Review – Dragon Quest: Builders – A viciante arte de construir

25 de outubro de 2016

Com o sucesso de Minecraft, era esperado que diversos jogos iriam empregar as mesmas ideias, ou copiar descaradamente na tentativa de obter tanta fama quanto o jogo desenvolvido pela Mojang. Apesar de ter grandes semelhanças, Dragon Quest: Builders pega inspiração mas mostra que não é apenas mais uma cópia barata. O jogo da Square Enix usa a fórmula de construção e mistura elementos de RPG, história e inúmeras referências à famosa franquia Dragon Quest.

O jogo se passa em uma versão alternativa do mundo de Alefgard, o mesmo do primeiro Dragon Quest. Porém, a grande diferença é que nesta versão, ao invés de ter derrotado o vilão chamado de Dragonlord, o herói foi derrotado, o que levou o mundo à escuridão. Isto também foi a causa para uma maldição lançada na humanidade, na qual todas as pessoas perderam a habilidade de construir, na verdade muitas nem sabem mais o significado dessa palavra. Sendo assim, a necessidade por um novo herói surgiu, porém não um herói normal, mas sim o lendário “Construtor”, papel este assumido pelo jogador.

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Com a tarefa de ensinar os dons da construção para as pessoas e destruir o terrível Dragonlord, cabe a você partir rumo às antigas cidades da terra de Alefgard a fim de reconstruí-las para suas antigas formas. O jogo é assim dividido em quatro capítulos, onde em cada um você deve restaurar uma cidade do reino. A cada capítulo terminado, todo seu progresso é resetado, já que você deve partir para outra cidade. Isto pode até parecer estranho, já que o personagem “esquece” até as receitas para tudo que havia criado, mas de certa forma dá certo pois cada capítulo possui um foco diferente. Inicialmente você focará bastante na defesa da cidade e aprendendo o básico, já o segundo capítulo é focado na medicina e plantações.

A campanha, que dura em torno de 40 horas, funciona como um tutorial gigante, no qual ao final você saberá criar praticamente todos os itens do jogo

Desta forma, cada capítulo conta com diversas receitas novas de criação, fazendo com que o jogo se renove a cada nova cidade restaurada. Talvez dê pra dizer que a campanha, que dura em torno de 40 horas, funcione como um tutorial gigante, no qual ao final você saberá criar praticamente todos os itens do jogo. Com todo esse conhecimento, o modo livre de criação se torna ainda mais interessante, este que é liberado ao final do primeiro capítulo, e é atualizado com novas receitas e a possibilidade de viajar para diferentes ilhas após terminar cada novo capítulo do jogo.

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O gameplay é focado inteiramente na construção e criação de itens. No entanto, a maior diferença que vejo se comparado a Minecraft, é a história. Não há como dizer que esta é uma história inesquecível e memorável, pois na verdade não é. Tudo é muito simples, mas também muito bem feito. A medida que você vai construindo e melhorando a cidade, novos habitantes chegam. Cada um destes habitantes fará pedidos pra você, e estas são as quests. Existem inúmeras quests, que ás vezes envolvem criar algo facilmente com o que você já tem, outras vezes com algum material raro que você ainda não tem e não faz ideia de onde encontrar. Nesse ponto tudo se encaixa muito bem e o jogo nunca te deixa perdido por muito tempo.

Ter uma história a seguir, por mais simples que seja, é um dos pontos fortes do jogo. Para muitas pessoas que assim como eu ficam completamente perdidas sem saber o que fazer em Minecraft, Dragon Quest: Builders é uma ótima experiência, e tão viciante quanto. Muitas vezes me vi querendo parar de jogar para dormir, mas desejando fazer apenas mais um pedido de um dos habitantes da minha cidade, o que consequentemente me levou a inúmeras outras quests. O único problema está nas recompensas destas quests, que normalmente são apenas materiais ou itens que eu conseguiria criar facilmente.

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Com o crescimento de sua cidade, o Dragonlord e seus súditos acabam notando sua presença, enviando assim hordas de inimigos para atacar suas construções e habitantes. Após determinadas lutas, o jogador é premiado com um portal que o levará a uma nova ilha. A cada ilha diferente, novos materiais e receitas podem ser descobertos. Ao contrário de Minecraft, aqui basta o jogador encontrar um material para que o construtor saiba o que pode fazer com ele. Ao pegar seu primeiro pedaço de madeira de uma árvore, por exemplo, receitas como de uma porta de madeira ou um banco irão aparecer.

Não só durante estes momentos específicos de batalhas que o jogador terá a chance de enfrentar inimigos. Ao redor de todas as áreas de Alefgard estão espalhados monstros e até seres pacíficos que atacam assim que você iniciar uma briga. Em grande parte destas lutas não há dificuldade, já que itens de cura são abundantes e morrer também não é algo tão grave, já que você perde apenas parte de seus itens mas ainda pode buscá-los no lugar de sua morte. Em geral pode-se dizer que o jogo é fácil e sem muito desafio, exceto pelas batalhas de chefe ao final de cada capítulo, que exige pensar um pouco.

Dragon Quest: Builders é uma experiência viciante para aqueles que preferem seguir uma história, por mais simples que seja, para guiá-los em suas construções

O combate é simples e funciona de forma semelhante aos jogos antigos da série The Legend of Zelda. Aqui o personagem pode usar marretas, machados, espadas e outras armas através de apenas um botão de ataque. Em determinado ponto da história é possível aprender uma skill giratória exatamente igual a de Link, que acerta ou destrói o cenário ao redor e é usada segurando o botão de ataque. Além disso, é possível criar e equipar armaduras de vários tipos, seja apenas de pano como também armaduras mais pesadas criadas com prata derretida ou outros materiais diversos de criação.

