Review – Life is Strange – Episódio 5: Polarized

(Atenção, caso você não tenha jogado os episódios anteriores, este review terá alguns spoilers inevitáveis).

Enfim chegamos a conclusão da história de Max, Chloe e Arcadia Bay. Após nove meses e cinco capítulos a Dontnod finaliza sua história que, mesmo com altos e baixos, conseguiu cativar, emocionar e mostrar que Life is Strange é uma das boas surpresas do ano. Após o final impactante e revelador de Dark Room (o episódio quatro), mencionei em meu review que tinha um certo receio do jogo eliminar rapidamente todo aquele drama, através dos poderes de volta ao tempo da nossa protagonista. Felizmente eu não estava 100% correto, já que em Polarized, Max tenta realmente voltar para corrigir o que aconteceu, mas logo se vê envolvida em um labirinto temporal, muito mais preocupante que seu problema inicial.

O capítulo se inicia com Max nas mãos do verdadeiro vilão do jogo. As cenas e diálogos internos que se seguem ajudam a mostrar com competência o desespero/raiva da nossa heroína e a situação doentia que ela se encontra. Porém, o tal vilão psicopata é representado de forma muito cartunesca, o mesmo inclusive revela seu plano maligno para Max (faltou somente a risada maligna). A boa notícia é que a cena não dura muito e logo somos levados para caminhos ainda mais tortuosos que mergulham nos medos e no subconsciente da jovem protagonista.

Grande parte deste quinto capítulo se passa entre realidades diferentes. Isto acontece devido aos poderes que Max descobre no terceiro episódio, aonde ela consegue utilizar uma foto para voltar para aquele momento específico, criando uma realidade alternativa. A constante alternância entre fotos durante a primeira metade do jogo é muito bem realizada e não chega a ser confusa, mesmo acontecendo inúmeras vezes. Temos pouco tempo para absorver cada realidade que Max se encontra, mas ao mesmo tempo somos colocados em situações familiares. Desta vez, porém, tudo tem uma tonalidade mais escura e urgente. Isto altera os comentários, diálogos internos e diálogos com outros personagens, dando uma sensação diferente e bastante interessante mesmo em cenas recicladas.

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Na metade final do jogo, Max se encontra em uma situação terrível e calamitosa, muito bem montada e executada pela Dontnod. Porém, enquanto algumas pessoas estão genuinamente desesperadas, outras parecem reagir de forma natural ao desastre, o que gera diálogos estranhos e desnecessários. Em um momento em particular, Max tem tempo inclusive para sentar e pensar na vida, o que não encaixa com o que você está vendo acontecer ao seu redor. Neste ponto também, você tem a opção de “salvar” determinados personagens, Max inclusive reforça isto com seus pensamentos. Mas a constante mudança de realidade, faz com que estas ações sejam sem sentido e me vi constantemente perguntando “porque”.

Com relação a certos personagens secundários, algo que elogiei bastante nos capítulos anteriores, é como Life is Strange desenvolveu com qualidade a história destes e me fez preocupar e querer saber mais sobre os mesmos. Infelizmente, neste quinto episódio, Victoria, Nathan e outros são praticamente deixados de lado e não tem importância nenhuma. Fica a sensação de que minhas escolhas passadas de nada adiantaram. No meu caso fiquei decepcionado principalmente por Victoria, a qual sempre tentei entender melhor e reforçar que bullying não era algo positivo. Até o quarto episódio achei que minhas ações estavam dando resultado, mas infelizmente a garota popular desaparece quase por completo.

Mesmo com algumas críticas a certos elementos da história, este quinto episódio de Life is Strange tem ótimas qualidades. Destaque para a bizarra sequência final, aonde a mente de Max está confusa e o que vemos é um reflexo dos seus medos e do seu subconsciente. Algumas destas cenas chegam a ser geniais, mas não posso citar muitos exemplos para não gerar spoilers. Dependendo da sua “sorte” ou habilidade, uma destas sequências (que envolve “stealth” e aonde Max deve desviar de algumas lanternas) pode ser bastante frustrante, mas confesso que durante meu jogo não tive nenhum problema.

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Em outra, Max navega por uma série de memórias de Chloe. Toda a sequência é muito bem montada e inteligente, mas se estende sem necessidade. O jogo parece querer te forçar a relembrar cada momento com a garota, para te preparar para a escolha final, mas após todos estes capítulos investidos neste relacionamento (que é o ponto central de Life is Strange), quem chegou até ali já tem sua opinião sobre Chloe formada há muito tempo. Talvez a intenção da Dontnod era que a decisão final, que vem logo em seguida, causasse ainda mais impacto, porém não senti que isto tenha me afetado.

A escolha final em si é devastadora, principalmente por tudo que construímos junto com Max até aqui. Seria muito fácil entregar um final positivo, mas este não teria o mesmo impacto. É preciso aplaudir a Dontnod pela coragem e competência em não utilizar o caminho que muitos jogos já utilizam, aonde tudo se resolve perfeitamente. Life is Strange coloca em nossas mãos uma decisão agoniante, que reflete diversas e profundas questões da vida real com muita naturalidade, como as consequências de boas intenções e se é possível consertarmos todos os problemas que enfrentamos. A sua própria interpretação destas e outras questões possivelmente refletiu nas suas escolhas ao longo dos quatro episódios anteriores, por isto também é prazeroso ver como estas afetam pequenos, mas importantes detalhes neste quinto episódio.

