Review – Mirror’s Edge: Catalyst – Corra Faith, corra

18 de junho de 2016

O primeiro Mirror’s Edge, lançado em 2008, pode até não ter sido sucesso de vendas como outros grandes títulos da Electronic Arts, porém o game atingiu diversos fãs que viram no jogo um certo charme incomum. Desde então, os pedidos por uma continuação sempre estiveram presentes na internet, e oito anos depois chega Mirror’s Edge: Catalyst, não uma continuação, mas sim uma história de origem para a querida personagem Faith. Apesar de melhora em vários pontos e algumas mudanças no gameplay, o novo jogo no entanto, parece não ter o mesmo charme de seu adorado antecessor.

Como mencionei, Catalyst agora conta uma história de origem de Faith, mostrando até alguns poucos momentos de quando a personagem era apenas uma criança. A história começa com Faith saindo da prisão após cumprir uma sentença de dois anos. Logo na saída, ela é lembrada de sua dívida com Dogen, um líder de gangue mal visto pelos “bonzinhos” da facção de Noah, o mentor de Faith. A protagonista se vê então obrigada a correr para quitar sua dívida e ficar livre. No entanto, nem tudo é simples, e os esquemas da Kruger Sec, empresa liderada por Gabriel Kruger, afetam a vida de Faith e de seus amigos.

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Embora traga uma história até mais complexa que do primeiro jogo, Catalyst falha em deixar o jogador engajado e interessado para entender o que está acontecendo e o que vem em seguida. A trama não impressiona mesmo com os diversos personagens presentes, que acabam sendo desinteressantes e não geram aquela vontade de conhecê-los mais a fundo, exceto unicamente pela excêntrica jovem Plastic, que dá um humor divertido a algumas partes do jogo. Ela é certamente minha personagem preferida do game, até acima de Faith, que aqui falha em expressar sua personalidade.

A estrela do jogo ainda fica por conta das corridas no estilo parkour. A movimentação é responsiva e empolgante, não há nada melhor que fazer uma corrida de um ponto a outro sem errar um passo e sem perder o ritmo

Um dos maiores atrativos do jogo é seu belo visual. A cidade de Glass é linda de se ver com seus prédios e cenários predominantemente brancos, enquanto outras cores se destacam para chamar a atenção do jogador. Os elementos de ficção científica ajudam a manter uma estética interessante para os olhos do jogador, e poder explorar esta cidade de forma livre é muito recompensador, mesmo que não exista tanta vida ou movimentação nos ambientes em que podemos explorar. Catalyst evolui de seu antecessor assumindo o estilo de mundo aberto, porém não no nível de jogos como GTA por exemplo.

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Ao contrário do exemplo citado, em Catalyst até temos missões secundárias e atividades como corridas, entregas e até desafios criados por outros jogadores, o que é um elemento social bem interessante para o jogo, porém após um tempo as atividades se tornam repetitivas. Após as aproximadas 10 horas da campanha principal, missões secundárias e algumas atividades, não há muito mais o que fazer com toda essa grande cidade aberta. Além de adotar um mundo aberto, o jogo conta com outro sistema típico dos jogos de RPG, um sistema de progressão de habilidades que serve bem para dar ao jogador a sensação de evolução de Faith, mostrando que ela ainda tem o que aprender.

A trama não impressiona mesmo com os diversos personagens presentes, que acabam sendo desinteressantes e não geram aquela vontade de conhecê-los mais a fundo

A estrela do jogo ainda fica por conta das corridas no estilo parkour. A movimentação é responsiva e empolgante, não há nada melhor que fazer uma corrida de um ponto a outro sem errar um passo e sem perder o ritmo. Pouquíssimos momentos me senti frustrado ao tentar executar certo pulo ou ação. Em Catalyst parece quase como se o jogo soubesse o que você deseja fazer, e te ajuda a não errar ou não cair para sua morte. Outro ponto interessante vindo do elemento de mundo aberto são as várias formas de chegar a um ponto, eliminando a linearidade do primeiro jogo. Faith ainda conta com um gancho, o que ajuda imensamente a atravessar espaços entre prédios, porém é limitado a pontos específicos de uso.

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Correr pela cidade inteira de Glass nem sempre é uma tarefa fácil, principalmente considerando os inimigos da Kruger Sec que rondam alguns locais da cidade. Eis então o ponto mais frustrante do jogo: o combate. Apesar de ser legal de ver os movimentos de combate em primeira pessoa, como por exemplo quando Faith executa um mortal acertando um chute direto na cara do inimigo, derrotar os inimigos pode ser extremamente frustrante, já que é desajeitado e não funciona tão bem. Tudo parece muito bom quando se tem poucos inimigos, como um ou no máximo dois, e estes estando bem posicionados na sua rota de corrida, permitindo lidar com eles facilmente. No entanto, quando são vários inimigos ao mesmo tempo, o jogo perde todo seu ritmo acelerado pra um combate idiota que te fará repetir o checkpoint diversas vezes.

