Review – FIFA 17 – Uma jornada promissora

Quando resolvemos escolher alguém da equipe da SuperGamePlay para fazer o review do novo FIFA 17, me ofereci imediatamente e todos me olharam com uma cara estranha. Não sou nenhum especialista em jogos de futebol, muito pelo contrário, fazem quase dez anos que não encosto em um game sobre o principal esporte brasileiro. Muitos da nossa equipe tem jogado FIFA e PES religiosamente e com certeza seriam as melhores pessoas para analisar o novo jogo da EA Sports. Porém, o motivo que me ofereci para fazer este review é justamente pela intenção de passar a opinião de alguém que está fora das quatro linhas há muito tempo e quer retornar ao mundo do futebol, conferindo o que jogos atuais tem a oferecer.

Se você procura uma análise de todos os detalhes do jogo e como estes evoluíram de FIFA 16, este não é um review para você. Existem muitas outras análises bem interessantes por aí. A intenção deste review – e a minha intenção quando resolvi jogar FIFA 17 – são as mesmas: quero conhecer e analisar o trabalho da EA Sports com a vista limpa, sem os pré-conceitos de jogadores já experientes e sem as longas listas comparativas com a versão anterior. Ainda estão comigo? Então vamos lá!

Quando iniciei o game, a primeira coisa que reparei é que este definitivamente não é um dos jogos de futebol que eu costumava jogar com os amigos madrugada adentro no passado. Usando todo o poder da engine Frostbite (de Battlefield 1 e Star Wars Battlefront), FIFA 17 é impressionante. Não só pelos detalhes faciais realistas, transferindo atletas conhecidos com perfeição para o game, mas também por detalhes como o suor escorrendo no rosto, o pano da camisa balançando com uma corrida rápida e a grama se movendo lentamente antes do início da partida.

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Isto sem falar no barulho ensurdecedor da torcida (diferentes para cada time e para cada estádio), o som envolvente do toque de bola e o barulho agoniante da bola na trave. A narração em português pelos comentaristas Tiago Leifert e Caio Ribeiro é tão boa quanto a clássica narração em inglês e estas ainda são divertidamente diferentes no modo Jornada (mais abaixo). A interface do game também é um show a parte e fiquei impressionado como a EA conseguiu trabalhar menus e opções de uma forma que não confunda o jogador novato. Mesmo com seus inúmeros modos e diferentes opções de jogo, não tive nenhum problema em entender cada elemento dentro e fora de campo. Para um game com uma quantidade tão grande de conteúdo, este feito é absolutamente louvável.

Dentro do campo, o toque de bola é fluido, dinâmico, repleto de opções para ataque, defesa e bola parada. Me agradaram muito o maior controle em cruzamentos, nos pênaltis e também nas cobranças de falta. FIFA 17 parece se mover um pouco mais devagar do que jogos anteriores, mas isto só contribui para trazer mais realismo ao game. Porém, alguns detalhes técnicos dentro do campo me incomodaram um pouco. Apesar de muito bem feitas, certas animações (como um salto do goleiro) parecem meio rígidas ou bruscas. Durante cruzamentos, o sistema defensivo chega a ser perfeito demais e muitas vezes me deparei com uma sequência irreal de cinco, seis ou sete escanteios seguidos.

Também preciso mencionar que ver o juizão tirar o cartão amarelo de dentro do corpo é algo bizarro e cômico, um cuidado maior com a animação e com as texturas evitaria o problema. Porém, nenhum destes detalhes atrapalha o que realmente interessa: jogar futebol. Se você gosta de partidas online com amigos; se prefere fazer seu time do coração campeão; se pretende criar dribles desconcertantes com Marta no futebol feminino ou até mesmo se tornar o técnico de um time e controlar todos os aspectos dentro e fora do campo, FIFA 17 funciona com perfeição e todos os seus elementos técnicos trabalham em uníssono, como uma torcida organizada.

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Porém, o que mais surpreendeu este “novato” no esporte eletrônico que vos escreve, foram dois modos de jogo em particular: o FIFA Ultimate Team e o novo modo história “A Jornada”. O primeiro continua a ser o sonho de qualquer amante de futebol, permitindo criar e evoluir seu time, com uma coleção gigantesca de recursos. São milhares de cartas de atletas, associadas a estatísticas, táticas, uma infinidade de itens e ferramentas que podem te fazer o mestre absoluto das quatro linhas. Me surpreendi com o excelente tutorial, usando uma lista de tarefas iniciais para explicar todos os elementos do FUT.

Por mais complexo que o Ultimate Team possa ser, FIFA 17 fez um excelente trabalho ao me mostrar do que este se trata e me ajudar a entender todo o processo de montar um time. Em poucos minutos já estava colocando meu primeiro time em campo. Porém, talvez o modo de jogo que tenha mais me feito retornar ao mundo FIFA, foi “A Jornada”. Neste novo modo história, assumimos o papel do jovem Alex Hunter e acompanhamos todo seu crescimento e sucesso na Premier League.

Toda a jornada de Hunter é acompanhada por cenas de história, muito bem atuadas, aonde podemos conhecer melhor o passado do protagonista, seus problemas fora de campo e até temos a opção de escolher como responder em certas situações. Um Alex Hunter mais impulsivo durante entrevistas e conversas com companheiros, atrai mais fãs nas redes sociais, já um Hunter mais frio e calculista, atrai a atenção do técnico e te dá mais chance de permanecer no elenco principal.

