Review – Battlefield 1 – A guerra para acabar com todas as guerras

9 de novembro de 2016

Uma das frases mais marcantes sobre a Primeira Guerra Mundial aparece logo na abertura de Battlefield 1 e define a temática do novo game da série, ou pelo menos de sua campanha single-player: “A guerra para acabar com todas as guerras… não acabou com nada”. A DICE opta por nos colocar, sem cerimônia, diretamente no modo campanha do jogo, em um prólogo brutal, aonde cada morte é seguida de uma tela preta, com o nome de um soldado e sua data de falecimento.

No papel de soldados da famosa infantaria Harlem Hellfighters, você enfrenta ondas e mais ondas de inimigos em uma cidade toda destruída, aonde é praticamente impossível sobreviver. Reforçando com competência a brutalidade da situação e o desespero dos soldados que participaram desta guerra. A abertura de Battlefield 1, apesar de emocionalmente carregada, é executada com brilhantismo e funciona como o primeiro degrau de uma campanha single-player fantástica.

Primeiramente é preciso parabenizar a DICE por escolher uma período da história praticamente esquecido pelos shooters modernos. A Primeira Guerra Mundial não tem o charme sombrio da luta contra os nazistas durante a Segunda Guerra, nem todos os aparatos e tecnologias das guerras futuristas. Mas Battlefield 1 acerta em quase todos os sentidos, retratando o período com fidelidade, gráficos impressionantes e um design de som sem precedentes.

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Antes de falar sobre o multiplayer (que continua a ser o grande chamativo da série), necessito gastar algumas palavras com o modo campanha do game. Todos sabem que a franquia nunca teve um modo história competente, especialmente em suas iterações mais recentes, mas felizmente Battlefield 1 reverte esta situação e nos entrega cinco histórias de guerra intensas, emocionantes, repletas de ação frenética e que servem como um longo tutorial sobre as mecânicas do jogo.

Você controla um piloto de tanque britânico, um piloto de avião americano, um sentinela italiano, um patrulheiro australiano e uma assassina árabe. As histórias não tem nenhuma ligação entre si e se passam em locais completamente diferentes do globo, mas isto funciona de forma excelente para nos mostrar o escopo da primeira grande guerra e também os diferentes pontos de vista de cada um dos soldados destas nações. Cada história tem por volta de duas horas de duração.

O curto tempo não é suficiente para nos deixar envolvido com os personagens, mas é mais do que o suficiente para nos deixar absorvidos com o terror da guerra. Algumas histórias (como a do piloto americano) te deixam até curioso para saber se aquilo realmente aconteceu. O tempo também é usado de forma inteligente para te explicar cada mecânica do jogo, como o uso de veículos, aviões, cavalos, explosivos, armas montadas e mais uma infinidade de outras ferramentas de guerra. Para aqueles que talvez estejam um pouco afastados da série como eu, o modo campanha é duplamente recomendável.

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A forma como a campanha é estruturada e suas ambientações absolutamente fantásticas, fazem o single-player de Battlefield 1 ser um dos mais memoráveis da série. Apesar de eu particularmente não gostar da direção que shooters modernos tem tomado (com suas versões anuais sem valor agregado), novamente é preciso dar crédito a DICE por entregar um modo campanha diferenciado e excelente, provendo horas de conteúdo de qualidade independente do modo online.

Apesar de manter as ambientações e qualidade artística incríveis, o modo multiplayer de Battlefield 1 é basicamente o que fãs esperam da série. Sem muitas surpresas, o game conta com vários modos de jogo, como o tradicional Conquista, aonde times de 32 jogadores tentam capturar pontos em mapas gigantes. Além disso também temos outros clássicos como o modo Dominação, o modo Rush, e o Team Deathmatch. As novidades ficam por conta do modo “Pombos de Guerra”, aonde um time deve soltar um pombo-correio enquanto o outro tenta impedir, e o modo Operações, aonde diversas batalhas reais da primeira guerra são recriadas e jogadores podem passar horas enfrentando inimigos em diferentes cenários.

Os novos modos não são suficientes para alterar a essência do multiplayer da série Battlefield, já que o combate em cada um deles é bem semelhante, mas estas novidades se encaixam bem na temática do jogo. O problema do multiplayer do game para mim, se mantém o mesmo dos games anteriores da série: em um momento a partida é fantástica e em outro absolutamente frustrante. O visual e o design de som são inigualáveis, de cidades em ruínas a enormes desertos ou florestas; do som da bala de um sniper passando do seu lado ao da explosão de um veículo colossal, tudo respira qualidade e serve para fazer de Battlefield 1 um dos jogos mais bonitos da atual geração.

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A variedade e o design das armas são fantásticos e neste ponto é difícil achar algo tão competente quanto Battlefield 1. O game te força a adaptar a cada troca de arma e estas tem peso e características próprias, fazendo com que os combates seja dinâmicos e imprevisíveis. Veículos são variados e competentes, e armas montadas adicionam ainda mais possibilidades ao combate. Battlefield 1 ainda conta com veículos colossais, como trens ou zepelins, que podem mudar o rumo da partida.

