Review – Deus Ex: Mankind Divided – Cyberpunk refinado

28 de agosto de 2016

Diferente de Deux Ex: Human Revolution, ótimo jogo lançado em 2011 que mostrava um mundo onde os aprimoramentos eram o futuro, eram a possibilidade de pessoas deficientes se tornarem normais novamente, no novo Deus Ex: Mankind Divided, que se passa dois anos após os eventos do jogo anterior, vemos na verdade o oposto disso. Tudo aquilo que era a esperança de um futuro bom foi por água abaixo com o Incidente ocorrido ao final de Human Revolution, e este é um dos grandes pontos para o novo jogo, que parte daí para criar todo o contexto de fundo para a nova história.

Para aqueles que não jogaram Human Revolution, uma ótima notícia é que o novo game conta com um vídeo de 12 minutos explicando todos os pontos importantes, o que é suficiente para entender o que aconteceu e o que isso resultou. Mankind Divided parte de um ponto onde o mundo está completamente dividido. Os aprimoramentos humanos serviriam para dar de volta uma vida normal àqueles que perderam uma perna, um braço ou algum outro tipo de deficiência, porém estas pessoas agora são vistas como perigo para a sociedade, o que foi comprovado pelo Incidente do jogo anterior onde todas as pessoas aprimoradas do mundo foram afetadas por um sinal que as deixou com comportamento agressivo.

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Em meio a tudo isso está o protagonista Adam Jensen, um aprimorado que agora faz parte do TF-29, uma força especial da Interpol com base em Praga criada especialmente para lidar com os ataques terroristas e conflitos que aumentaram entre os aprimorados e aqueles que defendem uma natureza pura, sem o uso de melhorias. A divisão social é bem clara, e é um dos pontos principais do jogo, pois como estamos no controle de um aprimorado, é interessante ver o ponto de vista das pessoas ao conversarmos com elas, seja através de preconceito das pessoas normais, ou o medo e preocupação dos aprimorados.

É muito bom ver que o jogo permite que o jogador escolha a forma de jogar, seja de forma letal, não letal, furtivamente ou atirando para todos os lados freneticamente

Essa divisão é muito bem utilizada no jogo, e um dos destaques são os diálogos, que muitas vezes geram reflexões profundas sobre a diferença social entre os naturais e os aprimorados, além de questões existenciais. A história usa bem esses conceitos e oferece tramas complexas e conspirações, principalmente com a influência dos Illuminati, que aqui representam um grupo que tentam controlar o mundo e são o alvo de Adam. Infelizmente, no entanto, a história é deixada um pouco aberta ao final, possivelmente para uma continuação. Só espero que não seja algo que será terminado através de DLC, pois podia certamente já estar no jogo base. Vale ressaltar no entanto, a grande importância de assistir aos créditos.

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A opressão policial em um gueto para pessoas aprimoradas, e a incrível quantidade de detalhes no cenário

O gameplay é ótimo, responsivo e bem semelhante ao jogo anterior. Adam pode usar armas de fogo, ataques corporais ou aprimoramentos. As melhorias podem ser adquiridas com Praxis kits, itens recebidos ao subir de nível, encontrados nos cenários, ou comprados com dinheiro real (é possível ignorar completamente a existência das micro-transações, em nenhum momento o jogo sugere a compra de algo com dinheiro real). Grande parte das melhorias presentes em Human Revolution estão de volta, além de algumas novas bem interessantes. É muito bom ver que o jogo permite que o jogador escolha a forma de jogar, seja de forma letal, não letal, furtivamente ou atirando para todos os lados freneticamente. Este é um dos pontos altos da série, não há forma errada de jogar, e o jeito que você escolher será recompensado. As melhorias que você obter serão de grande importância para definir qual caminho a seguir, portanto a escolha exige atenção.

Toda quest secundária é interessante e bem diferente uma da outra

Uma das melhorias mais fortes por exemplo, o Typhoon, que no jogo anterior assumia uma forma apenas letal, aqui pode ser adquirida também para aqueles que querem jogar de forma não letal. Os aprimoramentos escolhidos serão importantes também na infiltração. Como sempre aconteceu na série, sempre há diversos caminhos e opções ao entrar em um local, e o novo jogo ainda adiciona mais formas de passar pelo alto. Caso exista uma porta trancada que exija nível de hackeamento maior do que você tenha, é bem provável que exista uma outra rota de entrada ao local desejado, seja por cima ou através de dutos de ventilação. Dependerá então de quais aprimoramentos você tem para ver qual caminho utilizar.

