Review – King’s Quest – Episódio 1: A Knight to Remember

Para aqueles, que assim como eu, puderam iniciar sua vida no mundo dos games no início dos anos 90, com certeza se lembrarão com carinho de uma desenvolvedora: a Sierra On-Line. A nossa querida e prolífica Sierra é responsável por dezenas dos mais adorados clássicos adventures do passado, como Leisure Suit Larry, Police Quest, Gabriel Knight, Phantasmagoria e claro, King’s Quest. A empresa, após inúmeros problemas financeiros acabou sendo comprada pela Vivendi e mais recentemente pela Activision, passando a funcionar apenas por trás das cenas.

Por isto, o anúncio de que a antiga desenvolvedora estaria voltando ao grande palco para produzir um reboot da sua mais clássica e adorada série me deixou bastante ansioso. O novo King’s Quest chega pelas mãos do pessoal da The Odd Gentlemen, apoiados por uma renovada Sierra e assim como seu original de 1984, conta a história de Graham. Nesta nova versão, podemos presenciar os primórdios da história de um jovem (e extremamente empolgado) protagonista, que ainda está longe de ser o nobre cavaleiro (e futuro rei) do reino de Daventry.

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O jogo é dividido em cinco capítulos e este primeiro, chamado “A Knight to Remember”, coloca Graham contra quatro adversários em busca de um posto de cavaleiro. Durante as seis horas de jogo, veteranos do gênero e da série King’s Quest estarão em casa. A Knight to Remember não só é um adventure clássico, como também remete bem ao estilo de jogos do passado, aonde não eramos mimados com excessos de tutoriais ou explicações em demasia. Novos jogadores também são muito bem recebidos no jogo, desde que você sinta prazer em descobrir detalhes e progredir por conta própria.

O toque moderno dado ao jogo vem através de belos cenários pintados a mão, uma ótima trilha sonora que nos ajuda a mergulhar ainda mais no mundo de Daventry e mais importante ainda, um trabalho de dublagem inspirador. Em a Knight to Remember, temos um Graham mais velho, contando suas aventuras para sua neta, enquanto nós jogadores controlamos o jovem Graham. Ouso dizer que o jogo não seria tão charmoso se não fosse pela dublagem de Christopher Lloyd (o eterno Doc Brown de De Volta para o Futuro) que interpreta o velho Graham.

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Lloyd consegue dar uma energia inspiradora para o personagem, o que deixa a divertida história ainda mais cativante e envolvente. Isto sem falar na forma hilária como os comentários do velho Graham se encaixam com suas ações no jogo. Durante uma das cenas iniciais, encontrei uma cama e interagi, o que fez o jovem Graham dormir confortavelmente, enquanto a narração dizia que ele realmente tirou um cochilo. Repeti a ação mais uma dúzia de vezes e ouvi outra dúzia de diferentes comentários e explicações sobre por que o jovem Graham estava dormindo em excesso. Estes pequenos momentos cômicos acontecem durante todo o jogo e fazem com que a imersão na história sendo contada seja imediata.

Não é preciso dizer que o humor tradicional da série continua firme e forte no novo King’s Quest. Seja através de gags visuais, referências ou os inúmeros trocadilhos, marca registrada do protagonista. Apesar do humor ser um dos pontos mais fortes e marcantes do jogo, o fato do mesmo se apoiar bastante nos hilários trocadilhos pode tornar o game não tão ideal para quem não domina a língua inglesa, já que o jogo não tem dublagem nem mesmo legendas em português.

Para que este humor pudesse funcionar em português do Brasil, seria necessário toda uma reestruturação do roteiro, algo que imagino que tenha sido descartado rapidamente pela Activision. É difícil não recomendar um jogo inteligente e divertido baseado somente na falta dublagem/legenda, mas infelizmente se você não tem pelo menos um razoável domínio da língua inglesa, acabará perdendo boa parte do que faz King’s Quest tão encantador.

A diversão não está somente no diálogos, mas também nos quebra-cabeças inteligentes, nos personagens cativantes e nos curiosos itens e suas combinações. Quem iria pensar que pintar um texugo de roxo seria uma solução para um dos inúmeros desafios do jogo? Mesmo com detalhes inusitados como este, King’s Quest não conta em nenhum momento com desafios absurdos ou sem sentido, daqueles que te fazem testar todos os itens do inventário, o que é um dos principais problemas de jogos do gênero. Todos os quebra-cabeças do jogo exigem certo raciocínio, mas são extremamente diretos.

O game sofre porém com uma certa lentidão durante trocas de tela (quando o jogo parece carregar o próximo cenário) que chega a incomodar. Isto acontece principalmente nas partes mais longas da metade do jogo, aonde você deve levar Graham de um lado para outro em busca de vários itens.  O problema é intensificado justamente por King’s Quest ser um adventure, aonde nem sempre você encontra a solução certa de imediato e deve andar várias vezes pelo mesmo caminho para finalmente descobrir o que fazer. Mas confesso que este problema acabou não sendo tão relevante durante minha jogatina.

