sgp_woff_review_capa_v2

Review – World of Final Fantasy – Nostalgia em miniatura

1 de novembro de 2016

Em um ano completamente abarrotado de coisas relacionadas a Final Fantasy XV, era muito fácil que World of Final Fantasy passasse despercebido. Este spin-off da série parecia mais um material promocional para seu primo mais velho e famoso que chega em Novembro. Porém, o que a Square Enix entrega é um game surpreendentemente bom, de apresentação invejável, belos gráficos, mecânicas clássicas de JRPGs e um curioso visual “chibi” que deve agradar novatos e veteranos.

O visual com personagens em miniatura (ou “baixinhos”), é definitivamente o que mais chama a atenção no jogo. A escolha da Square é no mínimo curiosa e fica fácil descartar o game como infantil. Porém, por trás de toda a fofura, existe um ótimo e divertido JRPG, que não tem vergonha em apelar para a nostalgia dos fãs da série enquanto ao mesmo tempo é um prato cheio para novatos. Se isso ainda não estiver claro, o título “O Mundo de Final Fantasy” confirma as intenções da Square.

O game conta a história dos irmãos Lann e Reynn, que acordam em um estranho lugar sem memória de sua vida passada. Eles então são enviados ao mundo de Grymoire para recuperar sua memória. Lann e Reynn logo descobrem que tem o poder de capturar e evoluir quase todas as criaturas que encontram (chamadas Mirages) e estas podem ser usadas junto a eles nos combates. A inspiração por Pokémon é óbvia, inclusive ataques específicos devem ser usados em cada criatura para enfraquecê-las e só então é possível capturá-las com um tipo de “bola”, chamada de “Prism”.

sgp_review_woff_img_46

Mesmo com clara inspiração por Pikachu e sua turma, a Square consegue nos entregar algo bastante original. Além de evoluir para diversas formas, cada criatura tem seu próprio tamanho e sua própria árvore de skills (que lembra muito o sistema de evolução de Final Fantasy X). Seu time é montado colocando uma criatura em cima da outra, por ordem de tamanho. Estas combinações geram inúmeras variações. Como exemplo, duas criaturas com magia de fogo (Fire) se tornam uma “torre” com uma versão mais poderosa daquela magia. As forças e fraquezas também são somadas e isto cria uma quantidade incrível de possibilidade, ainda mais com os mais de 200 monstrinhos para capturar.

Lann e Reynn também podem variar de tamanho com o pressionar de um botão, mantendo o estilo chibi ou um estilo mais tradicional. Você pode criar diferentes torres de combate com estes diferentes tamanhos de protagonistas e alterar a qualquer momento. O combate em si segue o padrão clássicos dos JRPGs e é por turnos usando a mecânica do ATB, podendo ser passivo, semi-ativo ou ativo. A Square ainda dá certas ferramentas mais modernas ao gameplay clássico, como a possibilidade de acelerar as batalhas ou até deixá-las em um modo automático, reduzindo um pouco o chato processo de evoluir personagens presente em quase todo JRPG.

sgp_review_woff_img_43

A opção pelo uso do gameplay mais clássico, ao invés do estilo de ação dos últimos jogos da série é bastante assertiva. O combate por turnos é nostálgico e me agradou demais. Nostalgia inclusive é a descrição de World of Final Fantasy. O game é a pura definição de “fan service”. Praticamente todos os cenários, cidades, inimigos, personagens e músicas foram retiradas de jogos anteriores. As surpresas começam logo nos primeiros minutos, quando você se depara com a cidade de Cornelia, o Guerreiro da Luz e a Princesa Sara, todos trazidos com muito carinho do primeiro Final Fantasy.

As referências não param por aí. Ao longo das mais de 40 horas de jogo, encontrei Terra, Celes, Vivi, Squall, Yuna, Tidus, Cloud, Tifa, Lightning, Snow e muitos outros, além de uma dúzia de localidades memoráveis e uma centena de monstros inesquecíveis da franquia. Fica claro que a Square não escolheu o nome World of Final Fantasy por acaso. A forma como tudo isso se encaixa na história e no mundo de Grymoire também é surpreendentemente não forçada. Heróis estão ali com algum propósito e muitos podem inclusive ser chamados como invocações durante os combates.