Tirada toda a frustração dos combates com vários inimigos, Mirror’s Edge: Catalyst tem como principal fator positivo a ótima movimentação de corrida e parkour, além do fantástico tratamento visual que a cidade de Glass recebeu. A história, que deveria ser o ponto chave para aguçar a curiosidade e dar aquela vontade de entender melhor o que está acontecendo, acaba falhando nesse ponto e em pouco tempo pode ser inteiramente esquecida pelo jogador. Embora Catalyst até traga um pouco da essência que fez o primeiro jogo ser tão adorado, ele erra em pontos que não podem ser negligenciados.

  • Este review de Mirror’s Edge: Catalyst foi feito no PC com uma cópia do game enviada para nós pela Electronic Arts.
O primeiro Mirror's Edge, lançado em 2008, pode até não ter sido sucesso de vendas como outros grandes títulos da Electronic Arts, porém o game atingiu diversos fãs que viram no jogo um certo charme incomum. Desde então, os pedidos por uma continuação sempre estiveram presentes na internet, e oito anos depois chega Mirror's Edge: Catalyst, não uma continuação, mas sim uma história de origem para a querida personagem Faith. Apesar de melhora em vários pontos e algumas mudanças no gameplay, o novo jogo no entanto, parece não ter o mesmo charme de seu adorado antecessor. Como mencionei, Catalyst agora conta uma história de origem de Faith, mostrando até alguns poucos momentos de quando a personagem era apenas uma criança. A história começa com Faith saindo da prisão após cumprir uma sentença de dois anos. Logo na saída, ela é lembrada de sua dívida com Dogen, um líder de gangue mal visto pelos "bonzinhos" da facção de Noah, o mentor de Faith. A protagonista se vê então obrigada a correr para quitar sua dívida e ficar livre. No entanto, nem tudo é simples, e os esquemas da Kruger Sec, empresa liderada por Gabriel Kruger, afetam a vida de Faith e de seus amigos. Embora traga uma história até mais complexa que do primeiro jogo, Catalyst falha em deixar o jogador engajado e interessado para entender o que está acontecendo e o que vem em seguida. A trama não impressiona mesmo com os diversos personagens presentes, que acabam sendo desinteressantes e não geram aquela vontade de conhecê-los mais a fundo, exceto unicamente pela excêntrica jovem Plastic, que dá um humor divertido a algumas partes do jogo. Ela é certamente minha personagem preferida do game, até acima de Faith, que aqui falha em expressar sua personalidade. A estrela do jogo ainda fica por conta das corridas no estilo parkour. A movimentação é responsiva e empolgante, não há nada melhor que fazer uma corrida de um ponto a outro sem errar um passo e sem perder o ritmo Um dos maiores atrativos do jogo é seu belo visual. A cidade de Glass é linda de se ver com seus prédios e cenários predominantemente brancos, enquanto outras cores se destacam para chamar a atenção do jogador. Os elementos de ficção científica ajudam a manter uma estética interessante para os olhos do jogador, e poder explorar esta cidade de forma livre é muito recompensador, mesmo que não exista tanta vida ou movimentação nos ambientes em que podemos explorar. Catalyst evolui de seu antecessor assumindo o estilo de mundo aberto, porém não no nível de jogos como GTA por exemplo. Ao contrário do exemplo citado, em Catalyst até temos missões secundárias e atividades como corridas, entregas e até desafios criados por outros jogadores, o que é um elemento social bem interessante para o jogo, porém após um tempo as atividades se tornam repetitivas. Após as aproximadas 10 horas da campanha principal, missões secundárias e algumas atividades, não há muito mais o que fazer com toda essa…

6.5

Bom

Veredito Final

O retorno de Mirror's Edge finalmente aconteceu após oito anos, embora não como esperávamos. Mirror's Edge: Catalyst traz de volta Faith, agora em uma história de origem da protagonista que apresenta diversos personagens, porém poucos com personalidade realmente interessante para que o jogador queira conhecer mais. A trama é rasa e falha em nos deixar engajados, podendo ser esquecida facilmente após terminada. A movimentação é bem precisa e extremamente empolgante, não há nada melhor que correr por cima de prédios sem perder o ritmo, enquanto apreciamos o belíssimo visual da cidade de Glass. No entanto, ao chegar em combates contra vários inimigos, a frustração é o que domina o sentimento do jogador. Em resumo, Catalyst é uma boa tentativa de replicar o charme do primeiro jogo, porém não o suficiente. Agora resta apenas a esperança de que o potencial da franquia ainda seja alcançado futuramente.

Nota

6.5

7

Redator da SuperGamePlay, se apaixonou por videogames na primeira vez que jogou Atari. Preza por uma boa história, é fanático por Metal Gear e está sempre em busca de bons jogos indies. Ama consoles, mas também não larga o PC. Tudo o que queria era mais tempo para terminar todos os jogos que gostaria.