseguem tirar todo o brilho do divertido sistema de combate, mesmo este sendo até confuso com muitos personagens, mas continua sendo o melhor elemento do jogo. Esta definitivamente não foi a melhor forma para iniciar na franquia Star Ocean.

  • Este review de Star Ocean: Integrity and Faithlessness foi feito no PlayStation 4 com uma cópia do game enviada para nós pela Square Enix.
Sendo um novato em jogos da franquia, comecei Star Ocean: Integrity and Faithlessness imaginando todo um universo muito bem estabelecido com uma história ampla e bem trabalhada, já que a série é bem difundida e adorada pelos fãs. Porém o que acabei descobrindo é que o novo game não conta com o brilho, charme ou carisma que eu imaginava que teria, oferecendo uma experiência comum e sem empolgação. Integrity and Faithlessness é o quinto game da franquia, que chega seis anos após Star Ocean: The Last Hope, jogo bem conceituado lançado para PlayStation 3 e Xbox 360. Integrity and Faithlessness por sua vez chega ao Ocidente com versão apenas para PlayStation 4, apesar de no Japão ter sido lançado também para o PlayStation 3. Nele controlamos o jovem Fidel Camuze, que vive sua pacata vida na cidade costeira de Sthal. Assim como todos na cidade, o jovem vive sem saber do quão grandioso é o universo, desconhecendo que existem outros mundos e galáxias. No entanto, poucas horas de jogo adentro, o personagem e seus amigos são inseridos em uma trama que percorre todo o universo, em uma missão que envolve uma misteriosa e poderosa garotinha. O início do jogo é um de seus pontos fracos, tendo um ritmo demasiado lento e que não empolga fácil. O que é logo notável é a falta de carisma de Fidel e vários dos outros personagens que te acompanham. Talvez a divertida Mikki seja a mais carismática, já os outros membros da party nem tanto. A forma de conversa pode não ajudar nesse quesito, com os personagens mal movendo suas bocas para falar. O pior ainda são os casos em que conversas muito importantes acontecem no meio de batalhas, ou seja, são simplesmente impossíveis de acompanhar em meio à enorme confusão. Devo ressaltar no entanto o ótimo sistema de batalha, este que é mais voltado para a ação, tornando-o empolgante e bonito de se ver. A barra do chamado "Reserve Rush" dá uma mecânica interessante ao jogo, permitindo que você a guarde para ganhar bônus variados dependendo da forma que você luta (foco em defesa, ataque fraco, ataque forte), ou usar a barra para um ataque especial devastador contra os inimigos. O grande problema das batalhas ficam por conta da confusão com a quantidade de personagens e monstros. Para ser bem efetivo durante o combate é necessário ver o tipo de ataque dos inimigos, como o ataque forte que brilha com uma aura azul. Porém com 6 personagens da party mais 3 inimigos por exemplo, fica difícil identificar a quem pertence determinada aura azul, já que todos usam seus ataques ao mesmo tempo. A possibilidade de trocar de personagem durante a batalha a qualquer momento é excelente, permitindo criar estratégias contra inimigos mais difíceis, como trocar para Mikki para controlar completamente seus poderes de cura. O sistema de evolução dos personagens também é interessante, utilizando de habilidades aprendidas com livros e os chamados "roles", ou papéis, que concedem certos bônus…

5

Medíocre

Veredito Final

O novo Star Ocean: Integrity and Faithlessness definitivamente não é o que fãs da série esperavam do primeiro jogo para a nova geração. Como um novato da franquia, vejo que este foi o pior momento para iniciar em Star Ocean, com um jogo que tem um início em ritmo lento, personagens pouco carismáticos, áreas de exploração grandes porém sem sensação de vida e quests secundárias simples e repetitivas. A possibilidade de entender a história sem conhecer o universo é um bom atrativo, porém pode ser a falha para aqueles conhecedores da franquia. Apesar de vários defeitos, o que se destaca mais é o sistema de combate, que apresenta uma forma de ação divertida e bonita de se ver, mesmo que ás vezes tudo se torne confuso em meio a batalha. A utilização de conceitos antigos de RPGs japoneses fazem do jogo uma experiência genérica, algo que hoje em dia não funciona mais tão bem, tendo em vista diversos outros modelos mais interessantes utilizados em jogos atuais. É difícil portanto recomendar Integrity and Faithlessness, jogo que talvez seja apreciado apenas por aqueles mais fanáticos pela série.

Nota

5

5

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.