Review – Grand Theft Auto V – Diga adeus a sua vida social

30 de setembro de 2013

Em 1997, uma pequena desenvolvedora, de nome DMA Design (que se tornaria a Rockstar Games), lançava um jogo que entraria na lista de preferidos de muita gente, mas ao mesmo tempo se tornaria símbolo para a velha discussão da influência negativa dos games nos mais jovens. Grand Theft Auto promovia atos gratuitos de violência e colocava o jogador na pele de um personagem acima da lei, capaz de realizar qualquer atividade criminosa, bastando fugir da polícia no final. Desde então, apesar da série ter evoluído enormemente, a Rockstar não fugiu da fórmula e Grand Theft Auto V está aí para provar.

O universo de GTA V é tão grande, que sou obrigado a analisar parte por parte. A começar pela localização. O game se passa na fictícia cidade de Los Santos, moldada em cima de Los Angeles e como alguém que morou lá por três anos, posso garantir que a Rockstar fez um trabalho fantástico ao recriar diversas localidade nos mínimos detalhes. Certos locais chegam a ser tão idênticos à Los Angeles real, que eu conseguia até dirigir e chegar ao destino, sem prestar muita atenção ao mapa.

Mas diferentemente dos jogos anteriores, Grand Theft Auto V não consiste só na cidade de Los Santos, o jogo é muito maior que isto. A cidade é um mero detalhe no gigantesco mapa de San Andreas, que inclui a cidade e o condado de Blaine. Essa grandiosidade física é uma das razões, que fazem GTA V tão profundamente envolvente, viciante e complexo.

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O mapa grande não seria nada, se não fosse o nível de detalhe que a Rockstar atingiu com este game. O mundo de GTA V é vivo, dinâmico, interessante, daqueles que te dá vontade de explorar cada canto, cada estrada, cada montanha, ouvir cada conversa dos pedestres, prestar atenção nas notícias rádios, dá vontade de não desgrudar o olho da tela, enquanto não capturar toda a essência do jogo.

Essa vontade também não seria nada, se a Rockstar não tivesse nos dado ferramentas para isto. É justamente neste ponto, que Grand Theft Auto V brilha e se coloca em um patamar bem acima de outros games de mundo aberto da atualidade. Chega a ser difícil de explicar as possibilidades deste jogo, por isso vou ilustrar com uma história: Em um determinado momento do jogo, resolvi “conhecer” o aeroporto de Los Santos e como era de se esperar, a polícia não gostou muito de alguém invadindo as pistas de decolagem de um aeroporto internacional.

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Meu carro serpenteava em meio a gigantescos aviões decolando, jatinhos pousando, caminhões de abastecimento, escadas de passageiros, enquanto um mar de carros de polícia corria atrás de mim desesperadamente, me implorando para parar e sair da pista (“STOP THE CAR!”). Em determinado momento os policiais abriram fogo nos pneus do meu carro, que prontamente começou a derrapar na pista e uma manobra errada me fez capotar diversas vezes.

Apertei loucamente o botão para sair de dentro carro, enquanto a polícia se aproximava. Michael, o meu personagem naquele momento, se rastejou e bufou para sair debaixo do carro virado e então, quando finalmente em pé, me vi parado em meio ao amplo espaço do aeroporto, enquanto dez ou mais carros de polícia vinham em minha direção. Comecei a correr em sentido a um hangar, com a certeza da morte iminente. Porém, como uma luz no fim do túnel, vi um jatinho parado no local, sendo abastecido. Me perguntei se seria possível pilotar aquele avião ou se era somente um objeto do cenário.

Mas isto não é um jogo qualquer, isto é GTA 5! Michael subiu rapidamente na asa do avião e entrou na cabine, liguei os motores e os carros de polícia começaram a chegar como loucos de todas as direções, atirando na aeronave. O jogo tentava inutilmente me dar dicas de como pilotar o avião, já que eu estava fazendo isto pela primeira vez. Por algum milagre consegui alcançar velocidade suficiente para erguer o jatinho da pista e passar rente aos prédios do centro de Los Santos, enquanto três helicópteros da polícia ainda me acompanhavam e continuavam a atirar.

A Rockstar nos dá todas as ferramentas para explorar este universo e é neste ponto que o jogo brilha e se coloca em um patamar bem acima de outros games de mundo aberto. Chega a ser difícil de explicar todas as possibilidades.

Ergui a frente da aeronave o máximo possível e apertei com força o botão de acelerar. O avião subiu acima das nuvens e os helicópteros ficaram para trás. Eu tinha escapado por milagre e era agora dono de um jatinho, mas aonde eu iria pousar? O avião não era pequeno o suficiente para pousar em uma rodovia, e a quantidade de carros que circulam pelas mesmas, na movimentada Los Santos é incrível.

