Review – No Man’s Sky – O céu não é para todos

22 de agosto de 2016

O hype por trás de No Man’s Sky nos últimos anos foi algo sem precedentes na indústria. Desde que o game foi apresentado em 2013 durante uma horrível (e extinta) VGX, jornalistas, sites especializados e jogadores começaram a se derreter, mesmo com a Hello Games nunca tendo explicado perfeitamente o que se faria no literal universo do jogo. Talvez a forma vaga como o game foi explicado ao longo dos anos, serviu para manter o hype nas alturas, já que abre espaço para que todos possam sonhar com as possibilidades do game. Não é preciso dizer que No Man’s Sky estava fadado a não atender todas as expectativas e isto foi confirmado minutos após seu lançamento.

O game de exploração espacial, basicamente infinito, com seus quintilhões de planetas gerados proceduralmente, te coloca no papel de um “mochileiro” das galáxias (sem relação com os fantásticos livros de Douglas Adams) e você acorda em um planeta com sua nave precisando de reparos antes que possa levantar voo. Equipado somente com um traje de proteção e um laser de mineração, você deve caminhar pelo planeta inicial em busca de recursos para sobreviver, concertar a nave e decolar para explorar o infinito universo. Cada jogador acorda em um planeta diferente e tudo o que é descoberto a partir dali (sejam plantas, animais, sistemas solares ou novos planetas) pode ser renomeado e marcado como seu.

Antes de mais nada é preciso elogiar o fato de que No Man’s Sky jamais pega na sua mão. Os tutoriais são mínimos, explicam somente o básico, e os mais desatentos (ou preguiçosos) podem facilmente passar dificuldades logo no primeiro planeta. Inúmeras mecânicas de jogo são descobertas na tentativa e erro ou usando o próprio poder de dedução. Em um mundo atual aonde a maioria das coisas é entregue de mão beijada e em doses homeopáticas ao jogador, é preciso admirar jogos que evitam este caminho. No início me senti sobrecarregado de informações e detalhes para ficar atento, mas com um pouco de intuição, prática e sorte, logo me vi saindo do planeta inicial rumo a imensidão do espaço sideral.

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A sensação de liberdade que o game te oferece logo de cara assusta mas é revigorante. Sobrevoar seu planeta inicial pela primeira vez e ver a sua imensidão é só o primeiro passo para entender o que a Hello Games quis dizer com “infinito”. Os efeitos gráficos quando se entra e sai de uma atmosfera, ou quando se viaja em alta velocidade entre planetas são impressionantes e confesso que de início é difícil se acostumar com as enormes distâncias, já que tudo é tão gigantesco.

Para aqueles que, assim como eu, gostam de liberdade e exploração, viajar entre sistemas solares e encontrar novos planetas, luas, animais e ecossistemas nunca é entediante. Mesmo encontrando vários planetas áridos pelo caminho, somos sempre recompensados quando pousamos em um repleto de vegetação, recursos e animais. A Hello Games fez um excelente trabalho com a arte do jogo e descobrir novas paisagens belíssimas para tirar foto se tornou um das minhas atividades favoritas. A música e efeitos sonoros também se encaixam muito bem com cada ambientação do game e é preciso admirar como cada planeta é repleto de sons diferentes, sejam de animais distantes ou de uma tempestade de gelo.

Os problemas de No Man’s Sky geralmente começam com seu gameplay repetitivo. Por mais que temos quintilhões de planos de fundo para explorar, o que se faz em cada planeta ou cada sistema se repete constantemente e o jogo jamais te surpreende. Mesmo após as minhas mais de 60 horas, eu ainda estava fazendo exatamente a mesma coisa que fiz em meu primeiro planeta: procurando recursos, encontrando alienígenas, comprando e vendendo itens no mercado galáctico e aprendendo novas palavras dos idiomas alienígenas. No início ainda tive a motivação de encontrar formas de expandir meu inventário, conseguir uma nova nave, melhorar meu laser de mineração e ganhar dinheiro.

