Review – Assassin’s Creed Syndicate – De volta aos trilhos

7 de novembro de 2015

Após o pior lançamento da história da série, e possivelmente da Ubisoft com Assassin’s Creed: Unity, pouco se esperava de Assassin’s Creed Syndicate, novo jogo da franquia que chegou no final de Outubro à nova geração de consoles. Apesar de não resolver todos os problemas tanto do último jogo, quanto da série, Syndicate consegue conquistar os jogadores por focar na diversão acima de tudo, contando com ótimos personagens, simplificando toda a bagunça já criada na franquia e trazendo à vida os belos cenários e vistas da Londres da era Vitoriana, no ano de 1868.

Uma das sensações que tive durante meus momentos de diversão em Assassin’s Creed Syndicate foi de nostalgia. Me senti relembrando os primeiros jogos da série, tanto o repetitivo primeiro título (apesar de aqui não trazer esse defeito) quanto o fantástico segundo jogo. Grande parte disso se deve aos carismáticos novos protagonistas, Jacob e Evie Frye. Os gêmeos assassinos são os melhores protagonistas desde o icônico Ezio Auditore, cada um com suas características marcantes e objetivos. Enquanto Jacob opta mais pela força, Evie se destaca pelo uso da furtividade.

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Estas características moldam também seus objetivos. Ao optar mais pela força sem pensar nas consequências, Jacob se assemelha mais a Arno, de Assassin’s Creed: Unity, e tem como principal objetivo livrar Londres do domínio dos templários. Já Evie, enquanto também deseja libertar Londres, se preocupa mais com os objetivos da Irmandade dos Assassinos, o que lembra Ezio. Seu principal objetivo é encontrar uma nova peça do Éden que está na cidade. Durante a exploração e nas diversas missões secundárias do game, você terá a opção de jogar com o personagem que preferir. Já durante as missões principais, por cada um ter um foco diferente, é restringido o uso de um dos irmãos para cada missão.

Os gêmeos assassinos são os melhores protagonistas desde o icônico Ezio Auditore

O principal elogio que posso fazer ao jogo é em seu foco pela diversão. Não existem mais as frustrantes missões de seguir e escutar conversas, ou partes incrivelmente chatas de hackear computadores no tempo moderno (aliás, esqueça o gameplay no tempo moderno). Syndicate te dá missões inteligentes, variadas e satisfatórias. As missões dos associados, amigos dos Assassinos como Charles Darwin, Karl Marx e outros, são um ponto forte no jogo, todas muito divertidas e interessantes de se fazer. Posso contar nos dedos quantas vezes fiquei frustrado ao jogar, algo que nos últimos títulos acontecia sempre. Um pouco disso talvez se deva ao fato de tudo estar até fácil demais. No novo jogo, até a história em si e as cenas no tempo moderno são simplificadas, resumindo toda a bagunça e complexidade criada nos jogos anteriores da série.

Charles Dickens, romancista e amigo dos Assassinos

Charles Dickens, romancista e amigo dos Assassinos

De fora das missões principais e de associados, jogadores tem diversas atividades disponíveis. As melhores e mais viciantes certamente são as de capturar áreas da cidade de Londres que estão sob controle dos templários. Estas missões acontecem de quatro formas diferentes: liberar crianças de fábricas, matar um alvo templário, sequestrar um alvo templário e entregá-lo à polícia ou invadir uma base de gangue e matar todos. Ao executar todas as missões de uma área, surge uma última missão para combater o líder da gangue que a comanda. Esta última batalha é basicamente uma briga generalizada entre os membros de sua gangue e a dos templários, e ao finalizá-la a área em questão será sua.

O principal elogio que posso fazer ao jogo é em seu foco pela diversão. Não existem mais as frustrantes missões de seguir e escutar conversas, ou partes incrivelmente chatas de hackear computadores no tempo moderno

Apesar de não estar livre dos bugs que atormentam a série desde sempre, como os terríveis problemas de colisão, animações bugadas e movimentação que ás vezes falha ao escalar ou ao usar o arpão, Syndicate traz um gameplay competente e de certa forma novo. Sim, ainda há a sensação de ser mais do mesmo, porém com um combate muito mais rápido e brutal, e com a inclusão da ferramenta mais útil de todos os tempos, o arpão, o game se renova de forma satisfatória. Não há prazer maior do que executar uma finalização em quatro inimigos que estão prestes a morrer. Assim como não há uma melhor forma de se mover por Londres do que com o arpão. Simplesmente não consigo mais imaginar um jogo da série sem a existência da ferramenta, que reduz imensamente o tempo para chegar aos objetivos.

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As novas animações de luta e finalização são fantásticas, já as cenas de corte do jogo parecem pouco detalhadas principalmente no rosto dos personagens, o que em Unity era certamente melhor. Assim como em todo game da série, o cenário é uma das coisas mais belas do jogo, os prédios de Londres, ruas e becos, tudo é muito bonito, repleto de detalhes e claro, colecionáveis. Espalhados por toda Londres estão glitchs do Helix, infinitos baús, caixas de música e mais. O excesso nos colecionáveis é algo que permaneceu desde o último título, e apesar de alguns até recompensarem com itens, não vejo motivo para o uso de tantos. Após obter alguns poucos baús já me vi cansado de ir atrás de outros.

O jogo não está livre dos bugs que atormentam a série desde sempre, como os terríveis problemas de colisão, animações bugadas e movimentação que ás vezes falha ao escalar ou ao usar o arpão

A história é ótima, se desenvolve bem e dá uma boa representação dos dois lados já vistos ao longo de toda a franquia, a forma mais “egoísta” de assassinos como Edward Kenway e Arno, o que está presente em Jacob, e também a forma inteligente que enxerga a importância de manter os artefatos do Éden longe dos templários, o que vemos em Evie, assim como em Altair e Ezio. Inimigos são derrubados um a um por Jacob, cabendo a Evie consertar os problemas da ausência dessas pessoas. O final culmina em uma missão excelente que infelizmente termina de forma besta e sem desafio. A batalha final é uma sequência de repetições sem sentido e facilidade extrema, exigindo apenas desviar e apertar um botão.