Foi então que depois de alguns minutos, vi de longe uma pista de terra no meio do deserto. Eu tinha certeza que não conseguiria parar o avião naquele minúsculo espaço, mas eu tinha que tentar. O que se passou depois, foram tensos minutos nivelando o avião para pousar corretamente e a emoção de apertar com toda força o botão de freio para que o jatinho parasse exatamente no fim da pista. Um metro a mais para frente, eu teria batido em algumas pedras e cactos e o avião teria sido destruído.

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São raros os jogos que me deixam com o coração palpitando de emoção e GTA 5 foi um destes. O mais incrível é que esta pequena história não tinha nada a ver com nenhuma missão do jogo, foi somente um momento de exploração e curiosidade da minha parte e o jogo me retribuiu de forma fantástica. Esta sensação é triplicada com o uso de três personagens principais (Michael, Trevor e Franklin), cada um com sua personalidade única e características diferenciadas. Até o caminhar de cada personagem varia de um para o outro. Algumas missões são específicas de cada um, mas a medida que a narrativa evolui, as histórias vão ficando cada vez mais entrelaçadas.

Já que mencionei as missões, o destaque fica com as missões principais da história do game, que variam desde simples objetivos de assassinatos, até complexas missões de assalto, aonde é possível escolher a forma de execução (por exemplo, força-bruta ou escondido), além da equipe que irá participar do evento. Para cada situação, é dada a opção de escolher motoristas e atiradores, dentre um conjunto de pessoas, que variam de qualidade e preço. Um motorista de fuga pode ser mais barato, porém pode escolher o caminho errado e acabar batendo, perdendo parte do que foi roubado.

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A variedade de escolhas nestas missões não são tão grandes, mas são suficientes para dar vontade de fazer de novo, com outro método e outra equipe. Uma pena que são tão poucos assaltos. A preparação e o evento em si são um show a parte. O jogo te dá a opção (as vezes te força) a trocar de personagem durante o evento para, por exemplo, permitir que Franklin, posicionado de sniper no prédio ao lado, possa auxiliar Michael e Trevor que estão recebendo uma chuva de tiros.

A Rockstar fez um excelente trabalho não só nas missões de assalto, mas também em todas as outras, nunca deixando o objetivo parecer repetitivo ou cansativo. As missões opcionais e os eventos aleatórios ao longo de todo o mapa e a ligação que estes eventos podem (ou não) ter com a história principal, servem para expandir ainda mais a grandiosidade de Grand Theft Auto V.

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O jogo é tão intenso graficamente que muitas vezes parece levar o Playstation 3 (ou Xbox 360) ao limite. A trilha musical e todas as inúmeras rádios do jogo estão incríveis como nunca. Destaque especial para o excelente trabalho de voz dos atores e a sincronização com os personagens, impecável!

Grand Theft Auto V foi feito para ser jogado e explorado por cada um de uma maneira diferente. Você define se quer fazer as coisas de forma violenta e imprudente ou de forma cautelosa.

O universo de GTA V é gigantesco, muito maior do que qualquer outro jogo da atualidade. O game não é grande só no tamanho do mapa, mas também na diversidade e nos detalhes. Basta usar seu smartphone dentro do jogo para acessar a internet e ver até aonde os desenvolvedores da Rockstar resolveram ir.

Você pode comprar serviço de acompanhante, investir na bolsa, ver notícias, ver informações sobre os candidatos a governador, ver páginas oficiais de empresas/lojas do jogo, comprar veículos, se afiliar a um culto, acompanhar redes sociais no estilo Facebook/Twitter e MUITO mais.

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O jogo tem lojas de roupas dos mais variados estilos, diversas propriedades que podem ser compradas e que dão renda (desde que você seja um bom proprietário e faça as missões de cada local). Você pode jogar tênis, golf, participar de triathlons, saltar de para-quedas, participar de corridas de carros, motos, barcos… são tantas atividades, que seria impossível listar todas. Isto sem contar os inúmeros veículos, que podem ser personalizados das mais diversas formas.

Grand Theft Auto V foi feito para ser jogado e explorado por cada um de uma maneira diferente. Seja de forma violenta e imprudente, seja de forma cautelosa. A Rockstar dá essa liberdade e fornece todas as ferramentas necessárias, para que você possa fazer tudo aquilo que imaginar dentro do jogo.

