A morte e o adeus à Satoru Iwata, presidente da Nintendo

13 de julho de 2015

Quando criança, sempre queremos nos tornar adultos, faz parte da infância nos imaginar crescidos e o que iremos nos tornar. Mas em meio a fantasia do crescimento, eu especificamente tinha um medo estranho, um que me fazia não querer crescer, o medo de que um dia eu não gostaria mais de video games. Era um medo, como quase todos que eu tinha na época, muito infantil, eu imaginava que um dia eu simplesmente iria acordar e sentir que algo mudou, olhar para o meu Super Nintendo, e não querer ligá-lo mais.

Esse medo obviamente não se concretizou, a paixão pelos games cresceu ao invés de diminuir, mas não cresceu apenas em tamanho, ela evoluiu, se modificou, se tornou uma paixão adulta, em alguns momentos, talvez adulta demais. Hoje avalio jogos pelo enredo, pelos gráficos, pelas mecânicas, pela arte, avalio de uma forma adulta, crítica. Mas é estranho perceber que em meio a isso tudo, algo nunca mudou, como se um pedaço da minha infância tivesse permanecido lá, inalterado, um lugar mágico com sua inocência e simplicidade, um lugar chamado Nintendo.

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É verdade que por vezes nós criticamos as decisões da companhia, sua aparente falta de inovação em títulos, e não há como negar que ás vezes, isso incomoda. Mas também é preciso levar em consideração o feito enorme da mesma, de permanecer fiel às suas origens, de ser o que é independente das direções que o mercado tenta demandar, ou forçar. A Nintendo se manteve intacta, evoluindo e inovando sim em tecnologia, mas sem modificar em nada o core de sua existência.

E devemos muito disso à Satoru Iwata, presidente da Nintendo, de quem infelizmente hoje nos despedimos. Iwata faleceu no final de semana aos 55 anos, após mais de 10 anos a frente da empresa, tempo em que foi responsável por diversas inovações recentes como o Nintendo DS, 3DS e o Wii U. Mais até do que sua atuação nas decisões da empresa, Iwata se tornou importante por seu carisma, por seu estilo pessoal e por ser um dos poucos líderes executivos a estarem próximos ao mesmo tempo dos fãs, das decisões da empresa e da linha de frente de desenvolvimento, pois pela sua carreira como engenheiro de software ele atuou ativamente na construção de muitas das soluções dos produtos recentes da empresa.

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Ainda não está oficializado quem será o novo presidente da companhia, mas a Nintendo indicou que Genyo Takeda e Shigeru Miyamoto são nomes cotados para assumir o cargo, mesmo que provisoriamente. Resta saber se o novo presidente terá a mesma visão conservadora de Iwata, e se saberá lidar com o desafio de manter a Nintendo sendo quem ela é, e preparando ela cada vez mais para o futuro. Que seja alguém híbrido como Iwata foi, pois como ele mesmo disse:

“No meu cartão de visitas eu sou o presidente corporativo. Na minha mente, eu sou um desenvolvedor de jogos. Mas no meu coração eu sou um gamer.” — Satoru Iwata

Redator da SuperGamePlay, escritor, quadrinista, apaixonado por games desde a primeira vez que viu um Mega Drive. Pode não fazer todas as quests secundárias mas vai avaliar cautelosamente a paleta de cores do menu inicial. Um grande filósofo de banheiro que sonha com o dia em que nunca mais precisará dormir.