Review – Beyond: Two Souls – A combinação entre jogo e cinema

16 de outubro de 2013

O mais recente jogo da desenvolvedora Quantic Dream, é talvez o mais ambíguo, em termos de crítica, do ano. Beyond: Two Souls vem recebendo críticas pesadas de alguns veículos de mídia e ao mesmo tempo vem sendo aclamado por outros. Esta variedade de opiniões, ao meu ver, reflete a forma como a história é contada e como a experiência com a mesma, pode alternar de jogador para jogador. Mas existe alguém certo ou errado?

Beyond: Two Souls, conta a história da garota Jodie Holmes (interpretada brilhantemente pela atriz Ellen Page) que desde seu nascimento, é ligada a uma entidade sobrenatural, de nome Aiden. Você controla primariamente Jodie, enquanto o jogo narra por volta de 20 anos de sua vida e Aiden pode ser chamado em quase todos os momentos com o pressionar de um botão.

A entidade flutua livremente pelos cenários, aonde pode interagir com diversos objetos e pessoas. Aiden pode ser uma entidade violenta, destruindo objetos e matando pessoas, ou pacífica, ouvindo conversas na sala ao lado e protegendo Jodie. A decisão de como Aiden irá agir fica por sua conta.

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Porém (e aqui reside um dos pontos criticados no jogo), as ações de Aiden (e Jodie) são bastante limitadas pela narrativa do jogo. Aiden não pode dominar ou matar qualquer inimigo, Jodie não pode sair andando pelo cenário para aonde bem entender. Beyond: Two Souls é preso a sua história, para mim isto não é um defeito e sim uma característica do jogo.

Um outro fato interessante, é a forma como você interage com os eventos do jogo. A Quantic Dream optou por algo mais dinâmico para Beyond em comparação com seu jogo anterior, Heavy Rain. As combinações de botões ainda estão presentes, mas muito mais simplificadas (são no máximo 2 botões ao mesmo tempo) e durante cenas com mais ação, o jogo fica em câmera lenta e basta um toque no analógico, no sentido que o corpo de Jodie está se movendo.

Assim como Heavy Rain, Beyond tem seu gênero próprio no mundo dos games. Não podemos dizer simplesmente que é um jogo de ação em terceira pessoa, ou qualquer outro termo técnico. Beyond é o que gostamos de chamar de um filme interativo, aonde suas escolhas podem influenciar (ou não) o decorrer da história.

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A característica cinematográfica é tão presente no jogo, que a Quantic Dream foi buscar atores de sucesso em Hollywood (como já mencionei, Ellen Page e também Willem Dafoe). O roteiro do game tem mais de 2000 páginas, o jogo foi apresentado no festival de cinema de Tribeca e até a trilha sonora foi composta pelo mítico Hans Zimmer.

Exigir mais liberdade em um game aonde o foco é contar uma história complexa, é uma crítica sem fundamento. Porém, não deixa de ser um ponto interessante para futuros games no estilo. Durante diversas vezes que joguei com Aiden, imaginei como seria interessante se eu pudesse mover tal objeto ou matar determinado inimigo, tudo em prol do meu prazer de ser invisível e onipotente.

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Uma das características mais curiosas de Beyond: Two Souls é a forma com a história é contada. O diretor David Cage, optou por segmentar a vida de Jodie em diversos pedaços e apresentar isto para o jogador em uma ordem aparentemente aleatória. Em um momento você está controlando uma Jodie mais madura, infiltrando em uma cidade em ruínas para assassinar um ditador. Logo em seguida você está no controle de Jodie ainda criança, em prantos, ao ser separada de seus pais.

A grande parte das críticas a Beyond: Two Souls, caem justamente em cima desta segmentação da narrativa. A opção de David Cage realmente não faz muito sentido e somente colabora para deixar o jogo mais “estranho”, principalmente por acabar abruptamente com o clímax de diversas cenas. Investimos mentalmente mais de 1 hora em uma cena de ação tensa ou aterrorizante, para logo em seguida ser colocado em meio a cenas mais mundanas.

Algo que realmente merece aplauso é a qualidade técnica do game. Beyond é um marco de excelência, tanto graficamente, quanto na excelente trilha sonora e na quantidade nula de problemas técnicos.

Não estou dizendo que existem partes ruins e partes boas. Muito pelo contrário, cada cena do jogo é brilhantemente trabalhada para refletir aquele momento da vida de Jodie (e Aiden), mesmo as cenas mais simples (como preparar um jantar e arrumar a casa) tem um significado maior no plano geral, além de serem extremamente imersivas e divertidas de se jogar, mesmo com certas limitações. Uma pena é que certas partes da narrativa e alguns diálogos, são bastante clichê, fiquei esperando um pouco mais do roteiro nestes momentos. Não vou escrever nenhum spoiler, mas vocês vão entender o que estou falando quando jogarem, por exemplo, a cena da festa, com Jodie em sua adolescência.

