Review – Gears of War 4 – Nunca lute sozinho

6 de outubro de 2016

O primeiro Gears of War, lançado originalmente em 2006 para o Xbox 360, pode ser considerado um marco na história dos videogames. Elementos como ação frenética, violência explícita e combate por cobertura se tornaram base para os jogos seguintes da série. O game foi um dos primeiros a consagrar o estilo de tiro e cobertura, o que se tornaria funcionalidade presente em diversos jogos de ação nos anos seguintes e é usado até hoje. Agora, a série chega à nova geração de forma bem semelhante e nostálgica, mas ainda assim evoluída no novo Gears of War 4, título disponível para PC e Xbox One.

Gears of War 4 é uma daquelas continuações que funcionam. O jogo inclui diversas referências aos anteriores, dando um ótimo tom de nostalgia, mas ao mesmo tempo tem a capacidade de ser bem diferente. O game mostra um novo mundo reconstruído pelos membros do COG, ou CGO em português. A organização antes bem respeitada agora atua como uma ditadura militar, o que na verdade seria o caminho comum visto que eles terminam “dominando” o planeta ao final do terceiro jogo. Neste novo mundo controlamos JD Fenix, o filho do herói Marcus Fenix, que está acompanhado de seus amigos Kait e Del, todos eles são personagens carismáticos e bem desenvolvidos ao longo da campanha do game.

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Logo de cara já vemos grandes diferenças no cenário do mundo. Onde antes tínhamos um mundo à beira da destruição com pessoas lutando para sobreviver, no tempo atual, 25 anos após a humanidade ter eliminado sua maior ameaça, pessoas vivem sem guerra em assentamentos comandados pelos COG, enquanto aqueles que não se encaixam vivem em vilas e são chamados de forasteiros. No entanto, quando pessoas começam a desaparecer misteriosamente, JD decide tomar atitude e se vê obrigado a pedir ajuda à única pessoa que ele pensa ser capaz de realmente ajudar: seu pai.

A ação frenética, violência e sangue jorrado na tela ao serrar um inimigo ao meio continuam extremamente prazerosos

Um dos pontos mais interessantes de se notar é a diferença no cenário do mundo, e como isso foi alcançado. Na trilogia original tínhamos um tema de heroísmo, de batalhar mesmo sem esperanças de vencer. Por mais impossível que parecesse, lá estava Marcus e seus companheiros juntos travando batalhas em busca de objetivos insanos. Apesar de parecer impossível, foi toda essa luta que gerou este novo mundo, essa nova geração. É nesta nova história que percebemos que as batalhas e todo o sofrimento anterior não foram em vão, toda a luta gerou um resultado. A presença de Marcus Fenix é o elo entre as duas gerações, e sua participação não poderia ser melhor, assumindo aquele estilo de herói aposentado reclamão e dramático, muitas vezes oferecendo um alívio cômico. Já o tema de luta pela família e amigos é algo novamente presente, talvez não tão impactante, mas ainda presente, dando entonação à frase de divulgação do jogo: nunca lute sozinho.

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Apesar de o mundo ser bem diferente e mais colorido do que nos jogos anteriores, o gameplay não mudou tanto, consistindo basicamente no mesmo conceito clássico da série: pegar cobertura e atirar. O que muda são as armas novas, algumas dessas bem criativas, como por exemplo a Buzzkill, que lança discos que retalham os inimigos, e também o uso do Forjador, uma ferramenta que parece ter sido incluída principalmente para o modo multiplayer Horda, mas que também é utilizada na campanha. Com o Forjador, o jogador pode criar defesas em locais estratégicos ou criar armas. Portanto, seu uso acaba sendo justamente em momentos da campanha em que há ondas de inimigos atacando.

Mesmo que conte com gameplay muito semelhante, este é obviamente bem satisfatório. A ação frenética, violência e sangue jorrado na tela ao serrar um inimigo ao meio continuam extremamente prazerosos. Não me senti entediado em nenhum ponto do jogo, mesmo que a estrutura seja sempre a de explorar enquanto caminha até o objetivo, eliminar inimigos que surgem, andar mais até o objetivo, eliminar novos inimigos, e por aí adiante. Alguns momentos no entanto, quebram esse ritmo e são as melhores partes do jogo, como cenas de perseguições insanas ou outras formas de variação do gameplay. Outra grande qualidade é a possibilidade de jogar a campanha inteira em modo cooperativo, o que já é padrão na franquia.

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Para realçar e dar mais vida ao novo mundo criado pelos antigos COGs, o game apresenta um visual glorioso com detalhes na face dos personagens, pingos de chuva em suas roupas, iluminação realista e cenários muito bem detalhados, alguns destes com belos ambientes tomados pela vegetação. Os gráficos são excelentes tanto no Xbox One quanto no PC, porém o visual alcançado pelo computador se destaca de forma fantástica. Para acompanhar, as cutscenes estão mais caprichadas do que nunca, e de certa forma em maior quantidade, ou talvez mais longas, o que a meu ver é algo muito bem vindo. Só fica uma ressalva para os pequenos travamentos que acontecem durante as cutscenes na versão do PC.

Apesar de o mundo ser bem diferente e mais colorido do que nos jogos anteriores, o gameplay não mudou tanto, consistindo basicamente no mesmo conceito clássico da série: pegar cobertura e atirar

Uma ótima característica da franquia retorna de forma brilhante no novo jogo: os diálogos bem escritos e humor na dose certa, de forma inteligente. Porém um diálogo bem escrito de nada adiantaria se a dublagem não fosse à altura. A dublagem original é fantástica, com vozes que carregam emoção de fato. Já a dublagem em português, apesar de competente, sofre com erros no roteiro. Um dos grandes problemas dessa dublagem é na verdade a falta de opção para que o jogador possa escolher a linguagem que deseja, algo que odeio com todas as forças quando acontece. A necessidade que empresas tem em forçar um áudio dublado é deplorável e desrespeitosa com o jogador, que deveria poder escolher a forma que quer jogar.

