Review – Oxenfree – Drama sobrenatural adolescente

4 de fevereiro de 2016

O primeiro game da Night School Studio talvez não estava no radar de muita gente para este ano, mas com certeza estava no meu e espero que este review possa te ajudar a “sintonizar” sua atenção em Oxenfree. A desenvolvedora responsável foi formada por ex-funcionários da Telltale Games e da Disney, uma combinação inteligente de talento para contar histórias e para criar belos mundos em desenho. A inspiração em seus trabalhos anteriores é facilmente perceptível em todos os momentos de Oxenfree, com milhares de diálogos, decisões importantes, consequências, uma história envolvente e intrigante, e uma ambientação belíssima, com cenários pintados a mão em aquarela.

Antes de mergulharmos no que faz Oxenfree tão divertido, é melhor eu explicar do que se trata. O game de aventura se passa em uma ilha abandonada, aonde um grupo de adolescentes resolve passar a noite se divertindo. O grupo é formado pela protagonista Alex, seu melhor amigo Ren, seu novo meio-irmão Jonas e mais duas amigas (Nona e Clarissa). Tudo parece normal, até que o grupo começa a investigar mistérios da ilha e descobrem uma fenda sobrenatural. A partir desta premissa fica fácil imaginar como o jogo poderia cair imediatamente em uma série de clichês do gênero de terror adolescente, mas felizmente o fantástico roteiro e o carisma dos personagens fazem Oxenfree ser bastante diferente.

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Mesmo sendo adolescentes, os personagens são muito bem escritos e não se encaixam em certas convenções da idade. A forma como as conversas ocorrem é quase sempre sincera, inteligente e nos faz querer saber mais e mais sobre os problemas e histórias de cada um. Alex lida com a morte de seu irmão e o novo casamento de sua mãe, enquanto Jonas lida com o falecimento de sua mãe, Clarissa ainda guarda muito rancor pela morte de seu namorado, etc. Todas situações trágicas, mas bem reais, e mesmo contando com certas doses de drama adolescente (como Ren apaixonado por Nona), o jogo consegue encaixar estes elementos de forma muito natural durante toda a trama.

Um dos principais destaques do jogo são os diálogos, todos dublados com competência. Inspirado por jogos da Telltale, o game ainda conta com uma infinidade de opções de resposta que podem afetar ou não a forma como personagens te enxergam, como certas situações ocorrem e definir o resultado final do game. A forma como as conversas ocorrem no jogo também é bem diferente do padrão. Tudo acontece enquanto você explora, sem pausas e você pode interromper, ficar calado ou até perder alguma resposta pois muitos estão falando ao mesmo tempo. A princípio isto pode parecer confuso, mas a medida que o jogo se desenrola, esta simulação de uma conversa de verdade se torna um dos destaques de Oxenfree.

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Os diálogos servem de base para o fantástico roteiro do jogo, que conta uma história envolvente e intrigante. Mesmo sendo sobrenatural e com pitadas de terror, em nenhum momento o jogo cai em convenções do gênero. Aqui o suspense é psicológico, inteligente e que nos faz querer saber cada vez mais o que está acontecendo naquela ilha. As respostas e reações da própria protagonista também servem de termômetro para certas situações e refletem brilhantemente o nosso próprio sentimento. Como exemplo, em nenhum momento do jogo fiquei frustrado por não poder responder de certa forma, os balões de diálogo em cima da cabeça de Alex conseguiam sempre me deixar satisfeito com minhas escolhas.

Por ser um jogo de aventura, é natural contar com poucos elementos de gameplay e Oxenfree não é diferente. A principal mecânica de jogo acontece utilizando um rádio que quando sintonizado na frequência certa ajuda a solucionar alguns quebra-cabeças, abrir portas e desvendar mistérios. O resto do jogo acontece basicamente ao caminhar pelos diversos cenários, com alguns poucos colecionáveis que contam a história da ilha e ajudam a entender o que está acontecendo. A falta de mais complexidade pode desagradar certos jogadores que buscam um adventure mais robusto. Oxenfree prefere se apoiar em seus inúmeros diálogos, o que é uma opção bastante corajosa, já que se mal feito, poderia deixar o jogo rapidamente entediante. Porém a Night School Studio fez um excelente trabalho e Oxenfree é constantemente envolvente.

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Também é preciso destacar a fantástica ambientação e os belos gráficos de Oxenfree. Tudo parece pintado a mão e cada região da ilha é facilmente reconhecível apenas pela tonalidade de cores utilizada. Os efeitos gráficos quando se sintoniza o rádio na frequência certa ou quando acontecem flashbacks e outras coisas misteriosas, são muito bem elaborados, conseguindo prender a atenção sem usar truques baratos como sustos. O uso de efeitos sonoros em todos estes momentos também é executado com brilhantismo e a trilha sonora sombria ajuda a dar o tom de cada cenário e cada situação.