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Detalhes até nas gotas na roupa do personagem após sair da chuva

A sensação de progressão é notável com cada aprimoramento obtido. Você vai percebendo o quanto ficou forte ao longo do jogo, seja com baterias que duram mais, um pulo maior ou até força suficiente pra pegar caixas enormes, estes dois últimos que são ótimos para acessar áreas mais escondidas. Falando nisso, jogadores que gostam de explorar são altamente recompensados. É possível achar registros de secretária portátil com códigos para locais de armazenamentos cheios de itens, códigos para computadores, além de ganhar experiência por explorar lugares mais ocultos. A possibilidade de usar stealth foi ainda melhorada com aprimoramentos de marcação de inimigos e cones de visão.

Em termos de dublagem, temos o que pode ser uma das piores dublagens em português já feitas

Por não ser um jogo de mundo aberto, Deus Ex não sofre com o mal desse tipo de jogo, que normalmente são cheios de quests secundárias bestas. Aqui toda quest secundária é interessante e bem diferente uma da outra. Em algumas quests, sejam secundárias ou principais, será exigido que o jogador faça uma escolha, estas que em grande parte são decisões com peso, várias me fizeram ficar pensando por um bom tempo sobre o que fazer. Uma melhora em relação ao jogo anterior é em relação às batalhas de chefe, que apesar de serem em menor número, são mais inteligentes. Outro aspecto que vale ser mencionado é que em momentos que o conflito parece ser inevitável, na verdade é possível completar apenas no diálogo. Ter essa opção é algo que considero bem interessante, dando mais variação e opções na hora de resolver as quests.

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Em termos visuais, Mankind Divided é lindo, com um universo cyberpunk muito bem retratado e gráficos de muita qualidade. Os cenários foram criados com extrema atenção à detalhes, assim como as roupas dos personagens. Há menor qualidade apenas na face de personagens menos importantes, que apresentam uma textura menos detalhada. Tecnicamente o jogo deve ser louvado, já que há um número mínimo de bugs. O maior problema fica por conta da performance principalmente em áreas maiores, onde há nitidamente a queda de frames. Porém o mesmo não pode ser dito da versão para PC, que vem sofrendo com problemas de performance e crashes. Outro ponto ruim é a física dos inimigos abatidos, que funciona muito mal. É possível arrastar os inimigos, o que nem sempre é uma tarefa fácil e acaba gerando frustração.

Mankind Divided é lindo, com um universo cyberpunk muito bem retratado e gráficos de muita qualidade

Já em termos de dublagem, temos o que pode ser uma das piores dublagens em português já feitas em um jogo. Além de não ter emoção nas falas, muitas vezes os diálogos sequer fazem sentido. Infelizmente, as legendas em português também foram afetadas, possivelmente por terem seguido o roteiro da dublagem. A melhor opção acaba sendo usar a dublagem original, esta que é excelente, com personagens que demonstram emoção e tem o sotaque correto, o que pode passar despercebido mas é interessante ver que houve a preocupação, tornando a experiência mais imersiva. Os personagens do jogo também merecem destaque, pois são interessantes e muito bem retratados, seja o chefe da máfia local ou o nerd que ajuda Adam com seus aprimoramentos, cada um tem seus objetivos próprios e ponto de vista sobre o mundo atual.

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Apesar de Deus Ex não precisar de multiplayer, Mankind Divided conta com um modo chamado Breach. Este que não é um multiplayer comum como vemos em jogos atualmente, mas sim uma variação do gameplay do single-player que tem elementos de competição entre jogadores com placares de líderes, incentivando a fazer mais pontos ou completar fases o mais rápido possível. O modo é interessante principalmente pela sua tentativa de se ligar ao enredo do jogo, usando diversos conceitos que realmente se encaixam. Cada jogador se torna um hacker que tem como objetivo capturar dados em um mundo abstrato dentro de uma rede na internet. O gameplay é o mesmo com uso de armas e aprimoramentos, porém necessitando maior velocidade do que no single-player, o que leva a usar bastante as armas de fogo.

Deus Ex: Mankind Divided é uma excelente continuação a Human Revolution. O novo game pega o anterior como base e o melhora em todos os aspectos. Apesar de contar com um final não completamente conclusivo, a história é ótima com toda sua complexidade, decisões e universo fantástico de cyberpunk. Universo este que nem sempre é tão bem explorado nos jogos, o que me faz desejar que Deus Ex seja lançado com mais frequência, e não com intervalos de cinco anos. O jogo conta com pouquíssimos problemas técnicos nos consoles, o loading pode ser bem chato para aqueles que como eu sempre estão carregando saves anteriores, mas as aproximadas 30 horas de jogo são facilmente recompensadoras.