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Porém, uma vez que você se sinta satisfeito com o que possui, resta muito pouco para se fazer. O game ainda te oferece dois objetivos principais que podem ou não ser seguidos: chegar ao centro da galáxia ou seguir o caminho do Atlas. Este segundo é bem mais fácil que o primeiro e te leva por um caminho curioso, filosófico, mas que jamais envolve ou encanta. Este objetivo para mim foi somente uma série de encontros semelhantes e um amontoado de frases com pouco sentido. Encontrar o centro da galáxia porém, é algo bem mais complexo e demorado. Se eu fosse continuar neste caminho antes de escrever este review, vocês estariam lendo isto em Dezembro.

Independente dos objetivos principais, você estará fazendo as mesmas coisas que citei acima. Mesmo em planetas mais próximos do centro, ou aqueles considerados mais difíceis de se chegar, No Man’s Sky jamais surpreende. Pulei de sistema solar incontáveis vezes na esperança de encontrar animais gigantescos (como nos trailers), ou ruínas que iriam me ensinar mais do que uma palavra, ou aliens com tecnologias diferentes para me dar e jamais tive sucesso. Com o tempo, a impressionante tecnologia procedural de No Man’s Sky começa a cansar e planetas não mais parecem tão diferentes um dos outros. Este universo vendido como infinito começa a ficar bem menor.

O tempo gasto para chegar neste ponto vai variar de jogador para jogador. Muitos vão considerar o jogo entediante com poucas horas, outros vão começar a se cansar com 50 horas e outros vão jogar pelo resto do ano sem problemas. Por isto, assim como diz o título deste review, o céu de No Man’s Sky não é para todos. Aqueles mais acostumados com os “quintilhões” de jogos de ação em mundo aberto que recebemos anualmente, irão considerar No Man’s Sky entendiante por sua falta de objetivos claros e história pouco concisa. Quem comprar o jogo pensando que o mesmo terá um excelente e dinâmico sistema de combate espacial e terrestre, também ficará desapontado e entediado.

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Usando uma metáfora bem simples, No Man’s Sky é o equivalente a uma caminhada na floresta ou um passeio de carro por uma estrada bucólica. Se você é daqueles que preferiria estar descendo a montanha de bicicleta em alta velocidade ou apostando uma corrida com os amigos, No Man’s Sky não é um jogo para você. Porém, esta natureza mais contemplativa do game jamais deve ser considerada como um problema e sim como uma das suas características. Eu particularmente achei toda a minha experiência tranquilizante e agradável, mesmo com a repetição. O game gastou sessenta horas para começar a me entediar, por isso considero a experiência como um todo de forma positiva.

Alguns outros detalhes já foram (ou devem ser) corrigidos pela Hello Games, mas não posso deixar passar em branco. Os inúmeros travamentos que tive no PlayStation 4 foram extremamente frustrantes e o mesmo tem acontecido com muitos jogadores no PC, que vem enfrentando outros diversos tipos de problemas (para muitos outros o jogo tem funcionado perfeitamente). O sistema de gerenciamento de inventário é absurdamente ridículo, nos forçando a passar horas trocando itens e upgrades de posição em uma interface não muito ágil. O combate espacial é simplório e sem muitos recursos, muitas vezes me vi evitando batalhas, para não gastar vários minutos atirando a esmo em naves inimigas.

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Com isto, fica dificílimo saber se devo recomendar o game ou não. Primeiro que não existe outro no estilo para compará-lo e definir No Man’s Sky é uma tarefa complexa. Estamos muito acostumados a ver tudo como um produto, com uma série de regras e expectativas. Quando algo não atende estes nossos pré-conceitos, nos sentimos trapaceados. Quem enxergar o jogo da Hello Games desta forma, com certeza encontrará uma série de problemas. Porém, quando consideramos (e aproveitamos) No Man’s Sky como uma experiência, o resultado é bem mais positivo e encantador.

O único conselho que posso passar com este review é que antes de comprar o jogo, você tem que aceitá-lo pelo o que ele não é. No Man’s Sky não é Minecraft, Elite: Dangerous, Mass Effect, Eve: Valkyrie ou qualquer simulador espacial que você lembre com carinho. No Man’s Sky é uma experiência totalmente diferente, um game que nunca pega na sua mão e jamais te considera o centro da galáxia, como muitos jogos hoje em dia fazem. No Man’s Sky não aprofunda em nenhuma das suas mecânicas de gameplay, mas tem o potencial de te oferecer quintilhões de boas recordações.

