Review – Batman: The Telltale Series – Episódio 1: Realm of Shadows

Para a maioria dos fãs gamers do Batman não havia dúvidas de que Batman Arkham Knight, terceiro jogo da série da Rocksteady, era a versão definitiva do homem morcego no mundo dos games. Poder planar por toda Gotham, bater em bandidos, investigar cenas de crimes, usar gadgets e ainda pilotar o Batmóvel por aí, foi uma experiência muito completa. E por esse motivo, quando Batman: The Telltale Series foi anunciado, muita gente ficou com o pé atrás, e por uma boa razão.

Embora tenha experiência adaptando quadrinhos para os games, a Telltale trabalha com uma mecânica muito específica de adventure, e era difícil imaginar todas essas bat-peripécias no formato. Por sorte, se há uma coisa que a Telltale já provou ser capaz de fazer, é quebrar paradigmas, e com criatividade e um bom enredo surpreender o jogador, traduzindo as mais diversas mecânicas de outras mídias para sua já consagrada experiência de quebra-cabeças e eventos de ação rápida.

Batman_telltale_series_episodio_1_image_03

O Batman da Telltale não foge à regra dos demais jogos da produtora, a base do gameplay são sequências de diálogo com opções de escolha, pequenos quebra-cabeças em que o jogador precisa encontrar lógica nos objetos do cenário, e as sequências de ação cheias de eventos rápidos, onde é preciso apertar o botão certo no tempo determinado pela cena. O que muda dos demais títulos, são algumas mecânicas extras colocadas especialmente para os momentos em que o traje de morcego se faz presente, algumas bastante criativas, como as investigações onde é preciso relacionar pistas para montar uma cena de crime, ou ainda momentos de análise prévia antes de executar uma invasão a um prédio. Nesse quesito inclusive, talvez esse seja um Batman mais inteligente que de suas versões anteriores dos games, perder um tempo preparando a lógica do ataque soa como algo que o maior detetive do mundo faria antes de entrar descendo a porrada.

Mas é na experiência fora do traje que a Telltale mostra seu poder. Com exceção de algumas sequências rápidas de outros jogos, nenhum havia mostrado o lado Bruce Wayne da história, que diga-se de passagem, é parte importantíssima em todos os bons enredos do personagem. Nesse episódio já fica claro que as decisões que Bruce toma enquanto bilionário fanfarrão farão muita diferença na vida noturna que ele leva, e serão essas decisões tomadas por ele que mais trarão diferenças ao enredo construído, de certa forma, pelo jogador. O foco na história faz de Bruce o personagem chave, e em diversos momentos é perceptível que a dificuldade e tensão do jogo irão se apresentar mais ao vestir um terno, do que uma capa.

Batman_telltale_series_episodio_1_image_01

Com relação aos personagens, embora o trailer tenha entregado pouco, o que havia me deixado particularmente preocupado, esse primeiro episódio já deixou claro que a vasta galeria de heróis e vilões do Batman nos quadrinhos será sim bastante utilizada, logo de cara temos a apresentação de dois dos mais famosos vilões da saga, ainda em suas versões “não-vilanescas”, não vou citar nomes aqui para não causar nenhum spoiler que possa estragar a experiência de vocês.

A apresentação de um deles porém pode causar certa estranheza nos fãs por diferir bastante da versão mais conhecida do personagem, mas dá a entender que a decisão foi tomada para que o mesmo se encaixe melhor em um enredo mais completo, que foca bastante nas relações entre os personagens, isso ainda teremos que avaliar melhor nos próximos episódios. Quanto aos aliados, além de Alfred, que aqui exerce um papel importantíssimo para o enredo como a voz na consciência de Bruce Wayne, temos a Mulher-Gato, que como sempre já chega causando confusão na vida do herói, talvez por isso sendo tão amada pelos fãs.

Primeiro_trailer_batman_telltale_v2

O que para a maioria pode passar como um detalhe imperceptível, revela que a Telltale ainda teve um carinho extra para com os fãs mais apaixonados do Batman nos quadrinhos, toda vez que o game é iniciado a logo do jogo é montada com a união de algumas imagens que aparecem em sequência na tela, dentre as quais podemos ver a capa da edição da Detective Comics número 27, onde o herói apareceu pela primeira vez pelas mãos de Bob Kane, e algumas outras artes do personagem em diversas fases marcantes dele nos quadrinhos, como a consagrada fase desenhada por Jim Lee, e até mesmo a primeira capa da fase mais recente do herói nos “Novos 52” da DC, pelas mãos do artista Greg Capullo.

