Review – ABZÛ – Journey debaixo d’água

7 de agosto de 2016

Ultimamente alguns jogos tem focado em oferecer uma experiência diferente, algo além de uma simples forma de entretenimento interativo. Jogos como Flower e Journey são dois exemplos que focam em oferecer algo artístico, que acima de tudo tentam evocar emoções nos jogadores. Muitas vezes, para que isso seja alcançado, é feito um uso diferente de gameplay, seja em formas criativas ou simplistas se comparado a outros jogos. ABZÛ é o mais recente e ótimo exemplo desse tipo de jogo, e é fruto do trabalho das mentes criativas por trás do épico Journey, agora através da desenvolvedora independente Giant Squid, que conta tanto com o diretor criativo quanto o compositor do aclamado jogo.

Por essas formas diferentes de jogo, tem ficado mais difícil analisar esses games por não contarem com a estrutura básica de um game. No caso de ABZÛ, por exemplo, a história não é contada através de diálogos, mas de elementos no cenário e das interações do jogador. E aqui começam as comparações com Journey, o que é inevitável visto a grande semelhança entre os jogos. Em relação à história, ABZÛ traz uma forma ainda mais abstrata que Journey, o que exige que o jogador explore, observe as pinturas em paredes de diversos cenários e imagine o que possa ter sido. O problema dessa história abstrata é a dificuldade em ter sequer uma noção de quem é o personagem que estamos controlando, ou qual seu objetivo.

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A maior diferença entre este jogo e Journey é sem dúvidas a sensação de vida nos cenários, enquanto Journey oferecia ambientes desolados, aqui há centenas de peixes nadando ao seu redor, é um oceano tão populado de vida marinha que você raramente se sentirá sozinho em sua aventura. É possível até pegar “carona” em alguns peixes maiores como um tubarão, o que é certamente divertido. Ao realizar certas ações, como pegar carona em um peixe ou libertar alguns que estão presos no cenário, é mostrado o nome da espécie, o que acaba se tornando uma forma interessante de conhecer a vida marinha.

O gameplay como um todo é bem simples e funcional. A forma de controlar o personagem ao nadar é ótima, e caso você esteja jogando no PC, é altamente recomendado o uso de um controle. Em ABZÛ também interagimos com o cenário e objetos através de apenas um botão, que faz o personagem emitir um som. Essa interação é mínima, e acaba sendo um dos fatores para que o jogo não consiga alcançar aquela experiência sentimental completa, por simplesmente não sentirmos que somos nós como aquele personagem. Durante todo o jogo interagimos poucas vezes, e ficamos mais assistindo. Até em momentos acelerados, que são as melhores partes do jogo, é exigido muito pouco do jogador.

A comparação com Journey nesse sentido é mais uma vez inevitável. Enquanto lá contávamos com cenas empolgantes com ritmo acelerado que tínhamos que desviar de objetos para não atrapalhar a descida de uma enorme montanha, oferecendo assim pouca mas certa dificuldade, aqui há momentos em que se entra em uma correnteza e a música se intensifica, mas o que o jogador deve fazer é apenas direcionar um pouco para levar o personagem em direção a um cardume de peixes, dando mais velocidade. Em nenhum momento há a sensação de risco de perder o ritmo ou até de perigo para a vida do personagem. A experiência acaba não sendo tão memorável, talvez também pela enorme semelhança no gameplay já sabermos que os momentos empolgantes serão aqueles com a música mais intensa, mas aqui são muito simples de conseguir.

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Um dos grandes destaques de ABZÛ é sua trilha sonora. Esta que se conecta ao momento e movimento do personagem e dita todo o ritmo do game. Como mencionei, os melhores momentos são aqueles em que a música está mais intensa. Estes normalmente acontecem ao entrar em uma correnteza, que te leva em uma exploração por cenários até chegar em uma área aberta, onde a música chega a parar para que você contemple o novo cenário. Este é para mim o melhor elemento do jogo, e que tem a capacidade de fazer o jogador se lembrar destas cenas por muito tempo após terminar a aventura. Toda essa bela experiência no entanto, talvez seja curta até demais, levando pouco menos de 2 horas para completar.