  • Este review de No Man’s Sky oi feito no PlayStation 4 com uma cópia do game comprada por nós.
O hype por trás de No Man's Sky nos últimos anos foi algo sem precedentes na indústria. Desde que o game foi apresentado em 2013 durante uma horrível (e extinta) VGX, jornalistas, sites especializados e jogadores começaram a se derreter, mesmo com a Hello Games nunca tendo explicado perfeitamente o que se faria no literal universo do jogo. Talvez a forma vaga como o game foi explicado ao longo dos anos, serviu para manter o hype nas alturas, já que abre espaço para que todos possam sonhar com as possibilidades do game. Não é preciso dizer que No Man's Sky estava fadado a não atender todas as expectativas e isto foi confirmado minutos após seu lançamento. O game de exploração espacial, basicamente infinito, com seus quintilhões de planetas gerados proceduralmente, te coloca no papel de um "mochileiro" das galáxias (sem relação com os fantásticos livros de Douglas Adams) e você acorda em um planeta com sua nave precisando de reparos antes que possa levantar voo. Equipado somente com um traje de proteção e um laser de mineração, você deve caminhar pelo planeta inicial em busca de recursos para sobreviver, concertar a nave e decolar para explorar o infinito universo. Cada jogador acorda em um planeta diferente e tudo o que é descoberto a partir dali (sejam plantas, animais, sistemas solares ou novos planetas) pode ser renomeado e marcado como seu. Antes de mais nada é preciso elogiar o fato de que No Man's Sky jamais pega na sua mão. Os tutoriais são mínimos, explicam somente o básico, e os mais desatentos (ou preguiçosos) podem facilmente passar dificuldades logo no primeiro planeta. Inúmeras mecânicas de jogo são descobertas na tentativa e erro ou usando o próprio poder de dedução. Em um mundo atual aonde a maioria das coisas é entregue de mão beijada e em doses homeopáticas ao jogador, é preciso admirar jogos que evitam este caminho. No início me senti sobrecarregado de informações e detalhes para ficar atento, mas com um pouco de intuição, prática e sorte, logo me vi saindo do planeta inicial rumo a imensidão do espaço sideral. A sensação de liberdade que o game te oferece logo de cara assusta mas é revigorante. Sobrevoar seu planeta inicial pela primeira vez e ver a sua imensidão é só o primeiro passo para entender o que a Hello Games quis dizer com "infinito". Os efeitos gráficos quando se entra e sai de uma atmosfera, ou quando se viaja em alta velocidade entre planetas são impressionantes e confesso que de início é difícil se acostumar com as enormes distâncias, já que tudo é tão gigantesco. Para aqueles que, assim como eu, gostam de liberdade e exploração, viajar entre sistemas solares e encontrar novos planetas, luas, animais e ecossistemas nunca é entediante. Mesmo encontrando vários planetas áridos pelo caminho, somos sempre recompensados quando pousamos em um repleto de vegetação, recursos e animais. A Hello Games fez um excelente trabalho com a arte do jogo e descobrir novas paisagens belíssimas para tirar foto…

7

Muito Bom

Veredito Final

No Man's Sky é um jogo complexo de se explicar e definir. Esta dificuldade aliada ao hype gerado nos últimos anos, serviu só para criar falsas expectativas em cima do simulador espacial da pequena Hello Games. Mesmo não realizando todos os sonhos dos jogadores, No Man's Sky deve ser elogiado por diversos fatores. O jogo corajosamente foge do padrão atual do mercado e jamais pega na sua mão ou te considera o centro do universo. A sensação de liberdade oferecida logo de cara assusta mas é revigorante. Levantar voo pela primeira vez e começar a entender a imensidão dos planetas e do universo é só o começo da experiência. Infelizmente, o gameplay repetitivo e sem surpresas tem potencial de fazer o game ficar entendiante, mas isto irá variar bastante entre cada estilo de jogador. Antes de comprar o game, você deve aceitá-lo pelo o que ele não é e enxergá-lo como uma experiência e não como um produto cheio de regras e pré-conceitos. No Man's Sky pode não ser o que todos queriam, mas tem potencial de gerar quintilhões de boas lembranças.

Nota
7

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.