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Antes de escrever este review, muitos me perguntaram que nota eu daria. Eu estava certo que não daria nota máxima, pois tinham alguns detalhes que estavam me incomodando a medida que eu jogava. Porém, com o tempo, fui percebendo que estes detalhes eram completamente irrelevantes, perante a grandiosidade e complexidade do jogo.

Grand Theft Auto V não só merece a nota máxima, como também entra para a lista de um dos melhores jogos do Playstation 3 e Xbox 360 de todos os tempos. A gigantesca equipe da Rockstar (são quase 30 minutos de créditos finais!) criou nestes últimos 5 anos, uma preciosidade, obrigatória em qualquer coleção. O jogo merece (e muito) inúmeras horas do seu tempo (gastei 65 horas para chegar a 100%). Leve o tempo que for, mas use-o para apreciar e se divertir neste universo aonde tudo é possivel.

A SuperGamePlay implora para que os pais fiquem sempre atentos a classificação indicativa do game. Grand Theft Auto V não é um jogo para crianças ou adolescentes, o game foi feito para ser apreciado por adultos. O jogo contém linguagem pesada (além de estar totalmente legendado em português do Brasil), cenas de sexo, uso de drogas, muita violência e criminalidade.

Em 1997, uma pequena desenvolvedora, de nome DMA Design (que se tornaria a Rockstar Games), lançava um jogo que entraria na lista de preferidos de muita gente, mas ao mesmo tempo se tornaria símbolo para a velha discussão da influência negativa dos games nos mais jovens. Grand Theft Auto promovia atos gratuitos de violência e colocava o jogador na pele de um personagem acima da lei, capaz de realizar qualquer atividade criminosa, bastando fugir da polícia no final. Desde então, apesar da série ter evoluído enormemente, a Rockstar não fugiu da fórmula e Grand Theft Auto V está aí para provar. O universo de GTA V é tão grande, que sou obrigado a analisar parte por parte. A começar pela localização. O game se passa na fictícia cidade de Los Santos, moldada em cima de Los Angeles e como alguém que morou lá por três anos, posso garantir que a Rockstar fez um trabalho fantástico ao recriar diversas localidade nos mínimos detalhes. Certos locais chegam a ser tão idênticos à Los Angeles real, que eu conseguia até dirigir e chegar ao destino, sem prestar muita atenção ao mapa. Mas diferentemente dos jogos anteriores, Grand Theft Auto V não consiste só na cidade de Los Santos, o jogo é muito maior que isto. A cidade é um mero detalhe no gigantesco mapa de San Andreas, que inclui a cidade e o condado de Blaine. Essa grandiosidade física é uma das razões, que fazem GTA V tão profundamente envolvente, viciante e complexo. O mapa grande não seria nada, se não fosse o nível de detalhe que a Rockstar atingiu com este game. O mundo de GTA V é vivo, dinâmico, interessante, daqueles que te dá vontade de explorar cada canto, cada estrada, cada montanha, ouvir cada conversa dos pedestres, prestar atenção nas notícias rádios, dá vontade de não desgrudar o olho da tela, enquanto não capturar toda a essência do jogo. Essa vontade também não seria nada, se a Rockstar não tivesse nos dado ferramentas para isto. É justamente neste ponto, que Grand Theft Auto V brilha e se coloca em um patamar bem acima de outros games de mundo aberto da atualidade. Chega a ser difícil de explicar as possibilidades deste jogo, por isso vou ilustrar com uma história: Em um determinado momento do jogo, resolvi "conhecer" o aeroporto de Los Santos e como era de se esperar, a polícia não gostou muito de alguém invadindo as pistas de decolagem de um aeroporto internacional. Meu carro serpenteava em meio a gigantescos aviões decolando, jatinhos pousando, caminhões de abastecimento, escadas de passageiros, enquanto um mar de carros de polícia corria atrás de mim desesperadamente, me implorando para parar e sair da pista ("STOP THE CAR!"). Em determinado momento os policiais abriram fogo nos pneus do meu carro, que prontamente começou a derrapar na pista e uma manobra errada me fez capotar diversas vezes. Apertei loucamente o botão para sair de dentro carro, enquanto a polícia se aproximava. Michael, o meu personagem naquele momento,…

10

Obra Prima

Veredito Final

Gigantesco, complexo, detalhista e fantástico. Grand Theft Auto V abre um universo de possibilidades ao jogador nunca antes visto em nenhum outro jogo. A Rockstar Games eleva os jogos de mundo aberto a um novo patamar, que com certeza não será mais alcançado por nenhum outro nesta geração de consoles. Cada uma das dezenas de horas de jogo valem a pena. Uma obra prima, obrigatória em qualquer coleção, com um único defeito: diga adeus a sua vida social!

Nota

10

10

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.