De forma semelhante a trabalhos da Telltale e jogos como Life is Strange, as variações na narrativa devido as suas escolhas em diálogos são diversas. Porém, nada é feito com excesso ou com muita complexidade (não espere que o game irá virar do avesso). Oxenfree pode ter vários finais que mudam de acordo com o destino de cada personagem, dependendo das suas ações e respostas durante o game. A mecânica de escolhas e consequências é muito bem feita e o jogo nunca deixa muito na cara qual será o resultado final. Por isto não espere frases do tipo “tal personagem não gostou disso”, presente em tantos jogos da Telltale. Oxenfree prefere deixar o jogador interpretar se o que foi escolhido terá impacto ou não na história.

Oxenfree é bastante curto, por volta de 4 a 5 horas, mas estas são suficientes para concluir com qualidade a história de Alex e seus amigos. Talvez o único detalhe frustrante é que mesmo com os inúmeros finais, as mudanças decorrentes de suas escolhas não são tão significativas para justificar uma segunda ou terceira jogada. O fato do jogo não ter tradução em nenhuma outra língua também pode afastar jogadores e esta falta de legendas adicionais não é algo muito comum de se ver atualmente (mesmo para jogos independentes). A esperança é que a Night School possa incluir mais línguas em seu adventure no futuro, para que todos possam conhecer esta excelente história e esta fantástica e intrigante aventura.

  • Este review de Oxenfree foi feito no PC com uma cópia do game enviada para nós pela Night School Studio.
O primeiro game da Night School Studio talvez não estava no radar de muita gente para este ano, mas com certeza estava no meu e espero que este review possa te ajudar a "sintonizar" sua atenção em Oxenfree. A desenvolvedora responsável foi formada por ex-funcionários da Telltale Games e da Disney, uma combinação inteligente de talento para contar histórias e para criar belos mundos em desenho. A inspiração em seus trabalhos anteriores é facilmente perceptível em todos os momentos de Oxenfree, com milhares de diálogos, decisões importantes, consequências, uma história envolvente e intrigante, e uma ambientação belíssima, com cenários pintados a mão em aquarela. Antes de mergulharmos no que faz Oxenfree tão divertido, é melhor eu explicar do que se trata. O game de aventura se passa em uma ilha abandonada, aonde um grupo de adolescentes resolve passar a noite se divertindo. O grupo é formado pela protagonista Alex, seu melhor amigo Ren, seu novo meio-irmão Jonas e mais duas amigas (Nona e Clarissa). Tudo parece normal, até que o grupo começa a investigar mistérios da ilha e descobrem uma fenda sobrenatural. A partir desta premissa fica fácil imaginar como o jogo poderia cair imediatamente em uma série de clichês do gênero de terror adolescente, mas felizmente o fantástico roteiro e o carisma dos personagens fazem Oxenfree ser bastante diferente. Mesmo sendo adolescentes, os personagens são muito bem escritos e não se encaixam em certas convenções da idade. A forma como as conversas ocorrem é quase sempre sincera, inteligente e nos faz querer saber mais e mais sobre os problemas e histórias de cada um. Alex lida com a morte de seu irmão e o novo casamento de sua mãe, enquanto Jonas lida com o falecimento de sua mãe, Clarissa ainda guarda muito rancor pela morte de seu namorado, etc. Todas situações trágicas, mas bem reais, e mesmo contando com certas doses de drama adolescente (como Ren apaixonado por Nona), o jogo consegue encaixar estes elementos de forma muito natural durante toda a trama. Um dos principais destaques do jogo são os diálogos, todos dublados com competência. Inspirado por jogos da Telltale, o game ainda conta com uma infinidade de opções de resposta que podem afetar ou não a forma como personagens te enxergam, como certas situações ocorrem e definir o resultado final do game. A forma como as conversas ocorrem no jogo também é bem diferente do padrão. Tudo acontece enquanto você explora, sem pausas e você pode interromper, ficar calado ou até perder alguma resposta pois muitos estão falando ao mesmo tempo. A princípio isto pode parecer confuso, mas a medida que o jogo se desenrola, esta simulação de uma conversa de verdade se torna um dos destaques de Oxenfree. Os diálogos servem de base para o fantástico roteiro do jogo, que conta uma história envolvente e intrigante. Mesmo sendo sobrenatural e com pitadas de terror, em nenhum momento o jogo cai em convenções do gênero. Aqui o suspense é psicológico, inteligente e que nos faz querer saber cada vez mais o…

8.7

Excelente

Veredito Final

A qualidade de Oxenfree está nos seus carismáticos personagens, na sua história intrigante e envolvente e também nos belíssimos gráficos e cenários pintados a mão. A forma com os diálogos se desenrolam, sem pausas, simulando uma conversa de verdade é inteligente e um dos destaques do jogo. Mesmo contando com poucos elementos de gameplay, a opção corajosa da Night School Studio de apoiar sua história na interação e conversas entre os personagens, é muito bem executada e o jogo não é monótono em nenhum momento. As consequências das suas escolhas são diversas e afetam os inúmeros finais, mas ao mesmo tempo não são tão significativas para justificar uma nova jogada. A única frustração é o game não contar com legendas em outra língua, o que impede que o mesmo seja aproveitado por um número maior de jogadores.

Nota
9

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.