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O sistema de criação traz uma complexidade na medida certa. Será muito difícil você ficar perdido sem saber o que fazer, ou onde procurar o próximo material desconhecido para criar algo. Além disso, algumas facilidades tornam o gameplay ainda mais satisfatório, como um baú mágico para qual todos os itens excedentes de seu inventário são enviados automaticamente assim que pegá-los. Em qualquer lugar você pode abrir este baú e pegar itens ou guardar itens. Essa facilidade é excelente, o que se não tivesse daria um trabalho extremamente chato de gerenciar os poucos espaços do inventário.

Em termos gráficos o jogo agrada com seu belo visual cartunesco. A performance é ótima, com carregamento rápido e nada de bugs. Um problema fica por conta da música, que se torna bem enjoativa após algum tempo de jogo, tornando assim uma ótima opção abrir uma playlist no Spotify enquanto joga. Já a customização do personagem poderia ser melhor, você escolhe apenas sexo e cor de cabelo, olhos e pele. Em resumo, Dragon Quest: Builders é uma experiência viciante para aqueles que preferem seguir uma história, por mais simples que seja, para guiá-los em suas construções. No modo livre ainda há uma ótima ferramenta que permite compartilhar construções com outros jogadores, assim como baixar de outras pessoas. O jogo demonstra que não é uma cópia de Minecraft e consegue viciar da mesma forma com suas características próprias.

  • Este review de Dragon Quest: Builders foi feito no PlayStation 4 com uma cópia do game enviada pela Square Enix.
Com o sucesso de Minecraft, era esperado que diversos jogos iriam empregar as mesmas ideias, ou copiar descaradamente na tentativa de obter tanta fama quanto o jogo desenvolvido pela Mojang. Apesar de ter grandes semelhanças, Dragon Quest: Builders pega inspiração mas mostra que não é apenas mais uma cópia barata. O jogo da Square Enix usa a fórmula de construção e mistura elementos de RPG, história e inúmeras referências à famosa franquia Dragon Quest. O jogo se passa em uma versão alternativa do mundo de Alefgard, o mesmo do primeiro Dragon Quest. Porém, a grande diferença é que nesta versão, ao invés de ter derrotado o vilão chamado de Dragonlord, o herói foi derrotado, o que levou o mundo à escuridão. Isto também foi a causa para uma maldição lançada na humanidade, na qual todas as pessoas perderam a habilidade de construir, na verdade muitas nem sabem mais o significado dessa palavra. Sendo assim, a necessidade por um novo herói surgiu, porém não um herói normal, mas sim o lendário "Construtor", papel este assumido pelo jogador. Com a tarefa de ensinar os dons da construção para as pessoas e destruir o terrível Dragonlord, cabe a você partir rumo às antigas cidades da terra de Alefgard a fim de reconstruí-las para suas antigas formas. O jogo é assim dividido em quatro capítulos, onde em cada um você deve restaurar uma cidade do reino. A cada capítulo terminado, todo seu progresso é resetado, já que você deve partir para outra cidade. Isto pode até parecer estranho, já que o personagem "esquece" até as receitas para tudo que havia criado, mas de certa forma dá certo pois cada capítulo possui um foco diferente. Inicialmente você focará bastante na defesa da cidade e aprendendo o básico, já o segundo capítulo é focado na medicina e plantações. A campanha, que dura em torno de 40 horas, funciona como um tutorial gigante, no qual ao final você saberá criar praticamente todos os itens do jogo Desta forma, cada capítulo conta com diversas receitas novas de criação, fazendo com que o jogo se renove a cada nova cidade restaurada. Talvez dê pra dizer que a campanha, que dura em torno de 40 horas, funcione como um tutorial gigante, no qual ao final você saberá criar praticamente todos os itens do jogo. Com todo esse conhecimento, o modo livre de criação se torna ainda mais interessante, este que é liberado ao final do primeiro capítulo, e é atualizado com novas receitas e a possibilidade de viajar para diferentes ilhas após terminar cada novo capítulo do jogo. O gameplay é focado inteiramente na construção e criação de itens. No entanto, a maior diferença que vejo se comparado a Minecraft, é a história. Não há como dizer que esta é uma história inesquecível e memorável, pois na verdade não é. Tudo é muito simples, mas também muito bem feito. A medida que você vai construindo e melhorando a cidade, novos habitantes chegam. Cada um destes habitantes…

8.5

Excelente

Veredito Final

Por mais que se assemelhe bastante ao estilo de jogos criados com Minecraft, Dragon Quest: Builders se destaca por incluir suas características próprias, assim como da franquia Dragon Quest. O jogo consegue muito bem prender o jogador com uma história bem simples, mas mecânicas de construção excelentes, incluindo facilidades que evitam muita dor de cabeça e gasto de tempo que se faria necessário caso não tivessem. O visual cartunesco é bonito e agradável de passar horas jogando, embora a música se torne enjoativa após algum tempo de jogo. Talvez o desafio poderia até ser maior, dando mais punição para a morte e com combates mais desafiadores também fora das batalhas de chefes, mas ainda assim a experiência é ótima e recomendada para aqueles que, assim como eu, ficam perdidos em jogos tão livres como Minecraft. Ter objetivos a seguir é certamente o ponto forte de Dragon Quest: Builders, mas caso não goste, um modo livre é liberado logo após terminar o primeiro capítulo, dando assim oportunidade para criar a vontade.

Nota

8.5

9

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.