Review – Dishonored 2 – Jogue do seu jeito

24 de novembro de 2016

Por muito tempo deixei Dishonored parado em minha biblioteca do Steam, mesmo após ter começado o jogo duas vezes sem terminá-lo. Não sei dizer ao certo porque não tive a vontade de continuar, visto que um jogo do gênero furtivo cai perfeitamente no estilo de jogo que gosto profundamente. Próximo ao lançamento de Dishonored 2, finalmente voltei a ele e terminei antes da continuação para que minha experiência pudesse ser a melhor possível, conhecendo o universo e os personagens. Terminá-lo serviu para que eu pudesse ver o que todos que jogaram já haviam notado, sua ótima qualidade.

Dishonored 2 por sua vez, adere totalmente às qualidades do jogo original, oferecendo uma experiência melhor em todos os sentidos possíveis. Não apenas da história, não apenas no gameplay, não apenas na liberdade de ação, mas em tudo. O interessante é notar que a estrutura é exatamente a mesma utilizada no primeiro jogo, é como estar assistindo Star Wars: Episódio VII e notando o quanto ele se parece com Star Wars: Episódio IV, o que de forma alguma considero algo ruim, já que a base era algo muito bem trabalhado, mas que ainda contava com espaços para aprimoramentos.

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A principal novidade fica clara logo no início, quando temos a chance de escolher o personagem com que queremos viver esta aventura. O famoso Corvo Attano está de volta, agora junto de Emily Kaldwin, personagem que esteve presente no primeiro jogo apenas como uma criança, e que agora foi revelada oficialmente como a filha de Corvo, algo que o original já dava pistas através de documentos e outros indícios. O novo jogo se passa 15 anos após os eventos do primeiro, e é novamente uma história de vingança, de tomar de volta o que é seu por direito. Logo no início vemos Emily, até então Imperatriz do reino das ilhas, perder seu trono para sua suposta tia Delilah Copperspoon, uma bruxa que acaba colocando Corvo ou Emily em uma prisão de pedra. Qual dos dois será preso depende apenas de sua escolha de protagonista.

A principal novidade fica clara logo no início, quando temos a chance de escolher o personagem com que queremos viver esta aventura

A partir daí, você deve se aventurar para Karnaca, uma cidade da ilha de Serkonos no qual o famigerado Assassino da coroa começou a assassinar pessoas supostamente em nome da Imperatriz, o que levou má fama não só à Emily, mas também Corvo, que detém o cargo de protetor real. As pistas encontradas em Karnaca são essenciais para desvendar os mistérios por trás de Delilah e seus aliados que aplicaram o golpe. Como Corvo ou Emily, o jogador é dotado de poderes sobrenaturais, cada personagem conta com seus próprios, embora vários sejam semelhantes entre os dois. Corvo retorna com todos seus poderes do primeiro jogo, além de um ou dois novos e também algumas novas melhorias para poderes antigos.

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A estrutura do jogo continua a mesma, não de mundo aberto mas com áreas grandes para explorar. Senti falta, no entanto, de mais quests secundárias, como aquelas que haviam no original. Aqui praticamente não há esse tipo de quest, apenas na forma de objetivos opcionais da própria missão. Para descobrir tais objetivos, o jeito é explorar, o que ainda pode recompensar o jogador com chaves para portas, senhas de cofres ao ler documentos e caminhos alternativos que podem ser descobertos até ouvindo conversas de outras pessoas. Os colecionáveis estão de volta na forma de runas e amuletos de osso. As runas permitem aprender e melhorar habilidades, enquanto os amuletos de osso concedem bônus passivos ao jogador. Sendo assim, explorar os cenários das missões é importante e pode ajudar bastante no decorrer da história.

Um dos elementos mais gratificantes, algo que já era destaque no primeiro jogo, é a possibilidade de usar a criatividade para lidar com inimigos

O gameplay consiste basicamente no uso dos poderes e armas, seja aliados à furtividade ou não. Um dos elementos mais gratificantes, algo que já era destaque no primeiro jogo, é a possibilidade de usar a criatividade para lidar com inimigos. O jogo permite que você mescle o uso de poderes de formas inteligentes e inusitadas, gerando mortes extremamente elaboradas. Um exemplo que o próprio jogo dá é utilizar o poder de isca de Emily (cria a imagem de uma pessoa semelhante à Emily), e usar a ligação de mentes dos inimigos com a isca para que compartilhem o mesmo destino. Desta forma, um inimigo que ver a isca irá atacar e matar, consequentemente causando sua própria morte. Essas possibilidades ressaltam a liberdade de ação que o jogo dá ao jogador, podendo tomar abordagem furtiva, frenética, letal ou não letal. Tudo é válido, nada é descartado como algo impossível. É incrível ver como o jogo está preparado para qualquer abordagem de sua escolha.

