Opinião: Por que discutir a duração de jogos é uma perda de tempo

24 de fevereiro de 2015

Recentemente, muito se discutiu sobre The Order: 1886 e a sua curta duração. Inúmeros boatos antes do lançamento, indicavam que o jogo poderia ser concluído em poucas horas e que isto seria um indício da baixa qualidade e insucesso do mesmo. O que pouca gente sabe é que esta discussão não é nada recente. Há anos tentamos em vão “calcular” o custo x benefício de um jogo baseado no tempo que gastamos com o mesmo. O fato é que ambos os lados da discussão estão corretos e para entender melhor tudo isto, é interessante fazermos certas comparações.

Jogos são caros, muito caros. De todas as formas de entretenimento, nosso hobby é o mais caro. Além do preço do game em si, ainda temos que gastar uma pequena fortuna com o console (ou um hardware adequado para o computador). Compare estes valores com outros tipos de conteúdo que você consome: com R$ 40 você compra um bom livro e passa horas entretido com o mesmo, pela metade deste valor você vai a um cinema e passa duas horas assistindo a um bom filme. É natural que nossa exigência a nível de duração da experiência seja maior com algo que gastamos mais.

Não tem nada errado em acreditar que um jogo de 7 a 8 horas de duração, não ofereça conteúdo necessário que justifique a aquisição. Se imaginarmos que a cota de entretenimento do mês de muita gente é o valor de um jogo novo, fica fácil perceber como estas pessoas tem razão em evitar jogos curtos e optar por experiências mais prolongadas. O mercado está recheado de excelentes jogos que oferecem várias horas de diversão, muitas vezes por preços reduzidos, como Dragon Age: Inquisition (em promoção na PS Store atualmente), ou até de graça, como Dota 2, Hearthstone e League of Legends.

Por outro lado, também é preciso entender que jogos com a qualidade técnica e gráficos impressionantes como The Order: 1886, não são nada baratos de se desenvolver. Mesmo sendo bem vendidos, jogos que conseguem ser lucrativos são a exceção e não a regra. Por isso não tem sentido pensarmos que só por contar com uma menor duração, tais jogos deveriam ser mais baratos ou são de baixa qualidade. Raramente julgamos outras formas de arte e entretenimento pelo seu tamanho. Cada um gasta com o que lhe atende. Se você quer cobrir uma parede inteira, você não compraria um quadro pequeno. Se você precisa de um livro para 8 horas de viagem, você não compraria uma revista em quadrinhos.

Outro detalhe é que comprar jogos no lançamento hoje em dia acaba sendo pouco vantajoso, já que em poucos meses os mesmos irão baixar de preço e as vezes até vir com um ou outro conteúdo adicional. A decisão final fica por conta do jogador e deve ser baseada no que o mesmo está buscando naquele momento. Se você quer uma experiência mais duradoura, tem tempo extra, quer a possibilidade de jogar várias vezes e muito mais, fique longe de jogos com duração curta. Mas se você é daqueles que não tem muito tempo para jogar, por isso prefere experiências que sejam mais curtas e marcantes, o mercado também está repleto de jogos deste estilo. Se você é daqueles que gosta de ambos os tipos de experiências, opções é o que não faltam. Esta é a grande maravilha da indústria dos games e deste nosso hobby: opções, opções e mais opções.

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.