Review – SOMA – O aterrorizante impacto da existência

1 de outubro de 2015

Muitos jogos hoje em dia conseguem criar histórias interessantes, alguns destes ainda tem a capacidade de tornar estas histórias envolventes, cativantes e até cheia de reviravoltas. Porém, jogos como SOMA, que conseguem nos fazer pensar em questões filosóficas e questionar nossa própria existência durante toda a trama, são raríssimos. A Frictional Games ainda conseguiu tudo isso utilizando um jogo de terror como plano de fundo, que em nenhum momento tem a intenção de apenas assustar. SOMA reflete com perfeição a situação desesperadora e cheia de questionamentos do protagonista, junte isto a um ambiente desolador e brutal, e você tem a fórmula perfeita para um jogo de terror brilhante.

A Frictional Games é mais conhecida pelo excelente Amnesia: The Dark Descent, que inicialmente divide vários elementos com SOMA. No game, controlamos Simon Jarrett, um cara comum, que sofreu um terrível acidente de trânsito e acorda em uma instalação de pesquisa submarina, chamada Pathos-2. Enquanto Simon explora Pathos-2 ele vai aos poucos descobrindo como chegou ali e o propósito daquela instalação. Simon não é um protagonista memorável nem mesmo interessante, mas a sua inocência e a falta de uma personalidade mais forte, serve perfeitamente para espelhar nós jogadores e como lidamos com tudo que se passa em Pathos-2 ao longo das pouco mais de 8 horas de jogo.

A sensação de impotência diante do perigo é parte importante do gameplay de SOMA, o que torna Pathos-2 ainda mais opressora e a situação de Simon ainda mais desesperadora.

A presença mais memorável do jogo é a própria Pathos-2 com suas estruturas metálicas enferrujadas, salas escuras, manchas de sangue e óleo por todos os lados e máquinas estranhas. Logo de início fica bem claro que algo terrível e aterrorizante aconteceu por ali e fica impossível revelar mais detalhes sem dar spoilers. Dependendo da sua experiência com jogos de terror, a primeira hora de SOMA pode ser familiar, aonde você explora os ambientes sempre com medo de que algo vai sair das sombras para te atacar. Mas o game não fica preso a sustos baratos ou criaturas que pulam das sombras, o terror de SOMA é muito mais psicológico, o que na minha opinião o faz muito mais efetivo.

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Um dos elementos mais interessantes de Amnesia e que ajudaram a redefinir o gênero de terror nos últimos anos, é o fato de você não ter acesso a nenhuma arma e por isto não conseguir enfrentar ou eliminar inimigos, se limitando apenas a esconder, fugir ou passar despercebido. Esta sensação de impotência diante do perigo também é parte do gameplay de SOMA, o que torna este universo de ficção científica ainda mais opressor e a situação de Simon ainda mais desesperadora. O gameplay se limita a andar, correr, pular, agachar e interagir com os milhares (literalmente) de objetos no cenário.

Ao longo da jornada, Simon tem acesso a certas “caixas pretas” que revelam detalhes do que aconteceu ali, além de inúmeros documentos, fotos, tablets e computadores, todos com informações revelantes e que juntos ajudam a criar a narrativa de SOMA. A interação também serve para resolver diversos quebra-cabeças que auxiliam na progressão, como abrir portas ou acessar roupas de mergulho para a área externa. Não é preciso dizer que SOMA recompensa a exploração e aqueles que gastarem um tempo investigando terão uma experiência ainda mais profunda.

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Cada área de Pathos-2 consegue passar com competência seu propósito. Como exemplo, na instalação médica você encontrará macas, jalecos, raios-x, além de vários equipamentos e informações que ajudam a compor a terrível história daquele local específico. As cenas na área externa, no solo oceânico, são ainda mais opressoras e aonde os momentos de mais ação do jogo acontecem. O excelente trabalho gráfico é extremamente detalhista e cria um ambiente que, por mais desolador que seja, te relembra constantemente da presença humana em um passado próximo. Os efeitos de câmera quando o protagonista está machucado ou se aproxima de algum perigo também funcionam muito bem, te deixando ainda mais apreensivo e novamente passando a sensação de desespero e impotência.

Outro destaque importante de SOMA é sua edição de som. Os efeitos sonoros, como barulhos de metal, óleo pingando, a estrutura sendo balançada pelo oceano e principalmente o aterrorizante som emitido por inimigos, criam uma sensação de imersão incrível. O trabalho de dublagem também é especialmente excelente. Tudo isto ainda se intensifica gradativamente a medida que você avança na história, o que combina perfeitamente com o ritmo da narrativa.