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Em seu arsenal, Emily e Corvo contam com diversas formas de lidar com inimigos: virotes incendiários, soníferos, minas atordoantes, minas de estilhaços. Mas o equipamento que mais chama a atenção é o chamado Altercronus, um dispositivo que permite ao usuário transitar entre o passado e o presente. Embora esteja disponível apenas em uma missão, seu uso é absolutamente genial, permitindo que o jogador altere entre dois tempos distintos, e melhor que isso, permite que você estando no passado ou presente, visualize o que está acontecendo no outro tempo. Ou seja, se você está no presente olhando para um corredor vazio, ao visualizar no Altercronus pode ser que veja um inimigo neste mesmo corredor. Não preciso nem mencionar as possibilidades disso e o quanto é fantástico. É uma das funcionalidades mais interessantes que já vi em um jogo. Vale destacar também os cenários variados e inteligentes, como um bairro que sofre com tempestades de areia, algo que influencia o gameplay, e a fantástica mansão mecânica que altera seus cômodos ao puxar alavancas.

Embora esteja disponível apenas em uma missão, o uso do dispositivo chamado de Altercronus é absolutamente genial

Visualmente Dishonored 2 é bem bonito, muito cheio de detalhes e, mesmo estando bem melhor que do primeiro jogo, parece manter muito bem sua essência. Efeitos de sombra e iluminação são ótimos, assim como efeitos climáticos que podemos perceber principalmente no distrito da poeira. Porém nem tudo é tão perfeito, já que a versão para PC, que foi a utilizada para esta análise, contou com diversos problemas desde o lançamento do jogo. Bugs visuais como pontos brancos em certos locais onde texturas se encontram são um exemplo. Mas ainda pior que isso é a performance terrivelmente instável ao longo de todo o jogo, mesmo rodando na configuração “Alta” (o jogo ainda conta com duas configurações acima) em uma máquina potente. Mesmo que tudo já pareça estar fluindo sem problemas após o lançamento de uma atualização, não poderia deixar de mencionar estes problemas de clara falta de otimização do jogo.

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Além de oferecer novidades como a possibilidade de selecionar o personagem, o jogo ainda dá voz a eles, o que é algo excelente e que causa maior aproximação ao personagem. Ao longo da história há até comentários do protagonista em relação as coisas que vê no mundo e interage. O fato de ter voz é ainda melhor quando percebemos a ótima qualidade da dublagem original, que conta com grandes nomes como Rosario Dawson (Demolidor), Vincent D’Onofrio (Demolidor), Pedro Pascal (Game of Thrones) e vários outros. Já a dublagem em português do Brasil conta com boas vozes em grande parte, mas com algumas exceções. O pior no entanto é a perda da qualidade do áudio em alguns momentos e até atropelamento de falas durante diálogos. Mas uma coisa a se louvar é a localização para o português do Brasil em termos de textos. Ao longo das mais de 20 horas de jogo li inúmeros documentos e não vi um erro sequer, algo que infelizmente é raro em jogos, já que muitas vezes trazem textos traduzidos de forma desleixada.

Infelizmente também notei alguns problemas no áudio, como a música de fundo que ás vezes é cortada sem motivo aparente. Fora isso, a trilha sonora é ótima e parece cair bem no estilo do jogo. Outro elemento que melhorou, algo que me incomodava no primeiro jogo, é que agora vemos a importância de cada alvo a ser assassinado, já que no primeiro passávamos sem ter uma noção exata. Entre as missões existem até cenas em animação onde o personagem explica o que vai fazer e no que isso deve resultar. Uma impressão que tive é que, embora o jogo adapte perfeitamente à sua escolha de personagem, parece mais natural jogar como Emily, já que é ela quem está perdendo o trono e que deve lutar para tê-lo de volta. Mas claramente ao escolher Corvo tudo é também moldado para uma experiência correta.

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Para aqueles que assim como eu, são apaixonados pelo estilo stealth nos jogos, Dishonored 2 é uma das maiores recomendações que posso dar. Sendo uma continuação ainda melhor que seu antecessor, a série agora tem lugar reservado em minha lista de melhores jogos deste gênero. Seus problemas iniciais no PC não tiram seu merecido brilho de um jogo com ótima história, sensação de poder absoluto, gameplay criativo e principalmente que dá liberdade para o jogador impor seu próprio estilo de jogo, sem que isso pareça errado ou estranho. Os caminhos para seus alvos são diversos e demonstram bem esta liberdade, assim como as diferentes formas de lidar com os chefes. Caso prefira, agora é possível até jogar em um modo sem nenhum poder. Como a própria desenvolvedora Arkane Studios diz: “jogue do seu jeito”.

