Crítica – O Bom Dinossauro – A volta definitiva da Pixar

4 de janeiro de 2016

O ano de 2016 já começa com um lançamento muito aguardado por todos os fãs de animações. Na próxima quinta feira, dia 7 de Janeiro de 2016, chega aos cinemas brasileiros o filme “O Bom Dinossauro“, novo título da Pixar Animation Studios. A SuperGamePlay já pôde conferir o filme em sessão exclusiva na Comic Con Experience e damos aqui o nosso parecer.

CRITICA_O_BOM_DINOSSAURO_A_VOLTA_DEFINITIVA_DA_PIXAR_6

Durante muito tempo, as produções da Pixar tiveram seu próprio selo de excelência, sendo uma após a outra um sucesso cada vez maior de público e crítica. Filmes como Toy Story, Procurando Nemo e Os incríveis, dentre tantos outros, arrebataram uma multidão de fãs de todas as idades, fazendo com que as animações evoiluíssem de filmes infantis para blockbusters adultos e muito bem conceituados. Porém, após a compra da produtora pelos Estúdios Disney, que já há algum tempo não conseguia emplacar um grande sucesso no cinema, ficou a dúvida nos fãs se todo o estilo e a maneira peculiar de contar histórias poderiam se perder, e embora muito tenha sido feito para evitar isso, não há como negar que por algum tempo, o estúdio acabou cometendo alguns enganos, principalmente no que diz respeito a faixa etária de seus filmes.

Algumas sequências como Carros 2, Aviões ou até mesmo Universidade Monstros, apesar de não serem totalmente ruins, falhavam em conseguir o que antes era comum, a capacidade de não só divertir as crianças como também emocionar os mais velhos. Mas toda mudança requer um tempo de adaptação e talvez tenha sido isso o ocorrido com a Pixar, o fato é que eles finalmente voltaram a acertar, e em cheio. Após o belíssimo “Divertida Mente”, lançado no ano passado, o estúdio volta a entregar uma obra no seu estilo clássico, feita para emocionar.

CRITICA_O_BOM_DINOSSAURO_A_VOLTA_DEFINITIVA_DA_PIXAR_5

O Bom Dinossauro parte da premissa de que o meteóro causador da extinção dos gigantes pré históricos nunca caiu, criando assim um universo paralelo onde esses animais se tornaram evoluídos, vivendo como fazendeiros, ou caçadores, e é nesse universo que vive o pequeno Arlo, um jovem dinossauro que por conta de seu tamanho reduzido, tem dificuldades para se provar bravo e forte perante aos demais. Mas claro que uma sequência de eventos desastrosos mudará tudo na vida do herói do filme, e então surgirá Spot, um garoto humano com quem Arlo deverá aprender a cooperar para encarar os desafios da aventura épica que os dois terão pela frente, e a amizade dos dois, claro, será o tema principal dali em diante.

Mas toda mudança requer um tempo de adaptação e talvez tenha sido isso o ocorrido com a Pixar, o fato é que eles finalmente voltaram a acertar, e em cheio.

Um destaque extra, como já é de praxe nos filmes da Pixar, é o visual absolutamente arrebatador de cenários, aqui usados não só como agregadores visuais mas também como parte do enredo, pois grande parte dos desafios na aventura dos dois jovens heróis não se dá pela ação de personagens antagonistas, mas dos perigos da natureza em torno deles, tornando-se necessário que os detalhes visuais criassem a perfeita sensação de perigo, desespero e beleza, e o diretor Peter Sohn conseguiu essa façanha com perfeição. Você nunca mais verá as corredeiras de um rio da mesma forma.

CRITICA_O_BOM_DINOSSAURO_A_VOLTA_DEFINITIVA_DA_PIXAR_3

Infelizmente nem tudo é perfeito, e embora o visual do filme agrade, certas decisões no design de personagens deixa a desejar. O Bom Dinossauro é o filme que mais trabalhou o lado cartunesco de seus personagens, deixando-os com cara de desenho animado, o que não seria ruim, porém o contraste com os cenários absolutamente realistas pode, em alguns momentos, causar certa estranheza no olhar, mas jamais a ponto de estragar a experiência.

Embora o enredo possa a primeira vista ser julgado como clichê, por se tratar da velha constante do menino e seu amigo de estimação, o sucesso do longa em se diferir dos demais filmes do gênero somente comprova que a Pixar está de volta à sua era de ouro, emocionando a todos e ensinando para adultos e crianças importantes lições sobre amizade e coragem. Afinal de contas, certas lições nunca é tarde demais para se aprender.

Redator da SuperGamePlay, escritor, quadrinista, apaixonado por games desde a primeira vez que viu um Mega Drive. Pode não fazer todas as quests secundárias mas vai avaliar cautelosamente a paleta de cores do menu inicial. Um grande filósofo de banheiro que sonha com o dia em que nunca mais precisará dormir.