Review – Song of the Deep – Não tão profundo

23 de julho de 2016

Tem sido cada vez mais comum ver estúdios que normalmente trabalham com jogos “AAA” se aventurando em estilos que normalmente ficam a cargo das desenvolvedoras independentes. Isso aconteceu por exemplo com Child of Light da Ubisoft, e I Am Setsuna da Square Enix. Agora foi a vez da Insomniac Games, conhecida por jogos como Ratchet & Clank e Sunset Overdrive, nos trazer sua visão de um jogo no excelente estilo comumente chamado de “metroidvania”, só que este se passa embaixo d’água. Song of the Deep é uma quase emotiva história de uma garota em busca de seu pai desaparecido.

Eu digo quase emotiva pelo simples motivo de que o jogo não consegue emocionar tanto o jogador quanto gostaria. A história é toda narrada pela perspectiva de uma pessoa de fora, que conta a história de Merryn, uma garotinha que após seu pai não ter voltado de uma de suas viagens marítimas, fica na beira de uma encosta rochosa olhando para o mar vazio, até que acaba dormindo. No dia seguinte, cansada de esperar, Merryn constrói um pequeno submarino para sair em busca de seu pai, e é nesse momento que a maior aventura de sua vida se inicia.

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A história não é o ponto forte do game, e acaba sendo muito simples e até um pouco infantil. Não há nenhum tipo de revira-volta ou momentos de surpresa, porém o que se destaca é a ótima narração, que dá pistas e mais contexto daquele universo, além de fazer uma relação dos seres e objetos encontrados por Merryn à histórias de civilizações antigas contadas por seu pai. A mitologia daquele mundo submarino se torna rica e interessante, dando vontade de conhecer mais das histórias.

Para estampar esse antigo mundo subaquático, o jogo conta com uma belíssima arte visual, repleta de detalhes e seres vivos em meio aos ambientes muitas vezes floridos ou até mecânicos em alguns pontos do game. O cenário parece ter ainda mais vida quando vemos plantas se movendo na frente da câmera, em alguns pontos tampando o submarino. Enquanto isso a trilha sonora ajuda a criar o clima tranquilo da vida submarina, mas ficando intensa nos cenários mais sombrios e amedrontradores, estes que são os meus preferidos, evocando tons fortes da trilha e que quase dão um calafrio. Só fica uma ressalva para a pouca variação das músicas, dando assim a impressão de serem repetitivas.

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Além do belo visual, outro grande destaque é o gameplay. A maior parte do tempo você estará controlando Merryn dentro de seu submarino, este que vai ganhando aos poucos novas armas e equipamentos. Dentre as armas estão a garra e vários tipos de torpedos, enquanto outros equipamentos incluem um sonar, hélice para nadar contra a correnteza e mais. Porém, após um certo tempo de jogo, Merryn ganha a habilidade de respirar embaixo d’água, ampliando assim as possibilidades de gameplay, com a garota podendo sair do submarino para alcançar áreas anteriormente impossíveis de chegar pelo tamanho do submarino. Isso adiciona uma mecânica legal, aumentando a possibilidade de puzzles.

Aqui chegamos no melhor aspecto do jogo, os puzzles. Estes são apresentados de forma criativa e inteligente, oferecendo um desafio na medida certa, nem muito fáceis e nem muito difíceis. Alguns te farão pensar por alguns minutos por uma solução, mas nada exagerado, sem causar frustração. Vários destes exigem a percepção do jogador para usar algum equipamento ou arma específica do submarino. Alguns dos melhores momentos do jogo são durante batalhes contra chefes, mas que infelizmente são muito poucas, apenas duas durante as seis horas de jogo. O game com certeza se beneficiaria com mais batalhas desse tipo, criando inclusive mais empolgação, já que ele se torna um pouco monótono em alguns pontos.

Apesar de a história levar os jogadores a pegarem as armas durante pontos específicos, cabe aos jogadores encontrarem melhorias para equipamentos, como melhorias do casco do submarino para aumentar a vida, ou até os itens que aumentam a energia chamada de tyne, permitindo disparar mais torpedos. Portanto aqueles jogadores mais exploradores são recompensados, seja com essas melhorias ou com tesouros espalhados por todo o cenário, muitas vezes bem escondidos, e que podem ser usados para comprar melhorias para a garra, torpedos, hélice e outros equipamentos do submarino.