  • Este review de Dishonored 2 foi feito no PC com uma cópia do game enviada para nós pela Nuuvem.
Por muito tempo deixei Dishonored parado em minha biblioteca do Steam, mesmo após ter começado o jogo duas vezes sem terminá-lo. Não sei dizer ao certo porque não tive a vontade de continuar, visto que um jogo do gênero furtivo cai perfeitamente no estilo de jogo que gosto profundamente. Próximo ao lançamento de Dishonored 2, finalmente voltei a ele e terminei antes da continuação para que minha experiência pudesse ser a melhor possível, conhecendo o universo e os personagens. Terminá-lo serviu para que eu pudesse ver o que todos que jogaram já haviam notado, sua ótima qualidade. Dishonored 2 por sua vez, adere totalmente às qualidades do jogo original, oferecendo uma experiência melhor em todos os sentidos possíveis. Não apenas da história, não apenas no gameplay, não apenas na liberdade de ação, mas em tudo. O interessante é notar que a estrutura é exatamente a mesma utilizada no primeiro jogo, é como estar assistindo Star Wars: Episódio VII e notando o quanto ele se parece com Star Wars: Episódio IV, o que de forma alguma considero algo ruim, já que a base era algo muito bem trabalhado, mas que ainda contava com espaços para aprimoramentos. A principal novidade fica clara logo no início, quando temos a chance de escolher o personagem com que queremos viver esta aventura. O famoso Corvo Attano está de volta, agora junto de Emily Kaldwin, personagem que esteve presente no primeiro jogo apenas como uma criança, e que agora foi revelada oficialmente como a filha de Corvo, algo que o original já dava pistas através de documentos e outros indícios. O novo jogo se passa 15 anos após os eventos do primeiro, e é novamente uma história de vingança, de tomar de volta o que é seu por direito. Logo no início vemos Emily, até então Imperatriz do reino das ilhas, perder seu trono para sua suposta tia Delilah Copperspoon, uma bruxa que acaba colocando Corvo ou Emily em uma prisão de pedra. Qual dos dois será preso depende apenas de sua escolha de protagonista. A principal novidade fica clara logo no início, quando temos a chance de escolher o personagem com que queremos viver esta aventura A partir daí, você deve se aventurar para Karnaca, uma cidade da ilha de Serkonos no qual o famigerado Assassino da coroa começou a assassinar pessoas supostamente em nome da Imperatriz, o que levou má fama não só à Emily, mas também Corvo, que detém o cargo de protetor real. As pistas encontradas em Karnaca são essenciais para desvendar os mistérios por trás de Delilah e seus aliados que aplicaram o golpe. Como Corvo ou Emily, o jogador é dotado de poderes sobrenaturais, cada personagem conta com seus próprios, embora vários sejam semelhantes entre os dois. Corvo retorna com todos seus poderes do primeiro jogo, além de um ou dois novos e também algumas novas melhorias para poderes antigos. A estrutura do jogo continua a mesma, não de mundo aberto mas com áreas grandes para…

9

Fantástico!

Veredito Final

Não consigo deixar de louvar Dishonored 2, jogo que melhora todos os pontos de seu antecessor, e que para minha surpresa oferece uma história com mesma estrutura, mas ainda nova e perfeitamente coerente com o universo do game. O gameplay é o ponto alto aqui, oferecendo total liberdade para o jogador impor a sua própria forma de jogar, seja furtivo, letal, não letal, todas as abordagens são possíveis e válidas, sem que algo pareça estar errado. Os inimigos são certamente mais inteligentes, levando à necessidade de criatividade e improvisação no uso dos poderes, o que nos faz sentir poderosos e capazes de qualquer coisa. O uso do equipamento Altercronus é uma das coisas mais geniais que já vi em um jogo, mesmo que seja por tão pouco tempo. Ainda que pareça ter seus problemas de performance e bugs visuais resolvidos, é triste ver o quanto o jogo sofreu desde seu lançamento com má otimização no PC. Mesmo assim, o visual do jogo é belíssimo e cheio de detalhes nos cenários, conseguindo ainda manter aquela essência do primeiro game. Dishonored 2 consegue concretizar de vez o lugar da série em minha lista de melhores franquias de stealth.

Nota

9

9

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.