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Também é preciso fazer um pequeno adendo a este review para elogiar a trilha sonora de Life is Strange (algo muito bem utilizado na cena final). O uso de músicas licenciadas dão o tom certo para cada cena, desde o primeiro episódio. A Dontnod também aproveitou este último capítulo para aprimorar a sincronia da boca com a voz dos personagens, algo que critiquei bastante durante minha primeira análise. É bom deixar claro que esta questão técnica está longe de ser perfeita, mas é uma evolução enorme do que vimos nove meses atrás (a correção foi aplicada em todos os episódios).

Mesmo com elementos de ficção científica, a forma como amizades, romances e relacionamentos em geral são retratados ao longo do jogo são bastante fundamentadas na realidade, o que faz Life is Strange ser muito fácil de se relacionar. Isto torna as decisões que temos que tomar com Max ainda mais agoniantes, já que o jogo faz um ótimo trabalho em te fazer importar com aquilo tudo e também ao te colocar de verdade no lugar de Max. A grande questão que fica é o que você faria na mesma situação? Após cinco capítulos e quase 15 horas neste universo, fica claro que Life is Strange é um ótimo jogo, longe de ser perfeito, mas com certeza algo que eu recomendaria para qualquer um.

  • Este review de Life is Strange foi feito no PlayStation 4, com uma cópia do game enviada para nós pela Square Enix.
  • Confira o nosso review do primeiro episódio “Chrysalis”, do segundo “Out of Time”, do terceiro “Chaos Theory” e também do quarto “Dark Room”.
(Atenção, caso você não tenha jogado os episódios anteriores, este review terá alguns spoilers inevitáveis). Enfim chegamos a conclusão da história de Max, Chloe e Arcadia Bay. Após nove meses e cinco capítulos a Dontnod finaliza sua história que, mesmo com altos e baixos, conseguiu cativar, emocionar e mostrar que Life is Strange é uma das boas surpresas do ano. Após o final impactante e revelador de Dark Room (o episódio quatro), mencionei em meu review que tinha um certo receio do jogo eliminar rapidamente todo aquele drama, através dos poderes de volta ao tempo da nossa protagonista. Felizmente eu não estava 100% correto, já que em Polarized, Max tenta realmente voltar para corrigir o que aconteceu, mas logo se vê envolvida em um labirinto temporal, muito mais preocupante que seu problema inicial. O capítulo se inicia com Max nas mãos do verdadeiro vilão do jogo. As cenas e diálogos internos que se seguem ajudam a mostrar com competência o desespero/raiva da nossa heroína e a situação doentia que ela se encontra. Porém, o tal vilão psicopata é representado de forma muito cartunesca, o mesmo inclusive revela seu plano maligno para Max (faltou somente a risada maligna). A boa notícia é que a cena não dura muito e logo somos levados para caminhos ainda mais tortuosos que mergulham nos medos e no subconsciente da jovem protagonista. Grande parte deste quinto capítulo se passa entre realidades diferentes. Isto acontece devido aos poderes que Max descobre no terceiro episódio, aonde ela consegue utilizar uma foto para voltar para aquele momento específico, criando uma realidade alternativa. A constante alternância entre fotos durante a primeira metade do jogo é muito bem realizada e não chega a ser confusa, mesmo acontecendo inúmeras vezes. Temos pouco tempo para absorver cada realidade que Max se encontra, mas ao mesmo tempo somos colocados em situações familiares. Desta vez, porém, tudo tem uma tonalidade mais escura e urgente. Isto altera os comentários, diálogos internos e diálogos com outros personagens, dando uma sensação diferente e bastante interessante mesmo em cenas recicladas. Na metade final do jogo, Max se encontra em uma situação terrível e calamitosa, muito bem montada e executada pela Dontnod. Porém, enquanto algumas pessoas estão genuinamente desesperadas, outras parecem reagir de forma natural ao desastre, o que gera diálogos estranhos e desnecessários. Em um momento em particular, Max tem tempo inclusive para sentar e pensar na vida, o que não encaixa com o que você está vendo acontecer ao seu redor. Neste ponto também, você tem a opção de "salvar" determinados personagens, Max inclusive reforça isto com seus pensamentos. Mas a constante mudança de realidade, faz com que estas ações sejam sem sentido e me vi constantemente perguntando "porque". Com relação a certos personagens secundários, algo que elogiei bastante nos capítulos anteriores, é como Life is Strange desenvolveu com qualidade a história destes e me fez preocupar e querer saber mais sobre os mesmos. Infelizmente, neste quinto episódio, Victoria, Nathan e outros são praticamente deixados de lado e não tem importância nenhuma. Fica a sensação de que minhas escolhas passadas…

7.5

Muito Bom

Veredito Final

A história de Max, Chloe e da cidade de Arcadia Bay chega ao fim de forma cativante e emocionante. O quinto capítulo de Life is Strange mostra novamente que a desenvolvedora Dontnod consegue subverter expectativas, algo que vem fazendo com competência desde o primeiro episódio. Apesar de altos e baixos, e certas inconsistências nas ações de Max, Life is Strange termina em um capítulo inteligente, muito bem montado e agoniante. A forma como, ao longo de todo o jogo, foram retratados os anseios e problemas de Max e outros personagens, sempre foi muito fundamentada na realidade, o que faz Life is Strange ser uma história muito fácil de relacionar, mesmo com elementos de ficção científica. O game está longe de ser perfeito, mas a Dontnod merece parabéns por criar algo diferente e que eu recomendo para qualquer um.

Nota
8

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.