Christopher Lloyd dá uma energia inspiradora para o personagem, o que deixa a divertida história ainda mais cativante e envolvente. Isto sem falar na forma hilária como os comentários do velho Graham se encaixam com suas ações no jogo durante toda a narrativa.

A Knight to Remember consegue nos envolver rapidamente no seu encantador universo de fantasia. O jogo não perde tempo com explicações desnecessárias e em minutos você está ajudando Graham a sair de confusões. A narrativa não tem a complexidade de jogos mais modernos do gênero, mas é leve e divertida assim como seus predecessores. O novo King’s Quest é uma carinhosa e competente homenagem a uma franquia que marcou o mundo dos games. A The Odd Gentlemen e a renovada Sierra fizeram um ótimo trabalho e não vejo a hora de ouvir novas histórias do velho Graham.

  • Este review de King’s Quest foi feito no PlayStation 4, com uma cópia do game comprada por nós na PlayStation Store.
Para aqueles, que assim como eu, puderam iniciar sua vida no mundo dos games no início dos anos 90, com certeza se lembrarão com carinho de uma desenvolvedora: a Sierra On-Line. A nossa querida e prolífica Sierra é responsável por dezenas dos mais adorados clássicos adventures do passado, como Leisure Suit Larry, Police Quest, Gabriel Knight, Phantasmagoria e claro, King's Quest. A empresa, após inúmeros problemas financeiros acabou sendo comprada pela Vivendi e mais recentemente pela Activision, passando a funcionar apenas por trás das cenas. Por isto, o anúncio de que a antiga desenvolvedora estaria voltando ao grande palco para produzir um reboot da sua mais clássica e adorada série me deixou bastante ansioso. O novo King's Quest chega pelas mãos do pessoal da The Odd Gentlemen, apoiados por uma renovada Sierra e assim como seu original de 1984, conta a história de Graham. Nesta nova versão, podemos presenciar os primórdios da história de um jovem (e extremamente empolgado) protagonista, que ainda está longe de ser o nobre cavaleiro (e futuro rei) do reino de Daventry. O jogo é dividido em cinco capítulos e este primeiro, chamado "A Knight to Remember", coloca Graham contra quatro adversários em busca de um posto de cavaleiro. Durante as seis horas de jogo, veteranos do gênero e da série King's Quest estarão em casa. A Knight to Remember não só é um adventure clássico, como também remete bem ao estilo de jogos do passado, aonde não eramos mimados com excessos de tutoriais ou explicações em demasia. Novos jogadores também são muito bem recebidos no jogo, desde que você sinta prazer em descobrir detalhes e progredir por conta própria. O toque moderno dado ao jogo vem através de belos cenários pintados a mão, uma ótima trilha sonora que nos ajuda a mergulhar ainda mais no mundo de Daventry e mais importante ainda, um trabalho de dublagem inspirador. Em a Knight to Remember, temos um Graham mais velho, contando suas aventuras para sua neta, enquanto nós jogadores controlamos o jovem Graham. Ouso dizer que o jogo não seria tão charmoso se não fosse pela dublagem de Christopher Lloyd (o eterno Doc Brown de De Volta para o Futuro) que interpreta o velho Graham. Lloyd consegue dar uma energia inspiradora para o personagem, o que deixa a divertida história ainda mais cativante e envolvente. Isto sem falar na forma hilária como os comentários do velho Graham se encaixam com suas ações no jogo. Durante uma das cenas iniciais, encontrei uma cama e interagi, o que fez o jovem Graham dormir confortavelmente, enquanto a narração dizia que ele realmente tirou um cochilo. Repeti a ação mais uma dúzia de vezes e ouvi outra dúzia de diferentes comentários e explicações sobre por que o jovem Graham estava dormindo em excesso. Estes pequenos momentos cômicos acontecem durante todo o jogo e fazem com que a imersão na história sendo contada seja imediata. Não é preciso dizer que o humor tradicional da série continua firme e forte no novo King's Quest. Seja através de gags visuais, referências ou os inúmeros trocadilhos, marca registrada do protagonista. Apesar do humor ser…

8.5

Excelente

Veredito Final

O primeiro episódio do renovado King's Quest é encantador. Os belos gráficos pintados a mão, a ótima trilha sonora e a dublagem inspiradora dão um toque moderno ao clássico. O trabalho de narração de Christopher Lloyd dá ainda mais charme ao jogo e é responsável por boa parte de seus momentos cômicos. Uma pena que a falta (compreensível) de dublagem e legendas em português do Brasil impede o aproveitamento do game para quem não tem certo domínio da língua inglesa. Porém, com um gameplay tradicional para o gênero e uma narrativa leve e divertida, King's Quest é uma carinhosa e competente homenagem ao clássico e não vejo a hora de ouvir novas histórias nos próximos capítulos.

Nota
9

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.