  • Este review de ABZÛ foi feito no PC com uma cópia do game comprada por nós.
Ultimamente alguns jogos tem focado em oferecer uma experiência diferente, algo além de uma simples forma de entretenimento interativo. Jogos como Flower e Journey são dois exemplos que focam em oferecer algo artístico, que acima de tudo tentam evocar emoções nos jogadores. Muitas vezes, para que isso seja alcançado, é feito um uso diferente de gameplay, seja em formas criativas ou simplistas se comparado a outros jogos. ABZÛ é o mais recente e ótimo exemplo desse tipo de jogo, e é fruto do trabalho das mentes criativas por trás do épico Journey, agora através da desenvolvedora independente Giant Squid, que conta tanto com o diretor criativo quanto o compositor do aclamado jogo. Por essas formas diferentes de jogo, tem ficado mais difícil analisar esses games por não contarem com a estrutura básica de um game. No caso de ABZÛ, por exemplo, a história não é contada através de diálogos, mas de elementos no cenário e das interações do jogador. E aqui começam as comparações com Journey, o que é inevitável visto a grande semelhança entre os jogos. Em relação à história, ABZÛ traz uma forma ainda mais abstrata que Journey, o que exige que o jogador explore, observe as pinturas em paredes de diversos cenários e imagine o que possa ter sido. O problema dessa história abstrata é a dificuldade em ter sequer uma noção de quem é o personagem que estamos controlando, ou qual seu objetivo. A maior diferença entre este jogo e Journey é sem dúvidas a sensação de vida nos cenários, enquanto Journey oferecia ambientes desolados, aqui há centenas de peixes nadando ao seu redor, é um oceano tão populado de vida marinha que você raramente se sentirá sozinho em sua aventura. É possível até pegar "carona" em alguns peixes maiores como um tubarão, o que é certamente divertido. Ao realizar certas ações, como pegar carona em um peixe ou libertar alguns que estão presos no cenário, é mostrado o nome da espécie, o que acaba se tornando uma forma interessante de conhecer a vida marinha. O gameplay como um todo é bem simples e funcional. A forma de controlar o personagem ao nadar é ótima, e caso você esteja jogando no PC, é altamente recomendado o uso de um controle. Em ABZÛ também interagimos com o cenário e objetos através de apenas um botão, que faz o personagem emitir um som. Essa interação é mínima, e acaba sendo um dos fatores para que o jogo não consiga alcançar aquela experiência sentimental completa, por simplesmente não sentirmos que somos nós como aquele personagem. Durante todo o jogo interagimos poucas vezes, e ficamos mais assistindo. Até em momentos acelerados, que são as melhores partes do jogo, é exigido muito pouco do jogador. https://www.youtube.com/watch?v=lTLcU9M4qv4 A comparação com Journey nesse sentido é mais uma vez inevitável. Enquanto lá contávamos com cenas empolgantes com ritmo acelerado que tínhamos que desviar de objetos para não atrapalhar a descida de uma enorme montanha, oferecendo assim pouca mas certa dificuldade,…

7.8

Muito bom

Veredito Final

Embora não seja capaz de alcançar todo o potencial sentimental e de emoções que Journey oferecia, ABZÛ ainda é um jogo recomendado para aqueles que gostaram do aclamado exclusivo do PlayStation. A trilha sonora continua sendo um dos maiores destaques, dando ritmo ao game e empolgando em momentos acelerados. Estes são, no entanto, muito simples e que não exigem tanta interação, fazendo o jogador mais assistir do que experienciar aquele momento. Essa interação mínima do jogador é o ponto que impede o game de ser uma experiência sentimental completa, nos impedindo de sermos aquele personagem. A maior diferença de ABZÛ para Journey acaba sendo outro grande motivo recomendado para jogá-lo, a impressionante sensação de vida embaixo d'água, com centenas de peixes nadando ao seu redor, raramente deixando com que você se sinta sozinho em meio à imensidão do oceano.

Nota

7.8

8

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.