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Mas não há como negar que Assassin’s Creed Syndicate é um dos melhores entre os últimos títulos da série. O foco na diversão é algo extremamente bem acertado. Bugs de gameplay e até problemas com performance ainda estão presentes, mas em ridiculamente menor número que de Unity. O temível e lento menu do jogo anterior também está extinto, agora substituído por uma interface mais rápida. O combate é mais rápido, brutal e cheio de finalizações ótimas de assistir. O arpão é funcional e muito bem vindo, o que se torna ainda mais útil levando em consideração os loadings chatos e demorados ao usar um simples fast travel (o “fast” nesse caso não seria a melhor definição).

Outras mecânicas também foram muito bem melhoradas, como a furtividade, que agora realmente funciona de forma eficaz. A dinâmica entre os protagonistas é algo interessante de se ver, uma pena não ter sido muito usado em missões de forma semelhante a Grand Theft Auto V, alternando entre eles em diferentes momentos. Assassin’s Creed Syndicate não só deve ser jogado pelos fãs da série, como é também uma ótima forma de entrada para novatos. Diversão é a palavra da vez, seja ajudando Graham Bell enquanto usa seus gadgets ou caçando fantasmas em investigações com Charles Dickens.

  • Este review de Assassin’s Creed Syndicate foi feito no Xbox One com uma cópia do game enviada para nós pela Ubisoft.
Após o pior lançamento da história da série, e possivelmente da Ubisoft com Assassin's Creed: Unity, pouco se esperava de Assassin's Creed Syndicate, novo jogo da franquia que chegou no final de Outubro à nova geração de consoles. Apesar de não resolver todos os problemas tanto do último jogo, quanto da série, Syndicate consegue conquistar os jogadores por focar na diversão acima de tudo, contando com ótimos personagens, simplificando toda a bagunça já criada na franquia e trazendo à vida os belos cenários e vistas da Londres da era Vitoriana, no ano de 1868. Uma das sensações que tive durante meus momentos de diversão em Assassin's Creed Syndicate foi de nostalgia. Me senti relembrando os primeiros jogos da série, tanto o repetitivo primeiro título (apesar de aqui não trazer esse defeito) quanto o fantástico segundo jogo. Grande parte disso se deve aos carismáticos novos protagonistas, Jacob e Evie Frye. Os gêmeos assassinos são os melhores protagonistas desde o icônico Ezio Auditore, cada um com suas características marcantes e objetivos. Enquanto Jacob opta mais pela força, Evie se destaca pelo uso da furtividade. Estas características moldam também seus objetivos. Ao optar mais pela força sem pensar nas consequências, Jacob se assemelha mais a Arno, de Assassin's Creed: Unity, e tem como principal objetivo livrar Londres do domínio dos templários. Já Evie, enquanto também deseja libertar Londres, se preocupa mais com os objetivos da Irmandade dos Assassinos, o que lembra Ezio. Seu principal objetivo é encontrar uma nova peça do Éden que está na cidade. Durante a exploração e nas diversas missões secundárias do game, você terá a opção de jogar com o personagem que preferir. Já durante as missões principais, por cada um ter um foco diferente, é restringido o uso de um dos irmãos para cada missão. Os gêmeos assassinos são os melhores protagonistas desde o icônico Ezio Auditore O principal elogio que posso fazer ao jogo é em seu foco pela diversão. Não existem mais as frustrantes missões de seguir e escutar conversas, ou partes incrivelmente chatas de hackear computadores no tempo moderno (aliás, esqueça o gameplay no tempo moderno). Syndicate te dá missões inteligentes, variadas e satisfatórias. As missões dos associados, amigos dos Assassinos como Charles Darwin, Karl Marx e outros, são um ponto forte no jogo, todas muito divertidas e interessantes de se fazer. Posso contar nos dedos quantas vezes fiquei frustrado ao jogar, algo que nos últimos títulos acontecia sempre. Um pouco disso talvez se deva ao fato de tudo estar até fácil demais. No novo jogo, até a história em si e as cenas no tempo moderno são simplificadas, resumindo toda a bagunça e complexidade criada nos jogos anteriores da série. Charles Dickens, romancista e amigo dos Assassinos De fora das missões principais e de associados, jogadores tem diversas atividades disponíveis. As melhores e mais viciantes certamente são as de capturar áreas da cidade de Londres que estão sob controle dos templários. Estas missões acontecem de quatro formas diferentes: liberar crianças…

8

Excelente

Veredito Final

Após um lançamento desastroso de um jogo que não chega a ser ruim, a Ubisoft volta aos trilhos com Assassin's Creed Syndicate, que apesar de não eliminar todos os problemas da série, preza principalmente pela diversão e conquista com personagens carismáticos. A sensação de nostalgia pelos primeiros jogos da série está presente, nos relembrando o quanto é prazeroso jogar Assassin's Creed. A mecânica melhorada de furtividade, animações brutais de finalizações e a inclusão da ferramenta mais útil da franquia, o arpão, tornam o gameplay divertido e não frustrante. Missões variadas não deixam o jogo se tornar repetitivo, como as fantásticas missões dos associados aos Assassinos. Tudo perde um pouco do brilho apenas por um final sem desafio em uma sequência sem inspiração. As ocasionais quedas de performance e poucos bugs não atrapalham o divertimento de um dos melhores entre os últimos títulos lançados da franquia.

Nota

8

8

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.