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Estas escolhas não alteram muito a história, mas é muito legal ver que sua performance dentro de campo pode alterar a narrativa de maneira significativa. Como exemplo, escolher um time menos “famoso” no começo, te dá mais chance de iniciar as partidas e fazer gols e assistências. Quando se escolhe um time como Manchester ou Arsenal, você só entrará em campo nos minutos finais para salvar a partida e somente uma ótima performance irá garantir um lugar no time. Seus pontos ao final de cada partida também ajudam a liberar skills que servem para aprimorar as habilidades de Alex, como novos dribles, mais fôlego no segundo tempo, melhor controle em bola parada e muitos outros detalhes.

A história do modo Jornada não tem nada de especial, chegando a ser clichê em alguns momentos. Durante sua metade final, o jogo te faz passar por dezenas de treinamentos e partidas, sem nenhuma história entre elas, algo que torna a experiência um pouco cansativa. Mas para mim, nada disso importou, já que as quase 20 horas do modo me fizeram um jogador melhor. Os inúmeros treinamentos me ensinaram táticas de defesa, passes mais rápidos e chutes mais precisos. Partidas me ensinaram a fazer mais gols, me posicionar melhor em campo para receber a bola e saber os momentos certos para o drible.

Enquanto Alex Hunter evoluía em campo, eu também evolui com o controle na mão e quando percebi o que estava acontecendo, já estava extremamente ligado ao protagonista e a sua história, querendo levá-lo ao topo do futebol inglês. FIFA 17 não reinventa os games de futebol, mas a inclusão do modo Jornada, as diversas melhorias técnicas, a excelente apresentação e a quantidade absurda de conteúdo de qualidade, dá novo fôlego a uma série marcada pela mesmice anual. Fica registrada aqui a minha torcida para que possamos ver novas histórias como de Alex Hunter nos próximos games.

  • Este review de FIFA 17 foi feito no PlayStation 4 com uma cópia do game enviada para nós pela Electronic Arts.
Quando resolvemos escolher alguém da equipe da SuperGamePlay para fazer o review do novo FIFA 17, me ofereci imediatamente e todos me olharam com uma cara estranha. Não sou nenhum especialista em jogos de futebol, muito pelo contrário, fazem quase dez anos que não encosto em um game sobre o principal esporte brasileiro. Muitos da nossa equipe tem jogado FIFA e PES religiosamente e com certeza seriam as melhores pessoas para analisar o novo jogo da EA Sports. Porém, o motivo que me ofereci para fazer este review é justamente pela intenção de passar a opinião de alguém que está fora das quatro linhas há muito tempo e quer retornar ao mundo do futebol, conferindo o que jogos atuais tem a oferecer. Se você procura uma análise de todos os detalhes do jogo e como estes evoluíram de FIFA 16, este não é um review para você. Existem muitas outras análises bem interessantes por aí. A intenção deste review - e a minha intenção quando resolvi jogar FIFA 17 - são as mesmas: quero conhecer e analisar o trabalho da EA Sports com a vista limpa, sem os pré-conceitos de jogadores já experientes e sem as longas listas comparativas com a versão anterior. Ainda estão comigo? Então vamos lá! Quando iniciei o game, a primeira coisa que reparei é que este definitivamente não é um dos jogos de futebol que eu costumava jogar com os amigos madrugada adentro no passado. Usando todo o poder da engine Frostbite (de Battlefield 1 e Star Wars Battlefront), FIFA 17 é impressionante. Não só pelos detalhes faciais realistas, transferindo atletas conhecidos com perfeição para o game, mas também por detalhes como o suor escorrendo no rosto, o pano da camisa balançando com uma corrida rápida e a grama se movendo lentamente antes do início da partida. Isto sem falar no barulho ensurdecedor da torcida (diferentes para cada time e para cada estádio), o som envolvente do toque de bola e o barulho agoniante da bola na trave. A narração em português pelos comentaristas Tiago Leifert e Caio Ribeiro é tão boa quanto a clássica narração em inglês e estas ainda são divertidamente diferentes no modo Jornada (mais abaixo). A interface do game também é um show a parte e fiquei impressionado como a EA conseguiu trabalhar menus e opções de uma forma que não confunda o jogador novato. Mesmo com seus inúmeros modos e diferentes opções de jogo, não tive nenhum problema em entender cada elemento dentro e fora de campo. Para um game com uma quantidade tão grande de conteúdo, este feito é absolutamente louvável. Dentro do campo, o toque de bola é fluido, dinâmico, repleto de opções para ataque, defesa e bola parada. Me agradaram muito o maior controle em cruzamentos, nos pênaltis e também nas cobranças de falta. FIFA 17 parece se mover um pouco mais devagar do que jogos anteriores, mas isto só contribui para trazer mais realismo ao game. Porém, alguns detalhes técnicos dentro do campo me incomodaram um pouco. Apesar de…

9

Fantástico!

Veredito Final

A série FIFA pode ter caido na mesmice anual, mas FIFA 17 consegue surpreender com ótimas melhorias técnicas, uma quantidade absurda de atividades e um modo história que merece ser louvado. A EA Sports traz todo o poder da engine Frostbite e faz este o game de futebol mais bonito até aqui. O Ultimate Team continua a ser o sonho de qualquer fã de futebol e suas complexidades, com todos os detalhes explicados de forma elegante. "A Jornada" conta a história de Alex Hunter de forma inteligente e mesmo sendo um pouco clichê em alguns momentos, ficará marcada comigo para sempre, por ter conseguido fazer este novato que vos escreve, um jogador melhor dentro das quatro linhas virtuais.

Nota
9

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.