  • Este review de Deus Ex: Mankind Divided foi feito no PlayStation 4 com uma cópia do game enviada para nós pela Square Enix.
Diferente de Deux Ex: Human Revolution, ótimo jogo lançado em 2011 que mostrava um mundo onde os aprimoramentos eram o futuro, eram a possibilidade de pessoas deficientes se tornarem normais novamente, no novo Deus Ex: Mankind Divided, que se passa dois anos após os eventos do jogo anterior, vemos na verdade o oposto disso. Tudo aquilo que era a esperança de um futuro bom foi por água abaixo com o Incidente ocorrido ao final de Human Revolution, e este é um dos grandes pontos para o novo jogo, que parte daí para criar todo o contexto de fundo para a nova história. Para aqueles que não jogaram Human Revolution, uma ótima notícia é que o novo game conta com um vídeo de 12 minutos explicando todos os pontos importantes, o que é suficiente para entender o que aconteceu e o que isso resultou. Mankind Divided parte de um ponto onde o mundo está completamente dividido. Os aprimoramentos humanos serviriam para dar de volta uma vida normal àqueles que perderam uma perna, um braço ou algum outro tipo de deficiência, porém estas pessoas agora são vistas como perigo para a sociedade, o que foi comprovado pelo Incidente do jogo anterior onde todas as pessoas aprimoradas do mundo foram afetadas por um sinal que as deixou com comportamento agressivo. Em meio a tudo isso está o protagonista Adam Jensen, um aprimorado que agora faz parte do TF-29, uma força especial da Interpol com base em Praga criada especialmente para lidar com os ataques terroristas e conflitos que aumentaram entre os aprimorados e aqueles que defendem uma natureza pura, sem o uso de melhorias. A divisão social é bem clara, e é um dos pontos principais do jogo, pois como estamos no controle de um aprimorado, é interessante ver o ponto de vista das pessoas ao conversarmos com elas, seja através de preconceito das pessoas normais, ou o medo e preocupação dos aprimorados. É muito bom ver que o jogo permite que o jogador escolha a forma de jogar, seja de forma letal, não letal, furtivamente ou atirando para todos os lados freneticamente Essa divisão é muito bem utilizada no jogo, e um dos destaques são os diálogos, que muitas vezes geram reflexões profundas sobre a diferença social entre os naturais e os aprimorados, além de questões existenciais. A história usa bem esses conceitos e oferece tramas complexas e conspirações, principalmente com a influência dos Illuminati, que aqui representam um grupo que tentam controlar o mundo e são o alvo de Adam. Infelizmente, no entanto, a história é deixada um pouco aberta ao final, possivelmente para uma continuação. Só espero que não seja algo que será terminado através de DLC, pois podia certamente já estar no jogo base. Vale ressaltar no entanto, a grande importância de assistir aos créditos. A opressão policial em um gueto para pessoas aprimoradas, e a incrível quantidade de detalhes no cenário O gameplay é ótimo, responsivo e bem semelhante ao jogo anterior. Adam pode…

9

Fantástico!

Veredito Final

Deus Ex: Mankind Divided é uma excelente continuação de Human Revolution. Mesmo que se assemelhe bastante ao jogo anterior, o novo game é melhor em todos os sentidos, desde à ótima história que apresenta uma trama complexa, de conspirações, decisões pesadas e quests sem repetições, até o refinado gameplay que dá total liberdade ao jogador para utilizar sua abordagem de preferência. Seja você amante de modo furtivo ou de tiroteio frenético, o jogo te dá as ferramentas para o estilo que desejar. Há uma nítida progressão a cada aprimoramento obtido, e a sensação de poder aumentado é notável. Apesar de péssima dublagem em português, a dublagem original é extremamente competente, e os diálogos muito bem escritos, assim como personagens bem definidos. Tecnicamente vemos problemas com performance, principalmente em áreas maiores, onde a taxa de frames é prejudicada. No entanto, o visual é impressionante com detalhes nas roupas, faces dos personagens principais e nos cenários. Deus Ex: Mankind Divided retrata perfeitamente o interessante universo cyberpunk, só é uma pena não termos jogos da série com mais frequência.

Nota

9

9

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.