No que diz respeito ao visual do jogo, a Telltale segue com sua linha padrão de cel shading e edge outline, que são técnicas para deixar o 3D do jogo mais cartunesco, e sem dar tanta importância às texturas, porém é interessante perceber que o trabalho de arte é muito bem realizado, no sentido de criar uma identidade visual que se diferencie bastante dos demais títulos da produtora. Porém não posso evitar de comentar que o visual gótico da Gotham dos quadrinhos, e que já foi tão bem retratada em filmes e até outros games, aqui não é levado muito a sério, mostrando uma arquitetura mais simplificada, que perde um pouco a identidade da cidade do cavaleiro das trevas.

  • Este review de Batman: A Telltale Series foi feito no PC com uma cópia do game enviada para nós pela Telltale Games.
Para a maioria dos fãs gamers do Batman não havia dúvidas de que Batman Arkham Knight, terceiro jogo da série da Rocksteady, era a versão definitiva do homem morcego no mundo dos games. Poder planar por toda Gotham, bater em bandidos, investigar cenas de crimes, usar gadgets e ainda pilotar o Batmóvel por aí, foi uma experiência muito completa. E por esse motivo, quando Batman: The Telltale Series foi anunciado, muita gente ficou com o pé atrás, e por uma boa razão. Embora tenha experiência adaptando quadrinhos para os games, a Telltale trabalha com uma mecânica muito específica de adventure, e era difícil imaginar todas essas bat-peripécias no formato. Por sorte, se há uma coisa que a Telltale já provou ser capaz de fazer, é quebrar paradigmas, e com criatividade e um bom enredo surpreender o jogador, traduzindo as mais diversas mecânicas de outras mídias para sua já consagrada experiência de quebra-cabeças e eventos de ação rápida. O Batman da Telltale não foge à regra dos demais jogos da produtora, a base do gameplay são sequências de diálogo com opções de escolha, pequenos quebra-cabeças em que o jogador precisa encontrar lógica nos objetos do cenário, e as sequências de ação cheias de eventos rápidos, onde é preciso apertar o botão certo no tempo determinado pela cena. O que muda dos demais títulos, são algumas mecânicas extras colocadas especialmente para os momentos em que o traje de morcego se faz presente, algumas bastante criativas, como as investigações onde é preciso relacionar pistas para montar uma cena de crime, ou ainda momentos de análise prévia antes de executar uma invasão a um prédio. Nesse quesito inclusive, talvez esse seja um Batman mais inteligente que de suas versões anteriores dos games, perder um tempo preparando a lógica do ataque soa como algo que o maior detetive do mundo faria antes de entrar descendo a porrada. Mas é na experiência fora do traje que a Telltale mostra seu poder. Com exceção de algumas sequências rápidas de outros jogos, nenhum havia mostrado o lado Bruce Wayne da história, que diga-se de passagem, é parte importantíssima em todos os bons enredos do personagem. Nesse episódio já fica claro que as decisões que Bruce toma enquanto bilionário fanfarrão farão muita diferença na vida noturna que ele leva, e serão essas decisões tomadas por ele que mais trarão diferenças ao enredo construído, de certa forma, pelo jogador. O foco na história faz de Bruce o personagem chave, e em diversos momentos é perceptível que a dificuldade e tensão do jogo irão se apresentar mais ao vestir um terno, do que uma capa. Com relação aos personagens, embora o trailer tenha entregado pouco, o que havia me deixado particularmente preocupado, esse primeiro episódio já deixou claro que a vasta galeria de heróis e vilões do Batman nos quadrinhos será sim bastante utilizada, logo de cara temos a apresentação de dois dos mais famosos vilões da saga, ainda em suas versões "não-vilanescas", não vou citar nomes…

9

Fantástico!

Veredito Final

Como primeiro episódio, foi possível ver que as mecânicas usadas funcionam bem, e deixa a impressão de que há várias boas idéias vindo por aí nos próximos episódios, a Telltale segue com sua fórmula que tem funcionado muito bem em outros títulos, tomando o cuidado necessário com o universo do homem morcego. O visual agrada por demonstrar ter uma identidade própria mesmo que utilize os mesmos padrões dos demais jogos da produtora. Agora é aguardar e continuar acompanhando para ver se o Batman da Telltale vai continuar evoluindo afim de entregar tanto quanto seu primeiro episódio prometeu.

Nota

9

9

Redator da SuperGamePlay, escritor, quadrinista, apaixonado por games desde a primeira vez que viu um Mega Drive. Pode não fazer todas as quests secundárias mas vai avaliar cautelosamente a paleta de cores do menu inicial. Um grande filósofo de banheiro que sonha com o dia em que nunca mais precisará dormir.