Infelizmente a beleza e quantidade de opções não evitam a frustração, principalmente para o jogador inexperiente ou casual. Veículos continuam a ser a melhor forma de se conseguir sobreviver e eliminar inimigos. Nem mesmo jogando com uma classe específica para eliminá-los, é possível ter sucesso. A classe médica é praticamente mandatória para tentar ganhar uns pontos extras ressuscitando companheiros e snipers continuam a ser os reis do modo Conquista. O sistema de progressão e recompensas, além de confuso, continua a beneficiar aqueles que gastam mais horas no jogo, algo que infelizmente continua a se repetir em muitos outros shooters modernos.

Para o jogador casual como quem vos escreve, cada momento épico do multiplayer Battlefield 1 vem junto a vinte ou mais momentos frustrantes. Para cada tiro perfeito de sniper a vários metros de distância, para cada inimigo eliminado com sua baioneta ou atropelado pelo seu cavalo, você sofrerá dezenas de mortes por snipers ou explodido pelo canhão de um tanque. Battlefield 1 é a história de dois modos: o fantástico modo campanha e suas histórias carregadas de emoção, e o modo multiplayer com sua ação frenética e muitas vezes frustrante. Felizmente a qualidade técnica impressionante e a ambientação diferenciada da Primeira Guerra, está presente em ambos e isto torna Battlefield 1 um excelente game.

  • Este review de Battlefield 1 foi feito no PC com uma cópia do game enviada para nós pela Electronic Arts.
Uma das frases mais marcantes sobre a Primeira Guerra Mundial aparece logo na abertura de Battlefield 1 e define a temática do novo game da série, ou pelo menos de sua campanha single-player: "A guerra para acabar com todas as guerras... não acabou com nada". A DICE opta por nos colocar, sem cerimônia, diretamente no modo campanha do jogo, em um prólogo brutal, aonde cada morte é seguida de uma tela preta, com o nome de um soldado e sua data de falecimento. No papel de soldados da famosa infantaria Harlem Hellfighters, você enfrenta ondas e mais ondas de inimigos em uma cidade toda destruída, aonde é praticamente impossível sobreviver. Reforçando com competência a brutalidade da situação e o desespero dos soldados que participaram desta guerra. A abertura de Battlefield 1, apesar de emocionalmente carregada, é executada com brilhantismo e funciona como o primeiro degrau de uma campanha single-player fantástica. Primeiramente é preciso parabenizar a DICE por escolher uma período da história praticamente esquecido pelos shooters modernos. A Primeira Guerra Mundial não tem o charme sombrio da luta contra os nazistas durante a Segunda Guerra, nem todos os aparatos e tecnologias das guerras futuristas. Mas Battlefield 1 acerta em quase todos os sentidos, retratando o período com fidelidade, gráficos impressionantes e um design de som sem precedentes. Antes de falar sobre o multiplayer (que continua a ser o grande chamativo da série), necessito gastar algumas palavras com o modo campanha do game. Todos sabem que a franquia nunca teve um modo história competente, especialmente em suas iterações mais recentes, mas felizmente Battlefield 1 reverte esta situação e nos entrega cinco histórias de guerra intensas, emocionantes, repletas de ação frenética e que servem como um longo tutorial sobre as mecânicas do jogo. Você controla um piloto de tanque britânico, um piloto de avião americano, um sentinela italiano, um patrulheiro australiano e uma assassina árabe. As histórias não tem nenhuma ligação entre si e se passam em locais completamente diferentes do globo, mas isto funciona de forma excelente para nos mostrar o escopo da primeira grande guerra e também os diferentes pontos de vista de cada um dos soldados destas nações. Cada história tem por volta de duas horas de duração. O curto tempo não é suficiente para nos deixar envolvido com os personagens, mas é mais do que o suficiente para nos deixar absorvidos com o terror da guerra. Algumas histórias (como a do piloto americano) te deixam até curioso para saber se aquilo realmente aconteceu. O tempo também é usado de forma inteligente para te explicar cada mecânica do jogo, como o uso de veículos, aviões, cavalos, explosivos, armas montadas e mais uma infinidade de outras ferramentas de guerra. Para aqueles que talvez estejam um pouco afastados da série como eu, o modo campanha é duplamente recomendável. A forma como a campanha é estruturada e suas ambientações absolutamente fantásticas, fazem o single-player de Battlefield 1 ser um dos mais memoráveis da série. Apesar de…

8.8

Excelente

Veredito Final

Battlefield 1 pode ser definido pela disparidade de seus modos de jogo. O novo game da DICE conta com uma campanha single-player brilhante, contada através de cinco histórias de guerra diferentes, que são carregadas de emoção, servem inteligentemente como um longo tutorial e ajudam a delinear o escopo e a ambientação da Primeira Guerra Mundial. Já o modo multiplayer, mesmo com a inclusão de algumas novidades, continua a ser o mesmo Battlefield de outrora. Em um momento a partida é fantástica e recheada de momentos épicos, em outro é absolutamente frustrante. Felizmente os gráficos impressionantes da engine Frostbite, o design de som sem precedentes e a fantástica (e corajosa) ambientação neste período da história, servem para esconder um pouco seus defeitos e reforçar todas as suas qualidades.

Nota
9

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.