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Jogar no PC com fone de ouvido é talvez a melhor forma de aproveitar o jogo, já que o mesmo sofre com alguns problemas de performance no PlayStation 4 (melhorados levemente com a atualização mais recente). Mas isto não é motivo para abrir mão do jogo no console da Sony, já que o game vai muito além de detalhes técnicos. SOMA entrega uma história envolvente e recompensadora, recheada de questões filosóficas e decisões agoniantes que te fazem pensar e questionar sua própria existência. Sem utilizar clichês do gênero, a Frictional Games deixa novamente sua marca no mundo dos jogos de terror (desta vez ainda mais profunda) e SOMA merece definitivamente ser experimentado por todos.

  • Este review de SOMA foi feito no PlayStation 4, com uma cópia do game enviada para nós pela Frictional Games.
Muitos jogos hoje em dia conseguem criar histórias interessantes, alguns destes ainda tem a capacidade de tornar estas histórias envolventes, cativantes e até cheia de reviravoltas. Porém, jogos como SOMA, que conseguem nos fazer pensar em questões filosóficas e questionar nossa própria existência durante toda a trama, são raríssimos. A Frictional Games ainda conseguiu tudo isso utilizando um jogo de terror como plano de fundo, que em nenhum momento tem a intenção de apenas assustar. SOMA reflete com perfeição a situação desesperadora e cheia de questionamentos do protagonista, junte isto a um ambiente desolador e brutal, e você tem a fórmula perfeita para um jogo de terror brilhante. A Frictional Games é mais conhecida pelo excelente Amnesia: The Dark Descent, que inicialmente divide vários elementos com SOMA. No game, controlamos Simon Jarrett, um cara comum, que sofreu um terrível acidente de trânsito e acorda em uma instalação de pesquisa submarina, chamada Pathos-2. Enquanto Simon explora Pathos-2 ele vai aos poucos descobrindo como chegou ali e o propósito daquela instalação. Simon não é um protagonista memorável nem mesmo interessante, mas a sua inocência e a falta de uma personalidade mais forte, serve perfeitamente para espelhar nós jogadores e como lidamos com tudo que se passa em Pathos-2 ao longo das pouco mais de 8 horas de jogo. A sensação de impotência diante do perigo é parte importante do gameplay de SOMA, o que torna Pathos-2 ainda mais opressora e a situação de Simon ainda mais desesperadora. A presença mais memorável do jogo é a própria Pathos-2 com suas estruturas metálicas enferrujadas, salas escuras, manchas de sangue e óleo por todos os lados e máquinas estranhas. Logo de início fica bem claro que algo terrível e aterrorizante aconteceu por ali e fica impossível revelar mais detalhes sem dar spoilers. Dependendo da sua experiência com jogos de terror, a primeira hora de SOMA pode ser familiar, aonde você explora os ambientes sempre com medo de que algo vai sair das sombras para te atacar. Mas o game não fica preso a sustos baratos ou criaturas que pulam das sombras, o terror de SOMA é muito mais psicológico, o que na minha opinião o faz muito mais efetivo. Um dos elementos mais interessantes de Amnesia e que ajudaram a redefinir o gênero de terror nos últimos anos, é o fato de você não ter acesso a nenhuma arma e por isto não conseguir enfrentar ou eliminar inimigos, se limitando apenas a esconder, fugir ou passar despercebido. Esta sensação de impotência diante do perigo também é parte do gameplay de SOMA, o que torna este universo de ficção científica ainda mais opressor e a situação de Simon ainda mais desesperadora. O gameplay se limita a andar, correr, pular, agachar e interagir com os milhares (literalmente) de objetos no cenário. Ao longo da jornada, Simon tem acesso a certas "caixas pretas" que revelam detalhes do que aconteceu ali, além de inúmeros documentos, fotos, tablets e computadores, todos com informações revelantes e que juntos ajudam a criar a narrativa de SOMA. A interação também serve para…

9

Fantástico!

Veredito Final

O mais recente game dos criadores de Amnesia é uma aula de narrativa em jogos de terror. SOMA é recheado de questões filosóficas e decisões agoniantes que te fazem pensar e questionar sua própria existência. Junto a isso ainda temos uma ambientação desoladora, brutal e rica em detalhes, além de um dos melhores trabalhos de edição de som dos últimos anos, criando a fórmula perfeita para um jogo de terror brilhante. A Frictional Games abriu mão de clichês do gênero, optando por um terror psicológico que na minha opinião é muito mais eficiente. Mesmo com alguns problemas de performance no PlayStation 4, SOMA é obrigatório para fãs ou não do estilo e definitivamente o melhor terror do ano até aqui.

Nota
9

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.