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Como também não poderia faltar em um game da franquia, o jogo traz multiplayer bem completo com diversos modos de jogo diferentes, customização de personagem, cartas de recompensa e mais. Fãs do multiplayer da série devem ficar bem contentes com o novo jogo, que ainda traz também o chamado Horda 3.0, uma versão atualizada do modo horda visto nos outros jogos. Aqui temos algumas novidades como diferentes classes de personagem e a possibilidade de criar defesas com o Forjador, como espinhos que atrasam inimigos ou até armas montadas que atiram automaticamente.

Gears of War 4 representa uma excelente estreia da franquia na nova geração. Talvez seu maior problema seja o simples fato de ter gameplay tão parecido com seus antecessores. Mesmo que funcione muito bem, ele acaba não trazendo grandes inovações. Ainda assim, a nova história é contada com qualidade utilizando de elementos nostálgicos que agradam a qualquer um que já tenha jogado a série. Um belíssimo visual, boa trilha sonora, quantidade ridiculamente mínima de bugs e diálogos bem escritos complementam esta experiência obrigatória para qualquer fã da trilogia original. A luta pela família e pela humanidade está de volta, então junte-se a um amigo e enfrentem esta nova ameaça juntos.

  • Este review de Gears of War 4 foi feito no PC e Xbox One com uma cópia do game enviada para nós pela Microsoft.
O primeiro Gears of War, lançado originalmente em 2006 para o Xbox 360, pode ser considerado um marco na história dos videogames. Elementos como ação frenética, violência explícita e combate por cobertura se tornaram base para os jogos seguintes da série. O game foi um dos primeiros a consagrar o estilo de tiro e cobertura, o que se tornaria funcionalidade presente em diversos jogos de ação nos anos seguintes e é usado até hoje. Agora, a série chega à nova geração de forma bem semelhante e nostálgica, mas ainda assim evoluída no novo Gears of War 4, título disponível para PC e Xbox One. Gears of War 4 é uma daquelas continuações que funcionam. O jogo inclui diversas referências aos anteriores, dando um ótimo tom de nostalgia, mas ao mesmo tempo tem a capacidade de ser bem diferente. O game mostra um novo mundo reconstruído pelos membros do COG, ou CGO em português. A organização antes bem respeitada agora atua como uma ditadura militar, o que na verdade seria o caminho comum visto que eles terminam "dominando" o planeta ao final do terceiro jogo. Neste novo mundo controlamos JD Fenix, o filho do herói Marcus Fenix, que está acompanhado de seus amigos Kait e Del, todos eles são personagens carismáticos e bem desenvolvidos ao longo da campanha do game. Logo de cara já vemos grandes diferenças no cenário do mundo. Onde antes tínhamos um mundo à beira da destruição com pessoas lutando para sobreviver, no tempo atual, 25 anos após a humanidade ter eliminado sua maior ameaça, pessoas vivem sem guerra em assentamentos comandados pelos COG, enquanto aqueles que não se encaixam vivem em vilas e são chamados de forasteiros. No entanto, quando pessoas começam a desaparecer misteriosamente, JD decide tomar atitude e se vê obrigado a pedir ajuda à única pessoa que ele pensa ser capaz de realmente ajudar: seu pai. A ação frenética, violência e sangue jorrado na tela ao serrar um inimigo ao meio continuam extremamente prazerosos Um dos pontos mais interessantes de se notar é a diferença no cenário do mundo, e como isso foi alcançado. Na trilogia original tínhamos um tema de heroísmo, de batalhar mesmo sem esperanças de vencer. Por mais impossível que parecesse, lá estava Marcus e seus companheiros juntos travando batalhas em busca de objetivos insanos. Apesar de parecer impossível, foi toda essa luta que gerou este novo mundo, essa nova geração. É nesta nova história que percebemos que as batalhas e todo o sofrimento anterior não foram em vão, toda a luta gerou um resultado. A presença de Marcus Fenix é o elo entre as duas gerações, e sua participação não poderia ser melhor, assumindo aquele estilo de herói aposentado reclamão e dramático, muitas vezes oferecendo um alívio cômico. Já o tema de luta pela família e amigos é algo novamente presente, talvez não tão impactante, mas ainda presente, dando entonação à frase de divulgação do jogo: nunca lute sozinho. Apesar de o mundo ser bem diferente…

8.8

Excelente

Veredito Final

Mesmo que a desenvolvedora The Coalition tenha entregue uma experiência semelhante aos demais jogos da franquia em Gears of War 4, a qualidade de seu trabalho é indiscutível. O uso de uma fórmula já certa garante uma ótima estreia na nova geração, agora com gráficos belíssimos que esbanjam detalhes nos cenários e nas cenas de corte. A história se desenvolve bem enquanto nos apresenta para os novos protagonistas, e ainda contando com elementos nostálgicos que agradam qualquer um que tenha jogado algum jogo da série. Diálogos bem escritos com humor inteligente estão novamente presentes, tornando a jornada leve, porém séria quando precisa ser. Os quase inexistentes bugs ressaltam a qualidade do gameplay já conhecido, onde ver o sangue jorrando na tela ao serrar um inimigo ao meio está mais empolgante do que nunca. Fãs da franquia verão aqui um título obrigatório para suas coleções, enquanto novos jogadores poderão apreciar uma nova história sem ter que conhecer tudo que se passou antes.

Nota

8.8

9

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.