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Por outro lado, as decisões que você toma ao longo do jogo e que podem impactar a história, são bem sutis, diferente de Heavy Rain, aonde você sabia quase todas as vezes que determinada ação poderia causar determinada reação. Muita das vezes fica parecendo que, independente do que você escolher, a história irá continuar da mesma forma e na maioria das vezes isto é verdade. O resultado final já está escrito, mas a forma como você vai chegar lá, pode variar. Para muitos isto é um defeito, mas para mim, é aí que reside o brilhantismo de jogos como este.

Me vi constantemente trocando ideia com os amigos aqui da redação para saber como tal cena desenrolou no jogo deles e para minha surpresa a variedade de respostas foi enorme. Isto me traz de volta ao parágrafo inicial. Esta pequenas variações em cada cena, causadas pelas suas ações, geram uma variedade de interpretações e que por sua vez acabam por gerar diferentes opiniões.

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Independente das críticas acima, Beyond: Two Souls possui uma história interessante, profunda e bastante envolvente. A atuação de Ellen Page mereceria até entrar na corrida do Oscar (se isso fosse possível). Entender e acompanhar a evolução de Jodie/Aiden e os motivos que os levam a tomar determinadas decisões (seja pela influência do jogador ou não) é excepcional.

Além disso, algo que realmente merece aplauso é a qualidade técnica do game. Beyond é um marco de excelência, tanto graficamente (os cenários são reais e belíssimos), quanto na excelente trilha sonora e na quantidade nula de problemas técnicos. A captura de movimentos é tão perfeita, que teve momentos que tinha certeza que estava controlando uma pessoa de verdade. A Quantic Dream fez trabalho magnífico nesta questão, programadores, músicos e artistas gráficos estão de parabéns.

O mais recente jogo da desenvolvedora Quantic Dream, é talvez o mais ambíguo, em termos de crítica, do ano. Beyond: Two Souls vem recebendo críticas pesadas de alguns veículos de mídia e ao mesmo tempo vem sendo aclamado por outros. Esta variedade de opiniões, ao meu ver, reflete a forma como a história é contada e como a experiência com a mesma, pode alternar de jogador para jogador. Mas existe alguém certo ou errado? Beyond: Two Souls, conta a história da garota Jodie Holmes (interpretada brilhantemente pela atriz Ellen Page) que desde seu nascimento, é ligada a uma entidade sobrenatural, de nome Aiden. Você controla primariamente Jodie, enquanto o jogo narra por volta de 20 anos de sua vida e Aiden pode ser chamado em quase todos os momentos com o pressionar de um botão. A entidade flutua livremente pelos cenários, aonde pode interagir com diversos objetos e pessoas. Aiden pode ser uma entidade violenta, destruindo objetos e matando pessoas, ou pacífica, ouvindo conversas na sala ao lado e protegendo Jodie. A decisão de como Aiden irá agir fica por sua conta. Porém (e aqui reside um dos pontos criticados no jogo), as ações de Aiden (e Jodie) são bastante limitadas pela narrativa do jogo. Aiden não pode dominar ou matar qualquer inimigo, Jodie não pode sair andando pelo cenário para aonde bem entender. Beyond: Two Souls é preso a sua história, para mim isto não é um defeito e sim uma característica do jogo. Um outro fato interessante, é a forma como você interage com os eventos do jogo. A Quantic Dream optou por algo mais dinâmico para Beyond em comparação com seu jogo anterior, Heavy Rain. As combinações de botões ainda estão presentes, mas muito mais simplificadas (são no máximo 2 botões ao mesmo tempo) e durante cenas com mais ação, o jogo fica em câmera lenta e basta um toque no analógico, no sentido que o corpo de Jodie está se movendo. Assim como Heavy Rain, Beyond tem seu gênero próprio no mundo dos games. Não podemos dizer simplesmente que é um jogo de ação em terceira pessoa, ou qualquer outro termo técnico. Beyond é o que gostamos de chamar de um filme interativo, aonde suas escolhas podem influenciar (ou não) o decorrer da história. A característica cinematográfica é tão presente no jogo, que a Quantic Dream foi buscar atores de sucesso em Hollywood (como já mencionei, Ellen Page e também Willem Dafoe). O roteiro do game tem mais de 2000 páginas, o jogo foi apresentado no festival de cinema de Tribeca e até a trilha sonora foi composta pelo mítico Hans Zimmer. Exigir mais liberdade em um game aonde o foco é contar uma história complexa, é uma crítica sem fundamento. Porém, não deixa de ser um ponto interessante para futuros games no estilo. Durante diversas vezes que joguei com Aiden, imaginei como seria interessante se eu pudesse mover tal objeto ou matar determinado inimigo, tudo em prol do meu prazer de ser invisível e onipotente.…

8.5

Excelente

Veredito Final

Apesar de alguns clichês do gênero e da escolha duvidosa de apresentar a história fora de ordem ao jogador, Beyond: Two Souls não deixa de ser um excelente game. Quem resolver investir seu tempo (por volta de 12 horas, sem contar os troféus adicionais), deve estar ciente que não se trata de um jogo que exige muitas ações e sim, mais contemplação. Porém, a história é bastante interessante, envolvente e a excelência técnica faz do game um marco para o Playstation 3.

Nota

8.5

9

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.