Quests paralelas também contam histórias adicionais de cada um dos heróis e talvez sejam a melhor parte de WoFF. Ver personagens de jogos diferentes se interagindo é um deleite para qualquer fã. O game também é todo dublado em inglês, com boa parte dos atores de voz originais repetindo seus papéis. Mesmo com todo este fan service e nostalgia, o uso de novos personagens nos papeis principais e a forma extremamente inteligente que cada mecânica de jogo é explicada, também fazem de World of Final Fantasy um prato cheio para novatos da série e do gênero.

sgp_review_woff_img_63

Antes de falar dos problemas do game, preciso elogiar a sua incrível apresentação. Os gráficos são lindos, cenários são extremamente variados, as animações dos personagens (mesmo com as limitações do chibi) são muito bem feitas e os ataques especiais (e invocações) são um deleite para os olhos. O game ainda tem diversas cenas fantásticas em anime, que além de charmosas, complementam com qualidade a história (e o apelo nostálgico) de World of Final Fantasy.

Mesmo com dez primeiras horas bastante promissoras, World of Final Fantasy não consegue justificar seu gameplay dinâmico por muito tempo. Todas as possibilidades do sistema de combate são enfraquecidas por inimigos e encontros fáceis demais, aonde é possível eliminar tudo só com ataques simples. Isto gera uma monotonia que se prolonga por várias horas até o final do jogo e o único desafio que permanece é na hora de capturar monstros mais poderosos.

World of Final Fantasy ainda conta com diversas atividades extras, como side quests, mini-games, áreas secretas e um coliseu aonde você pode enfrentar inimigos cada vez mais poderosos. Infelizmente nem mesmo estes elementos elevam o nível de desafio do jogo e me vi eliminando inimigos nível 90 no coliseu, com meu time todo no nível 65. Esta facilidade faz com que todas as opções do gameplay e todas as variações de miragens capturadas, sejam sem propósito.

sgp_review_woff_img_35

A história do game é interessante, recheada de reviravoltas e novas descobertas (afinal, nossos heróis perderam a memória), mas não tem nada de especial ou memorável. Diálogos podem até tender mais para o infantil, mas são bem escritos e até divertidos de uma forma meio pateta. Se você procura uma narrativa mais madura, basta olhar para a capa deste review e ver que este jogo não é para você. Confesso que isto não me incomodou, inclusive me diverti bastante com as piadinhas e com a – não tão original – “briga” de irmãos que carrega boa parte do roteiro. Ao mesmo tempo, entendo perfeitamente que toda essa fofura e “infantilidade” pode afastar alguns jogadores.

Torci por várias horas para que World of Final Fantasy fosse um excelente jogo, ainda mais com o meu medo em relação a Final Fantasy XV. Ao invocar grande nostalgia e também contar com ideias originais em seu gameplay, o jogo acerta em muitos pontos e isto fica claro na primeira dúzia de horas. Porém, da sua metade até o final, infelizmente todas as ótimas mecânicas de jogo são ignoradas e o que temos é uma jogabilidade sem muito desafio. Por sorte a Square adicionou um botão que acelera os combates, e o que era para ser somente uma ajudinha, acaba sendo essencial.