Song of the Deep é um belo e competente jogo, porém com um potencial muito maior não aproveitado. Uma história mais emotiva e complexa só beneficiaria o game, além de mais batalhas de chefe, que são os pontos altos do jogo mas acontecem apenas duas vezes durante toda a história. O loading inicial chega a ser ridículo de tão demorado, mas pelo menos não há mais depois. Um problema que enfrentei em alguns momentos foi de o personagem ficar fora da tela, o que aconteceu em situações em que a câmera fica fixa. Há também pequena variação nos inimigos, você passará o jogo todo enfrentando principalmente peixes que jogam objetos e águas vivas que soltam choque. Mesmo assim, Song of the Deep é uma boa experiência que deve agradar os amantes do estilo metroidvania, principalmente pelo seu gameplay.

  • Este review de Song of the Deep foi feito no PS4 com uma cópia do game enviada para nós pela Insomniac Games.
Tem sido cada vez mais comum ver estúdios que normalmente trabalham com jogos "AAA" se aventurando em estilos que normalmente ficam a cargo das desenvolvedoras independentes. Isso aconteceu por exemplo com Child of Light da Ubisoft, e I Am Setsuna da Square Enix. Agora foi a vez da Insomniac Games, conhecida por jogos como Ratchet & Clank e Sunset Overdrive, nos trazer sua visão de um jogo no excelente estilo comumente chamado de "metroidvania", só que este se passa embaixo d'água. Song of the Deep é uma quase emotiva história de uma garota em busca de seu pai desaparecido. Eu digo quase emotiva pelo simples motivo de que o jogo não consegue emocionar tanto o jogador quanto gostaria. A história é toda narrada pela perspectiva de uma pessoa de fora, que conta a história de Merryn, uma garotinha que após seu pai não ter voltado de uma de suas viagens marítimas, fica na beira de uma encosta rochosa olhando para o mar vazio, até que acaba dormindo. No dia seguinte, cansada de esperar, Merryn constrói um pequeno submarino para sair em busca de seu pai, e é nesse momento que a maior aventura de sua vida se inicia. A história não é o ponto forte do game, e acaba sendo muito simples e até um pouco infantil. Não há nenhum tipo de revira-volta ou momentos de surpresa, porém o que se destaca é a ótima narração, que dá pistas e mais contexto daquele universo, além de fazer uma relação dos seres e objetos encontrados por Merryn à histórias de civilizações antigas contadas por seu pai. A mitologia daquele mundo submarino se torna rica e interessante, dando vontade de conhecer mais das histórias. Para estampar esse antigo mundo subaquático, o jogo conta com uma belíssima arte visual, repleta de detalhes e seres vivos em meio aos ambientes muitas vezes floridos ou até mecânicos em alguns pontos do game. O cenário parece ter ainda mais vida quando vemos plantas se movendo na frente da câmera, em alguns pontos tampando o submarino. Enquanto isso a trilha sonora ajuda a criar o clima tranquilo da vida submarina, mas ficando intensa nos cenários mais sombrios e amedrontradores, estes que são os meus preferidos, evocando tons fortes da trilha e que quase dão um calafrio. Só fica uma ressalva para a pouca variação das músicas, dando assim a impressão de serem repetitivas. Além do belo visual, outro grande destaque é o gameplay. A maior parte do tempo você estará controlando Merryn dentro de seu submarino, este que vai ganhando aos poucos novas armas e equipamentos. Dentre as armas estão a garra e vários tipos de torpedos, enquanto outros equipamentos incluem um sonar, hélice para nadar contra a correnteza e mais. Porém, após um certo tempo de jogo, Merryn ganha a habilidade de respirar embaixo d'água, ampliando assim as possibilidades de gameplay, com a garota podendo sair do submarino para alcançar áreas anteriormente impossíveis de chegar pelo tamanho do submarino. Isso adiciona uma mecânica…

7

Muito bom

Veredito Final

Song of the Deep é uma ótima abordagem do estilo metroidvania, porém que deixa um ar de potencial desperdiçado. A belíssima arte traz detalhes e vida ao mundo submarino do game, que conta ainda com trilha sonora que dá o clima perfeito, apesar de se tornar repetitiva depois de algum tempo. Um dos aspectos que poderia ser muito melhor é a história, mas ela acaba sendo simples até demais e beira o infantil. Os puzzles são inteligentes e criativos, assim como as emocionantes batalhas de chefe, mas que infelizmente são poucas. Já a jogabilidade é ótima, e funciona muito bem liberando armas e equipamentos aos poucos, o que por sua vez libera novas áreas anteriormente inacessíveis. Fica a esperança de que a Insomniac Games faça uma continuação para o game, acertando os erros do primeiro e aproveitando todo seu potencial.

Nota

7

7

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.