  • Este review de World of Final Fantasy foi feito no PS4 com uma cópia do game enviada para nós pela Square Enix.
Em um ano completamente abarrotado de coisas relacionadas a Final Fantasy XV, era muito fácil que World of Final Fantasy passasse despercebido. Este spin-off da série parecia mais um material promocional para seu primo mais velho e famoso que chega em Novembro. Porém, o que a Square Enix entrega é um game surpreendentemente bom, de apresentação invejável, belos gráficos, mecânicas clássicas de JRPGs e um curioso visual "chibi" que deve agradar novatos e veteranos. O visual com personagens em miniatura (ou "baixinhos"), é definitivamente o que mais chama a atenção no jogo. A escolha da Square é no mínimo curiosa e fica fácil descartar o game como infantil. Porém, por trás de toda a fofura, existe um ótimo e divertido JRPG, que não tem vergonha em apelar para a nostalgia dos fãs da série enquanto ao mesmo tempo é um prato cheio para novatos. Se isso ainda não estiver claro, o título "O Mundo de Final Fantasy" confirma as intenções da Square. O game conta a história dos irmãos Lann e Reynn, que acordam em um estranho lugar sem memória de sua vida passada. Eles então são enviados ao mundo de Grymoire para recuperar sua memória. Lann e Reynn logo descobrem que tem o poder de capturar e evoluir quase todas as criaturas que encontram (chamadas Mirages) e estas podem ser usadas junto a eles nos combates. A inspiração por Pokémon é óbvia, inclusive ataques específicos devem ser usados em cada criatura para enfraquecê-las e só então é possível capturá-las com um tipo de "bola", chamada de "Prism". Mesmo com clara inspiração por Pikachu e sua turma, a Square consegue nos entregar algo bastante original. Além de evoluir para diversas formas, cada criatura tem seu próprio tamanho e sua própria árvore de skills (que lembra muito o sistema de evolução de Final Fantasy X). Seu time é montado colocando uma criatura em cima da outra, por ordem de tamanho. Estas combinações geram inúmeras variações. Como exemplo, duas criaturas com magia de fogo (Fire) se tornam uma "torre" com uma versão mais poderosa daquela magia. As forças e fraquezas também são somadas e isto cria uma quantidade incrível de possibilidade, ainda mais com os mais de 200 monstrinhos para capturar. Lann e Reynn também podem variar de tamanho com o pressionar de um botão, mantendo o estilo chibi ou um estilo mais tradicional. Você pode criar diferentes torres de combate com estes diferentes tamanhos de protagonistas e alterar a qualquer momento. O combate em si segue o padrão clássicos dos JRPGs e é por turnos usando a mecânica do ATB, podendo ser passivo, semi-ativo ou ativo. A Square ainda dá certas ferramentas mais modernas ao gameplay clássico, como a possibilidade de acelerar as batalhas ou até deixá-las em um modo automático, reduzindo um pouco o chato processo de evoluir personagens presente em quase todo JRPG. A opção pelo uso do gameplay mais clássico, ao invés do estilo de ação dos últimos jogos da série é bastante assertiva. O combate por turnos…

7.8

Muito Bom

Veredito Final

World of Final Fantasy me surpreendeu de forma muito positiva. O game conta com apresentação invejável, belos gráficos, combates por turnos e uma quantidade inimaginável de fan service. Mesmo com seu curioso visual chibi, o game é muito charmoso e divertido, funcionando tanto para novatos quanto para fãs de longa data. As centenas de criaturas capturáveis e a fofura que é empilhá-las em sua cabeça para formar times diversos torna o gameplay original e dinâmico. As referências a jogos anteriores não se limitam as dezenas de personagens, já que o game ainda conta com monstros, localidades e músicas retiradas dos clássicos da franquia. Infelizmente, World of Final Fantasy não consegue sustentar a complexidade e as possibilidades de seu gameplay por muito tempo, já que a falta de desafio faz o game ficar monótono da sua metade para frente. Uma história um pouco mais marcante poderia ter ajudado a amenizar o problema. De qualquer forma, o game da Square é um ótimo candidato para te ajudar a esperar o lançamento de Final Fantasy XV.

Nota
8

Co-fundador e editor da SuperGamePlay. Fanático por games, já quebrou diversos controles jogando Decatlhon no Atari e passou incontáveis horas soprando cartuchos de Super Nintendo. Hoje passa o tempo livre em meio a centenas de jogos, dos mais variados estilos e plataformas.